domingo, 16 de setembro de 2012

Análise: Metal Gear Solid 2 – Sons of Liberty.












Às vezes outro ponto de vista de uma história pode ser bem melhor.




Metal Gear Solid 2 – Sons of Liberty: A tão esperada sequência do melhor jogo de espionagem lançado para o PSX. Junto com Silent Hill 2, Onimusha e Devil May Cry, MGS2 ajudou a mostrar o poder gráfico do Playstation 2. Comparado ao antecessor, MGS2 é um passo e tanto de evolução. Em compensação, a troca de protagonista faz de Sons of Liberty o episódio mais polêmico de Metal Gear até hoje.

Se você deixar algumas filosofias bobas de lado e se concentrar na excelente jogabilidade e enredo, verá que Sons of Liberty é digno de carregar o título Metal Gear Solid. A trama é bem amarrada, intrigante e divertida, mesmo que passe por alguns momentos pouco inspirados.

Enredo.



Sons of Liberty acontece quatro anos após os eventos em Shadow Moses. Uma escritora chamada Natasha Romanenko lança uma série de livros sobre os eventos da ilha, declarando Solid Snake como herói. Mas Snake abandonou o governo e passou a trabalhar com Otacon numa ONG chamada Philantrophy, destinada a caçar e destruir qualquer outro Metal Gear existente.

Os eventos de Metal Gear Solid 2 começam quando Otacon recebe um e-mail anônimo sobre um navio da marinha americana chamado Discovery, que estaria transportando um novo modelo de Metal Gear através do Rio Hudson. Snake tem a missão de se infiltrar na embarcação, averiguar a situação e tirar fotos do tanque para expor ao mundo. Ocelot também aparece no navio junto a um aliado, Sergei Gurlukovich. Após estranhos acontecimentos envolvendo Ocelot e sua nova mão (Sim, lembra que Gray Fox a cortou fora no jogo passado?) Ocelot rouba o Metal Gear e afunda o navio. Sem comunicação com Otacon e desaparecido no mar, Snake é dado como morto.



Dois anos mais tarde, o governo envia um agente da FOXHOUND para uma instalação de tratamento marítimo chamada Big Shell, onde um grupo terrorista chamado Sons of Liberty mantém o presidente dos EUA e mais 30 pessoas reféns. Junto com o Sons of Liberty está a Dead Cell, uma antiga unidade anti-terrorista composta por soldados renegados do governo. Também estão presentes tropas alemãs que respondem ao comando de Olga Gurlukovich, filha de Sergei.

O agente enviado para a missão é o novato Raiden, que passou recentemente por treinamentos VR. Cheio de empolgação, medo e dúvidas, Raiden é auxiliado pelo seu superior, Colonell, e sua noiva, Rose. Há também a ajuda de figuras como Stillman, um lendário especialista em bombas, e um fuzileiro naval chamado Pliskin. Com tantos personagens (novos e conhecidos) na trama, eventos do passado vão se entrelaçar com os estranhos acontecimentos que estão em andamento no Big Shell.

Momento Snake e momento Raiden.



Basicamente, Sons of Liberty se divide em dois momentos muito distintos. Nas duas primeiras horas de partida o jogador vai se infiltrar o navio Discovery no comando do lendário Solid Snake, explorando toda a jogabilidade conhecida do título anterior, e já conhecendo algumas das novidades que Sons of Liberty trás. Depois de ver a eletrizante cena que leva a morte de Snake, o jogador passa para o segundo e principal momento do jogo, o desenrolar com o novato Raiden.







Não que Sons Of Liberty se torne um jogo totalmente diferente! Ainda permanece o esquema de se infiltrar sem ser notado, usando fogo em situações especificas. O que realmente muda é a personalidade do jogo. Raiden é muito mais contido que Snake. Sendo um novato, entra em constantes conflitos ao receber ordens extremas. No entanto, o agente trás um passado obscuro, que muda a atmosfera do jogo conforme progredimos na partida. O ambiente explorado também é diferente! O Big Shell consiste em duas grandes plataformas com seis grandes pentágonos em cada uma delas. De inicio é preciso fazer um reconhecimento de área bastante enjoado. Mas como no game passado, o ritmo da aventura fica mais intenso conforme a história se desenrola. Logo a trama de Raiden começa a se entrelaçar com os acontecimentos vividos por Snake, e o jogador se vê numa história muito interessante, repleta de mentiras, traições e conversas via codec.

Raiden possui algumas habilidades diferentes de Solid Snake. Em vez de rolar no chão, por exemplo, o novato pode dar uma estrela ao estilo capoeira, que tem quase a mesma função de um salto, podendo ser usado para atravessar por entre plataformas mais distantes. Raiden também pode se agarrar em barras de ferro para atravessar áreas estreitas e nadar para explorar lugares inundados por água. Seu equipamento é basicamente igual ao de Snake. Há uma boa variedade de armas em seu arsenal e muitos itens para usar; óculos de visão noturna, binóculos, bombas de efeito moral, explosivos e granadas que desativam equipamentos eletrônicos por alguns segundos. Uma novidade é um spray de gás gelado que desativa bombas C4 e dispersa incêndios. Todos esses aparatos são bem explorados pelos desafios que o game oferece. Não dá pra deixar de notar que algumas etapas foram recicladas do jogo anterior, mas adicionando algum elemento que tenta diferenciar do MGS1. Não chega a ser um defeito, mas sabemos que Kojima tem grande talento em mãos! Era de se esperar situações novas e inusitadas. Pelo menos essas reciclagens não carecem de inspiração e cabem no contexto do enredo.

Na moita.

A mecânica mais privilegiada continua sendo a de Stealth, e aqui, o game não deixa a peteca cair. No primeiro jogo era fácil finalizar uma perseguição, bastando mudar de tela (o que exigia o carregamento de dados) na tela seguinte os inimigos já não estavam a sua procura e a contagem de tempo estava zerada. Em Sons of Liberty os soldados estão mais implacáveis, não se deixando parar nem pela leitura de disco. Quando eles vêem um corpo jogado no chão, logo ficam em alerta. Agora é possível (e necessário) arrastar o corpo de soldados abatidos para as sombras, ou escondê-los em armários. Também é possível distraí-los com revistas adultas, resultando em cenas hilárias em que os guardas reagem de forma cômica.

Quando Raiden for avistado haverá três barras de contagem. Na primeira, o inimigo apenas nota algo estranho, ou pensa ter visto alguém. Caso não encontre o invasor, volta ao seu posto. Se o inimigo encontra Raiden, a barra de aviso passa para o status de perigo. Neste modo, os guardas terão certeza da presença do agente e o caçam sem parar. Passando alguns segundos de busca sem sucesso entra a terceira barra, a de cautela, onde os inimigos procuram por Raiden enquanto ele estiver bem escondido. Se Raiden não for encontrado até o fim da contagem de cautela, os inimigos voltam aos seus postos e desistem de procurar pelo invasor. O radar Solition continua sendo essencial para a infiltração do protagonista, pois mostra a posição exata de cada inimigo dentro do aposento. Mas agora é necessário baixar o mapa de área de cada nova sala acessada, bastando encontrar o computador de cada novo setor.


A mecânica de combate é simples, e na maioria das vezes precisa ser evitada. Isso acontece porque o jogo incentiva a infiltração, agir sem chamar atenção de ninguém. Os inimigos são ferozes e não há muito espaço para fuga; na maioria das vezes, atacam em grande quantidade. Caso o jogador queira dar uma rambo e mandar bala para todos os lados a tela de game over é quase certa, pois praticamente não há chance de vitórias num combate direto fora de hora. Nos tiroteios o jogo não economiza na ação, mas geralmente há momentos específicos para resolver as coisas na bala. Os combates contra os chefes, apesar de divertidos, não apresentam o mesmo brilho que o game anterior, soando muito simples para os padrões de Kojima. Jogadores novatos podem evitar os confrontos com a funcional arma tranquilizante, que coloca qualquer inimigo para dormir. Os mais experientes podem usar de total criatividade para passar despercebido ou eliminar inimigos na surdina. Variedade não falta!

Parte Técnica.






Sons of Liberty apresenta uma qualidade gráfica incrível, que na época fez muitas pessoas acreditarem que aquela era a capacidade máxima do Playstation 2. Logo nas primeiras cenas, temos Snake andando na ponte do Rio Hudson durante uma forte tempestade. Os efeitos de vento e chuva estão ótimos, bem como a água que encharca e escorre pela roupa de Snake. O jogo de iluminação dos cenários está balanceado e realista e os ambientes internos muito bem construídos. Já o Big Shell parece ter detalhes mais contidos. Não se trata de um local feio, mas após uma apresentação tão luxuosa no navio Discovery, era de se esperar um trabalho igual ou superior na sequência. O Big Shell possui muitas áreas externas que ficaram bem trabalhadas e apresentam vida. A animação de cada personagem ficou perfeita, com direito a toques de humor típicos de Kojima. Se você rolar Snake perto de uma escada, o verá cair desajeitado. É hilário ver Raiden escorregando em excremento de pombos nas plataformas do Big Shell. Os personagens possuem detalhes de rosto e expressões faciais convincentes. O melhor de tudo isso é que além de bem detalhado, Sons of Liberty tem taxas de quadros estáveis e suaves, com loadings rápidos.

A sonorização também está ótima. Mais uma vez o som das armas foi efetuado com a ajuda de equipes da Swat, que mostraram para a equipe de produção do game como as armas funcionam. Os efeitos de som estão limpos e o game abusa de uma infinidade de efeitos ambientais que ajudam a manter o jogador no clima da aventura. A trilha sonora casa perfeitamente com o clima de ação e conspiração do título, destaque para a música tema do jogo, que aparece em diversos pontos da trama, principalmente nas cenas não interativas. As dublagens estão dentro do padrão da série, mas a interpretação de Raiden por vezes deixa a desejar. Por sorte, velhos veteranos do game passado ajudam a segurar a peteca, fazendo de MGS2 um game muito bom nesse setor também.

Aprovado.

Jogabilidade bem trabalhada.

Não há duvidas de que as possibilidades de MGS2 deixam o título muito interessante. Não é só de reciclagens que o jogo vive, também há situações bem divertidas e originais. O jogador poderá nadar dentro de salas alagadas por água, desativar bombas com jatos de ar frio e usar muitas maneiras de enganar os inimigos. Todas as possibilidades de equipamento e armas são bem exploradas pelo jogo. O mais divertido está na liberdade que o jogador tem de resolver cada desafio.



Os mais novatos poderão simplesmente resolver metade das pendengas com os dardos tranquilizantes e outras soluções óbvias, fazendo de MGS2 um jogo quase impossível de ficar travado. Os mais criativos poderão ousar e se divertir bastante com as muitas possibilidades. É possível que você jogue Sons of Liberty até 10 vezes e sempre encontrar novos meios de prosseguir na aventura. Apesar de linear, o jogo ainda trás uma grande variedade de segredos e surpresas. Não se tratam exatamente de extras, mas de pequenos detalhes aqui e ali que, de certa forma, incentivam o jogador a explorar cada cantinho possível.        

Raiden.








Para muitos esse é o principal contra do título, e é verdade que no inicio ficamos um pouco irritados com a personalidade de Raiden. Mas conforme o game avança, a história de Raiden se entrelaça com a de Snake. Logo percebemos que foi necessário fazer com que a história se desenvolvesse em torno de um novo personagem. A trama de Sons of Liberty é muito interessante, original e repleta de informações e traições. Provavelmente você vai querer jogar tudo de novo para entender algumas coisas que passam despercebidos através das muitas conversas em cenas não interativas e codec. Claro que há momentos questionáveis na trama, mas isso é coisa para ser desenvolvida em outro tópico. É preciso dar dois parabéns para o Kojima: O primeiro vai para a ousadia de trocar o personagem central da trama, e o segundo vai para o modo como ele desenvolveu o passado obscuro do agente Raiden.

Reprovado.

Momentos pouco inspirados no enredo.

Ta certo que esse é o único ponto realmente contra do jogo, mas em se tratando de Metal Gear Solid é um ponto bastante pesado.  O enredo é extremamente profundo, passando pelas velhas filosofias de guerra, ideologias terroristas/heroicas e relacionamentos pessoais. Mas ao contrário do game passado, os vilões da Dead Cell não possuem o mesmo carisma que os membros da FOXHOUND. Fortune e Fatman até têm seu seus passados devidamente explorados no game, mas não conseguem passar o mesmo sentimento que uma Sniper Wolf ou Psycho Mantis, por exemplo. Quero dizer, dificilmente você vai realmente odiar ou simpatizar com os vilões do game. O Vamp nem mesmo tem sua história contada, e o vilão principal do jogo carece de carisma.

Outro ponto contra está nas cenas não interativas. Não chegam a ser chatas, mas das quase 20 horas que o jogo possui provavelmente metade desse tempo é para as cenas e conversas em codec. Logo você percebe que não houve um equilíbrio entre cenas e o jogo em si, tornando alguns momentos um tanto quanto maçantes, principalmente quando a empolgação toma conta do jogador nos momentos finais.

Conclusão.



Sons of Liberty foi um jogo bastante ousado. Depois de três games, Kojima muda o protagonista e cria um jogo divisor de águas na série. Mas como é dito acima, a troca de personagem fez muito bem ao jogo. Raiden é um protagonista enigmático, e as verdades por trás do enredo do game prometem deixar os fãs chocados. Pena que os vilões não conseguem ter o charme de um Liquid Snake, mas devido ao desfecho alucinante do game, dá pra perdoar essa pequena falha.

É o tipo de jogo que faz público criar as mais diversas teorias, buscando compreensão de algum ponto aqui e ali. Na jogabilidade prevalece o brilho do jogo passado, adicionando mais desafio e criatividade. O clima de filme de ação e espionagem também está acentuado, graças a um excelente trabalho de arte, unido ao poder do Playstation 2. No fim das contas se você não tiver preconceito em jogar com um herói diferente, vai ver em Metal Gear Solid 2 – Sons of Liberty um jogo completo na diversão e com uma longa vida pela frente.



Nota Final





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.







3 comentários:

  1. Cara, esse jogo é muito bom, só não concordo muito com a parte da história não ter o mesmo cuidado.

    Foda o Blog, continua assim véi!

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  2. É um jogo incrivel, mas concordo q as cenas não interativas são longas d+ uma vz até durmi jogando MGS

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  3. A primeira vez que joguei esse game fiquei estupefado com os gráficos e as posições de càmera! Lógico já tinha visto isso em MG do PSX, mas foi um salto gigantesco pra época, como vc mesmo disse a maioria pensava que era o máximo do PS2, mas ainda teríamos MGS3... Muito boa a análise e os detalhes, parabéns pelo Blog. Se quizer dar uma conferida nos meus sobre games antigos, agradeço.
    Abraço!

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