quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Análise: Doom 3






Mesmo com bons gráficos, esqueceram de dar um nome pro protagonista! :(





Doom 3 foi, no mínimo, um dos jogos mais esperados da história dos games. O projeto que ficou em produção por 4 anos arrancou muitos suspiros quando apareceu pela primeira vez na E3 de 2002. Com o passar dos anos, cada vez mais noticias saíam sobre o game. Entre todas, a que mais chamou atenção foi que Doom 3 seria um remake do primeiro jogo da série. Pessoalmente, nunca concordei com remakes de jogos que em sua época foram ditos como perfeitos, principalmente por que Doom 2 deu um ótimo espaço para continuações. Mesmo assim, a empolgação para por as mãos em Doom 3 crescia cada vez mais e em 2004 chegou ao mercado.

Por ser um jogo muito revolucionário para sua época, poucos usuários tiveram condições financeiras de montar um computador capaz de rodar Doom 3 com todo o seu glamour. Doom 3 obedece a velha escola dos FPS que o game original ajudou a popularizar. Não se trata de um título dos mais épicos, mas sem duvida merece ser jogador e apreciado.

Enredo.



Do meu ponto de vista o maior valor que este remake poderia ter tido foi o de contar a história da série com mais minúcias, mas apesar do esforço, não foi bem isso que aconteceu. Você está na pele de Marine (sim, ele continua sem um nome de verdade), um recém fuzileiro naval que foi enviado para Mars City, um centro de pesquisas localizado em Marte. A principal pesquisa feita em Mars City era a de um portal usado para teletransportes que podia passar pelo inferno, libertando demônios que atacam a base. O portal é aberto graças à ajuda de um cientista chamado Betruger, que faz um acordo com os demônios e os deixa entrar. Sendo o único sobrevivente, Marine entra em contato com a terra e recebe a missão de fechar o portal do inferno e conter a visão demoníaca.

Você VS Inferno!











Doom 3 usa a mesma premissa do jogo original. Você sobreviveu a um ataque demoníaco, e agora precisa acabar com essa loucura. Mas algumas mudanças foram feitas aqui e ali. Para começar, Marine não está exatamente sozinho. Durante sua jornada o fuzileiro estará em constante contato com seus superiores no planeta terra, assim como também encontrará outros infelizes sobreviventes por toda a instalação de Mars City. Mesmo não sendo aquele jogo solitário de antes, Doom 3 ainda conserva o ambiente inóspito que deu fama a franquia.

A base está infestada de demônios e soldados possuídos. A escuridão toma conta em cada canto do cenário e a munição é contada. O fuzileiro sobrevivente conta com a ajuda de uma lanterna para iluminar seu caminho, mas sem poder empunhá-la junto com a arma. Por vezes, a loucura toma conta do herói, resultando em terríveis alucinações, que conseguem se tornar os momentos mais assustadores do jogo. Enfrentar hordas do inferno mexe com o psicológico!

Parte técnica.

Doom 3 foi um jogo que esteve anos luz a frente de sua geração. Poucos jogos exigiram uma máquina tão potente em sua época. Nos consoles, somente o X-Box foi capaz rodá-lo, e com uma série de restrições técnicas. Doom 3 é sublime, com cenários escuros e cheios de detalhes. Cada parede metálica e cada chão ensanguentado pulsa vivamente na tela. Os inimigos foram transportados do primeiro game da série, mas com modelagens mais realistas e medonhas. Cada criatura conta com animações bem fluidas e detalhadas. Fãs mais ferrenhos da série vão se emocionar em poder enfrentar monstrengos como Imp, Lost Soul e Cyberdemon, com todos os seus horrendos detalhes que mantém o clima de desespero que o jogo proporciona.








A trilha sonora com influências do rock clássico dos jogos anteriores foi substituída por sons ambientes que conseguem proporcionar muita tensão no jogador. A idéia funciona bem, pois o silêncio deixa o jogador mais atento. Se você tiver um headphone vai ficar ainda mais apavorado. A medida que avançamos no jogo tudo parece ficar ainda mais cabuloso: Qualquer ruído faz o jogador olhar de um lado para o outro, esperando pelo derradeiro ataque de uma criatura qualquer. Nos momentos iniciais do jogo o pânico é bem aplicado. Marine escuta em seu rádio todo o massacre, com pessoas gritando, sons desagradáveis de carne rasgando, ossos quebrando, gargalhadas medonhas e gritos guturais de monstros por todo o lado. O trabalho sonoro ficou de cair o queixo.


Aprovado :) 

Tenso e direto.

Em 1993 a ID Software conseguiu fazer muito com o pouco que tinham. Doom foi um jogo violento e tenso, usando pela primeira vez efeitos de luzes convincentes e causando pânico e terror nos jogadores. Em 2004 o resultado tinha de ser igual, e a empresa conseguiu esse efeito com louvor! Doom 3 cria tensão constante, mas não usa os velhos elementos dos dois primeiros jogos da série. Em vez disso se inspira em séries mais atuais. A munição é muito escassa, algo que aterrorizava na trilogia clássica de Resident Evil, por exemplo. Em Doom 3 o jogador precisa administrar com cautela a munição que tem, e em muitos casos isso parece ser impossível de realizar.



As fases são bem lineares, mas ainda sobre espaço pra buscar itens. Cada funcionário de Mars City recebe um PDA, que funciona como sua identidade na instalação. Algumas portas só podem ser abertas com um PDA especifico. Esse sistema substitui as chaves coloridas dos jogos anteriores, além de serem mais fáceis de encontrar. Os combates são bem divertidos e também o prato principal do jogo, deixando de lado aqueles longos e divertidos labirintos do passado, e sim, eles acabam fazendo muita falta.













O que mais me encantou em Doom 3 é que a filosofia do “simples não é menos” foi bem aplicada aqui. Nada de cumprir missões, nem ficar subindo  de nível ou evoluindo atributos: o foco é na ação pura, a moda antiga. Marine deve coletar diversas armas com diferentes poderes de fogo, todas já bem conhecidas pelos fãs, só que com designs mais modernos e futuristas. Você não precisa substituir uma velha arma para coletar uma nova, e cada arma apresenta vantagens e desvantagens para cada inimigo. Poder andar pelo mapa dando cabo da vida de tudo que se move é realmente divertido.

Reprovado :(

Enredo sem grandes atrativos.



A Id Software prometeu um enredo bem esclarecedor para explicar detalhes da história, mas foram incapazes até de dar um nome ao protagonista. Doom 3 até tenta forçar uma narrativa interessante, mas o resultado é tão pobre e sem sal, que é muito mais recompensador sair metralhando demônios pelo caminho do que prestar atenção nos diálogos do jogo, que felizmente são curtos e podem ser ignorados. A empresa só adicionou um detalhezinho aqui e uma conversinha ali, e no final, você não passa de um soldado sem nome que sobreviveu a um massacre e deve sair do lugar vivo. Sim, essa falta de personalidade em Marine é realmente decepcionante. Entenda isso, empunhe sua arma e siga em frente!

Muito curto e relativamente fácil.



Apesar da munição contada, Doom 3 ainda pode ser considerado fácil se comparado a Doom e Doom 2, e chega a ser ridículo perante ao TNT e Plutônia. Os inimigos são extremamente previsíveis, com ataques simples, que são possíveis de desviar em muitas ocasiões. As velhas emboscadas foram tiradas do jogo e as fases seguem caminhos muito lineares. Particularmente, senti falta de fases mais longas, com caminhos múltiplos e enganadores, tipo a Hall of Damneds, de Doom 1. Por conta disso o jogo também tem um curto tempo de duração. 8 horas é mais que suficiente para chegar ao fim de Doom 3.

Conclusão.



Doom 3 demorou, mas quando chegou ao mercado, não decepcionou. Pessoalmente, não tenho Doom 3 como meu jogo preferido da franquia e em alguns pontos eu até me senti meio decepcionado com o resultado final. Apesar do ótimo trabalho o jogo ficou um tanto fácil, e é visível que certos elementos foram mudados apenas para agradar ao novo publico. Deixando meus devaneios saudosos de lado, Doom 3 é curto e grosso, com muita ação, muita tensão e muita diversão. Se puder jogar a noite, com headfones e luz apagada. Você terá uma gratificante sensação de medo e pânico que Doom 3 oferece como ninguém!



Nota Final





Análise Escrita por: Lipe Vasconcelos

   







3 comentários:

  1. Excelente análise parabéns! Doom 3 é realmente um clássico dos FPS/Terror. Estou a espera de Doom 3 BFG Edition.

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  2. E muito loko os gritos e as partes q ficam escuras se o grafico fosse mais reais e melhores daria nota dez se o jogo Halo tivesse algumas coisas apavorantes igual Doom 3 serio muito melhor tbm

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