quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Análise: Star Wars - The Force Unleshead













O lado negro da força pode ser muito divertido!




Star Wars: The Force Unleshead não se contenta apenas em ser um jogo baseado na aclamada saga de George Lucas. O novo game publicado pela LucasArts adiciona conteúdo a obra, contando eventos entre a primeira e a segunda trilogia, recriando a intensidade da ação e dos combates que todo o fã da saga sonha em ter nas mãos; além de se tornar uma interessante introdução aos eventos de Uma Nova Esperança.

A versão para Playstation 2, a qual a análise é exclusivamente baseada, foi adaptada pelo Kromer Studios, que também trabalhou nas versões de Wii e PSP. The Force Unleshead é um excelente título de ação baseado em Star Wars, com combates empolgantes. Apenas faltou variar um pouco mais a experiência e deixar os combates mais bem polidos. Esses e alguns outros deslizes impedem que The Force Unleshead seja um game épico.

Enredo.



O game acontece após os eventos do episódio III. Darth Vader, agora lord dos Sith, inicia uma caçada aos cavaleiros Jedis sobreviventes. Ao atacar o planeta Kashyyk, Vader encontra um jovem aprendiz Jedi, mas em vez de matá-lo, adota o jovem para ensiná-lo e treiná-lo como um guerreiro para o lado negro da Força. Logo o jovem fica conhecido como Starkiller, famoso caçador de recompensar a serviço do império, e também o protagonista do game. A missão de Starkiller é caçar qualquer Jedi que se oponha ao império. Mas o enredo tem interessantes reviravoltas, que irão agradar principalmente aos fãs mais ferrenhos da saga.

Lutando pelo lado negro da Força.

The Force Unleshead é um jogo de ação com muitos combates frenéticos, mas nem tão rápidos como nos tradicionais títulos de Hack in Slash. A primeira fase acontece no planeta Kashyyk. É no controle do poderoso Darth Vader que o jogador vai aprender os controles básicos do jogo e entender como o jovem Jedi cai nas mãos do império. A partir da segunda fase você começa a sentir a fúria de Starkiller, embarcando em missões de caça aos cavaleiros Jedis que ainda resistem contra o mal.

The Force Unleshead se esforça para entregar um sistema de combate completo, com muitas possibilidades. Utilizando Sabre de luz e os poderes da Força, não faltarão maneiras divertidas de derrotar seus inimigos. O jogo em si é bastante linear, com fases muito longas e combates em excesso. Há um sistema bem divertido de melhorias e extras, que não passam de conceitos de arte e novas roupas para o protagonista. O jogador pode trocá-las no intervalo de uma missão para a outra. Apesar de um esforço admirável para entregar boas doses de ação, Star Wars: The Force Unleshead é muito curto, e por vezes, muito repetitivo.

Parte Técnica.

The Force Unleshead apresenta gráficos bem interessantes. É notável que a Kromer soube lhe dar bem com as limitações do Playstation 2. Não se trata de gráficos de primeira linha, já que o console da Sony já recebeu produções melhores, mas o acabamento final não decepciona. Os planetas apresentam designs bem variados, com detalhes modestos, mas funcionais, como singelos efeitos de chuva e fogo. O jogo de cores foi bem aplicado e combina com a ambientação da série, algo que realmente cativa o jogador, sendo você fã ou não da saga.

Os personagens apresentam uma modelagem apenas amigável, pelo menos as animações de movimento estão bem acabadas e agradáveis aos olhos. Mas o grande destaque mesmo fica nos efeitos visuais! Serão tiros, explosões, sabres de luz se chocando, coisas caindo e quebrando, enfim... É realmente impossível não admirar esses efeitos. O game tem cenas não interativas, mas todas feitas com o próprio motor gráfico do jogo, o que significa uma qualidade no mínimo decepcionante para um jogo lançado em 2007.



A parte sonora tem grande destaque, principalmente porque todo o impacto presente nos belos efeitos visuais é completado pela fidelidade da sonoplastia. Sim! Cada explosão, tiro e combate produz excepcional riqueza sonora no game, ajudando a manter a empolgação em alta. A trilha sonora é toda transportada do filme. É particularmente emocionante ouvir o tema principal da série ao iniciar um jogo novo, bem como o tema de Darth Vader ao fatiar inimigos com seu sabre de luz. Aumente o volume pra curtir cada canção. Já as dublagens seguem padrões modestos. Infelizmente algumas vozes conseguem sair bem forçadas, como a de Darth Vader, que não transparece a mesma frieza que o vilão possui.

Aprovado :). 

Seja um Jedi.



A imersão que The Force Unleshead proporciona é encantadora, graças à fidelidade da produção. Os novatos talvez não tenham o mesmo sentimento; mas para aqueles que conhecem a fundo o mundo criado por George Lucas, certamente vai ver neste game muitos motivos pra sorrir. O sistema de combate explora todas as possibilidades possíveis. Starkiller tem como principal arma o fiel sabre de luz. Mas sendo um aprendiz do lado negro da Força o anti-herói tem muitos truques na manga. O sabre de luz, por exemplo, pode ser usado como um bumerangue. Os poderes da força incluem saltos mais longos, esquivas e a manipulação de objetos. Praticamente tudo nos cenários pode ser manipulado e lançado contra seus inimigos. Até mesmo seus inimigos podem ser manipulados por Starkiller, podendo simplesmente arremessá-los para longe ou sufocá-los até a morte. É possível criar explosões que afastam seus oponentes ao redor e lançar raios contra eles. O uso da Força consome uma barra de energia azul que se recupera bem rápido, podendo ser expandida através de Upgrades.

Os combates pedem o uso de todas essas habilidades e é realmente divertido usar todas essas possibilidades, pois o controle procura facilitar ao máximo a vida do jogador. Os combates contra chefes são o ápice, geralmente se dando em forma de duelos. Algumas batalhas podem ser um pouco demoradas, mas são tão emocionantes e empolgantes que o desejo é que demore mais. Tratam-se lutas bem divertidas, com inimigos que defendem e atacam com a mesma precisão que o jogador, usando até as mesmas técnicas e poderes da Força. O game usa a técnica de Quick Time Event para a finalização dos chefes, não se tratam de cenas violentas como em God of War (The Force Unleshead parece abominar o sangue), mas são movimentos e finalizações cheias de estilo e originalidade, como no momento em que Starkiller esmaga um robô com a Força.

O sistema de melhorias não será novidades para quem já jogou as séries Devil May Cry e God of War. Cada inimigo derrotado deixa cristais azuis que são coletados por Starkiller. Na tela de Upgrade no menu principal o jogador terá uma lista de todos itens que podem ser evoluídos. Você pode deixar a repulsão mais poderosa, fazer com que o raio atinja mais inimigos presentes na tela, melhorar a evasiva e o ataque do sabre. Ainda é possível customizar o visual, mesmo que a variedade de roupas extras não seja grande, mas é muito divertido poder trocar a vestimenta do anti-herói. Também é possível usar cristais para mudar a cor do sabre de luz, por simples questão de estética, mas que acaba funcionando bem. Outros cristais melhoram atributos de defesa, ataque e evasivas. A cada nova missão completada, novos poderes da Força são desbloqueados, de modo que uma só partida não é o suficiente para deixar tudo no máximo. O game conta com dois finais diferentes, o que significa que ao terminar o jogo uma vez você pode recomeçar uma nova partida, mantendo as melhorias anteriores e podendo ficar ainda mais poderoso.

Reprovado :( 

Repetitivo.

Apesar de oferecer combates dinâmicos e variados, é impossível não notar que combates é tudo que o jogo tem a oferecer. Da primeira a ultima fase o jogador vai avançar em um caminho linear e descer o cacete em quem vier pela frente. Esqueça a possibilidade de resolver puzzles ou algo do tipo! O mais triste é que fica na cara que a produtora poderia ter utilizado a mecânica para criar situações variadas... Mas não aproveitou! Você vai ficar lutando exaustivamente, sem nunca descansar. O resultado é que um título de grandes possibilidades acaba se tornando um mero game casual.

Tecnicamente bagunçado.





A parte técnica do jogo apresenta uma série de problemas que prejudicam demais The Force Unleshead. Para começar, os combates são uma bagunça completa, pois os inimigos atacam de todos os lados e o posicionamento da câmera não ajuda a manter as cenas em ordem. Durante as partidas fiquei muito irritado por diversas situações onde a câmera simplesmente tirava o personagem da tela. Eu apanhava sem parar do chefe e vários elementos no cenário me impediam de salvar meu boneco, ou até mesmo de vê-lo na cena. Você até pode fixar a atenção de Starkiller em um único personagem, mas isso só funciona bem contra os chefes; se tentar enfrentar muitos inimigos de uma vez, só vai servir para deixar o Jedi exposto a outros ataques. Os saltos e a esquiva são bem desgovernados, e às vezes, só fazem atrapalhar, pois na maioria das vezes deixa o jogador sem controle sobre o personagem. Mexer na câmera também é um problema, dada a sensibilidade do comando. Ainda bem que pelo menos podemos ajustar isso no menu principal. As habilidades da Força em geral são acionadas através de comandos simples de executar, mas devido a algum erro de programação alguns comandos simplesmente falham, deixando o jogador na mão em momentos críticos.

As fases são muito longas e como os objetivos nunca mudam, o mais normal é que você se canse com o tempo. O game conta com um Auto Save, mas o sistema simplesmente não funciona – pelo menos não como deveria! Por mais que ele salve o game em um checkpoint você não pode desligar o jogo e continuar dali depois, terá de jogar a fase toda de novo! O game é si dura mínimas 6 horas, ou seja, a experiência pode ser repetitiva, mas não dura muito tempo. O jogo ainda conta com dois finais diferentes.

Conclusão.



Star Wars: The Force Unleshead foi uma chance desperdiçada de fazer um jogo de ação realmente épico. Os controles facilitam na hora dos combates, mas diversos erros técnicos botam tudo a perder. A falta de variedade também ajuda a ofuscar o excelente trabalho que a mecânica de combate trouxe. Um verdadeiro desperdício!

De um modo, geral The Force Unleshead agrega valores ao universo da saga de Star Wars, sendo muito mais que um caça-níquel. Mas para um jogo com tanta pretensão, era de se esperar maior capricho. No final, ficam os combates divertidos e repletos de defeitos. Mesmo assim, vale à pena passar essas quase 6 horas de jogo com The Force Unleshead. Que a força esteja com você!


Nota Final




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos. 











    


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