sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Análise: Castlevania - Lament of Innocence

O inicio de uma saga vampírica lendária... E não é crepúsculo! 




Castlevania  - Lament Of Innocence foi lançado em 2003, exclusivamente para o Playstation 2. O título teve a difícil tarefa de apagar a mancha deixada pelos dois games lançados para o Nintendo 64, em 1999 e 2000. Koji Igarashi, que também trabalhou no clássico Symphony of the Night (Playstation 1), adaptou o gênero Hack in Slash em seu jogo (O mesmo usado em Devil May Cry), resultando em combates mais soltos e na exploração mais ampla dos cenários.

Lament of Innocence foi o primeiro reboot da série, contando os eventos que dão origem a lendária guerra do clã Belmont contra o conde Drácula; explicando a origem do poder do vampiro e do famoso chicote usado por todos os membros do clã. Este jogo tinha tudo para ser uma produção acima da média, mas lamentáveis falhas diluem uma experiência que poderia ser das mais intensas, não só para a franquia, mas também para o Playstation 2. Mesmo assim. há trunfos muito bons no game, como a ambientação cativante e um enredo muito interessante.

Enredo.



No ano de 1094, a igreja católica expandia seu território, graças às campanhas realizadas pelos seus cavaleiros cruzados. Mathias Cronqvist e Leon Belmont eram os cavaleiros mais famosos e poderosos da igreja, juntos eram imbatíveis no campo de batalha. Um dia Mathias retorna para casa e descobre que sua esposa, Elizabeth, foi assassinada. Desde então, Mathias se torna recluso e obscuro. Um ano mais tarde, o cavaleiro surge para Leon Belmont, dizendo que Sarah, sua noiva, fora raptada por um vampiro chamado Walter e levada para um castelo na floresta negra.

Após pedir ajuda da igreja, Leon recebe uma resposta negativa da ordem, ato que força o cavaleiro a renunciar seu título. Enquanto parte para a floresta negra, o ex-cruzado encontra um homem chamado Rinaldo Gandalf, um velho alquimista que aceita ajudar Leon em sua busca, dando a ele um chicote feito pela alquimia. Mais a frente, Leon encontra o imenso castelo onde Walter mantém sua noive prisioneira. É dentro desta moradia que Castlevania – Lament Of Innocence se desenvolve.

Parte técnica.

Os quesitos técnicos apresentados em Lament Of Innocence são muito bons, na época figuravam entre os mais impressionantes já vistos no Playstation 2. Os personagens tiveram um acabamento bem minucioso e modelagem bem trabalhada. Leon Belmont possui animações leves e finas, com movimentos cheios de estilo. Iga soube implantar o estilo frenético de combate com precisão aos movimentos do chicote, com ataques de giro e tudo mais. Quem conhece os games passados da série irá notar que praticamente todos os inimigos clássicos foram transportados para cá: esqueletos, morcegos, cavaleiros e etc, todos com aquele charme que só a saga Castlevania sobe aproveitar em suas produções. Os chefes também fazem referência ao passado da marca, como a Medusa, visivelmente inspirada no velho Castlevania, do Nes. 



Os cenários foram incrivelmente bem construídos e estão cheios de detalhes. A iluminação é o ponto chave da beleza deste castelo, principalmente em salas onde a luz da lua invade as janelas. Cada área possui detalhes próprios, com seus jardins, estatuas e tudo mais. Infelizmente, essa beleza toda é diluída devida a repetição das telas.


A parte sonora também tem destaque, com muita sutileza no uso do chicote e em efeitos de explosão. Cada monstro possui um ruído diferente. A trilha sonora ajuda a construir a ambientação do título, com composições um pouco diferente daquelas que estamos acostumados na franquia, mas igualmente avassaladoras.

Aprovado :) 

Combates mesclados com exploração.


O foco de Lament Of Innocence está em seus combates, todos muito dinâmicos, graças ao sistema de lutas frenéticas de vindos de Devil May Cry. Leon pode usar uma série de combos diferentes e atacar em qualquer direção com grande agilidade. O sistema de níveis ganhos por pontos de experiência, que fora adotado nos games anteriores da série, é deixado de lado, com o intuito de aumentar o desafio da aventura. Em vez aumentar o poder do personagem, o jogador desbloqueia novas sequências de ataque à medida que se derrota inimigos dentro do castelo. O cavaleiro ainda pode combinar poderes de fogo, gelo ou raio ao chicote, sendo que só um Elemental por vez pode ser acionado.

As estratégias criadas em cima dessa possibilidade são muitas, principalmente por que alguns inimigos podem ser mais vulneráveis a um determinado elemento, bem como ficam mais resistente a outro. Além do chicote, Leon também conta com o auxilio das armas sagradas; punhal, machado, água benta, relógio e cristal. Essas armas consomem corações que são coletados ao quebrar velas pelas fases. O cavaleiro também coleta orbs pelo castelo, que quando combinados a uma arma sagrada, cria efeitos devastadores, como explosões, machados que voam e atacam para todos os lados e chuvas de água benta. Ao todo, será um interessante e mágico arsenal disponível para derrotar todas as criaturas que assolam o castelo de Walter.


 








Outra parte do game será a exploração. Logo no inicio você terá as cinco áreas principais liberadas, podendo escolher a ordem que quiser para explorá-las. Leon pode executar pulos duplos, esquivas e prender o chicote em plataformas, a fim de alcançar lugares mais altos. Os mapas são realmente grandes, com muitas portas para abrir e segredos para descobrir. Há diversas relics que dão diferentes poderes para o mocinho, seja nos combates ou nos momentos de exploração. Mesmo depois de derrotar um chefe é possível retornar a mesma área, já que novas habilidades e chaves são adquiridas para acessar lugares que antes não seria possível. Cada área possui seus próprios desafios e próprios inimigos. É muito divertido ir atrás de todos os segredos que o game tem a oferecer. Os combates com chefes também garantem boa diversão, mas em geral não apresentam muito desafio ao jogador.

Ambientação original.











Depois de mais de 15 anos colocando os jogadores dentro de um castelo, parecia impossível criar algo novo nesse contexto. Mas Lamment of Innocence conseguiu trazer um dos climas mais fortes, coerentes e tristes da série. O castelo possui áreas totalmente condizentes com a época em que o jogo acontece. Por isso você sentirá falta da clássica torre do relógio, pois em 1094, relógios desse porte ainda não existiam. O jogador poderá se aventurar na clássica capela, em um jardim, num laboratório de alquimia, um teatro e as frias catacumbas. Cada um desses cenários possui detalhes próprios e texturas bem aplicadas.

O que mais chama a atenção é o clima triste que o jogo possui, como se a todo o momento a angustia do protagonista pudesse ser passada para o jogador. A principal responsável pela ambientação triste do jogo é sua forte trilha sonora, que trás composições melancólicas e arranjos orquestrados. Há um luxo tamanho em cada parte do castelo que vai deixar o jogador abobado. Em termos de ambientação, nenhum jogo da série conseguiu ser tão original quanto Lament Of Innocence. A imersão promete manter o jogador envolvido do inicio ao fim.
  
Enredo bem elaborado.

Por ser um reboot a Konami teve maior liberdade para trabalhar no enredo. Lament of Innocence se foca em contar como começou a batalha milenar entre a família Belmont contra Drácula. Livre de clichês e com diálogos bem trabalhados, Lament of Innocence conseguiu amarrar bem todos os detalhes que fazem parte da mitologia da série: A criação do chicote, o motivo dos Belmont se dedicarem a caçar Drácula, a origem do poder do castelo e até por que a figura da Morte serve o vampiro tão lealmente. Para os fãs mais ferrenhos da franquia, é encantador descobrir todos esses detalhes em volta da série. Já os mais entendidos de literatura vão ver várias semelhanças entre o enredo do game e o livro Drácula de Bram Stoker.

Reprovado :(

Falta de equilíbrio na mecânica.



Apesar de possuir ambientes extensos que pedem a exploração, este é um jogo que praticamente se foca em combates do inicio ao fim. Nas primeiras horas de jogo chega a ser divertido acabar com todos os monstros do castelo. Mas todas as vezes que você precisa retornar a uma sala eles estão lá novamente. Há momentos de quebra-cabeça pra quebrar a rotina, coisas como ativar um botão e atravessar raios elétricos antes que o caminho fique bloqueado, ordenar estatuas, ativar portas e etc, mas a simplicidade reina nesses momentos, devido as Puzzles pouco inspiradas. Os combates, que antes eram empolgantes e divertidos, se tornam monótonos, principalmente após desbloquear todos os golpes possíveis. Como não há níveis para subir, o natural é que o jogador passe a evitar os confrontos após ter todos os combos do jogo habilitados. Se há um consolo nisso, é que o jogo dura em média 8 horas, isso sem contar com todos os segredos encontrados ao fim da partida.

 Eu já passei aqui antes... Ou não?


Apesar do belíssimo design das fases, as salas se repetem a exaustão. E acredite, em uma só fase você verá a mesma sala no mínimo 10 vezes. A intenção da Konami era a de transformar as áreas em labirintos, e ainda que funcione dessa maneira, o truque acaba cansando o jogador rapidamente. A impressão final é a de preguiça em criar ambientes mais diversificados. Esse problema fica mais grave graças ao repetitivo sistema de combate e a falta de equilíbrio.

Menu de itens em tempo real.



Para evitar a quebra de ritmo no jogo, a equipe optou por um menu de itens em tempo real, onde o jogador pode equipar o personagem, o chicote ou usar itens de cura sem precisar pausar ou atrapalhar a partida. Mas a realidade é bem diferente. Em vez de ajudar, esse sistema só compromete o jogador. Leon sempre fica vulnerável nessas horas, havendo momentos onde será necessário fazer uso desse recurso durante um combate. Esse sistema se mostra ainda mais prejudicial na luta contra os chefes, onde raramente haverá um lugar para se proteger de eventuais ataques.

Ângulo de visão.



Esse foi o ponto principal para matar e enterrar os games lançados para o Nintendo 64. Ainda que não seja tão prejudicial quanto no passado, em Lament Of Innocence esses problemas ainda causam um incomodo mínimo. Na maioria dos combates a câmera assume uma visão panorâmica do confronto, de modo que o jogador poderá lutar livremente, vendo em que direções os inimigos poderão atacar. Mas essa visão não ajuda em ambientes um pouco mais fechados, nem nas lutas com chefes. A batalha contra Walter, no fim do game, é bastante prejudicada devida a mudança abrupta do ângulo de visão, que acaba irritando o jogador.

Conclusão.


Castlevania – Lament of Innocence consegue ser infinitamente superior aos episódios lançados para o velho Nintendo 64, mas algumas falhas impediram que este fosse considerado o tão esperado acerto da série no universo 3D. Buscar inspiração em Devil May Cry fez muito bem ao jogo, e ainda que os combates percam o fôlego com o tempo, ainda conseguem ser o prato principal do game.

Iga conta o inicio desta batalha com maestria, em um enredo livre de clichês e divertido, somados a um belo trabalho técnico e artístico, resultando em um dos jogos mais originais da saga, pelo menos em termos de ambientação e conceituação. Mesmo com o brilho diluído, Castlevania – Lament of Innocence consegue proporcionar bons momentos de diversão ao jogador, além de batalhas satisfatórias até o fim.




Nota Final





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.















Um comentário:

  1. Lament of Innocence está para o PS2 assim como Simphony of the Night está para PSX, na minha opinião. Tirando o que vc citou Lipe, dos defeitos do game, que eu concordo plenamente, esse continua sendo um dos melhores da série no meu ponto de vista, deixando pra trás as versões (argh!) do N64. Muito bom o post e o Blog, já está nos favoritos.
    Abraço!

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