segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Análise: Killer 7











In The Name of Harmam!




Gráficos estilizados, com poucos detalhes e uma jogabilidade limitada, pode ser uma combinação fadada ao fracasso. Mas mentes criativas como a de Suda 51 consegue transformar lixo em ouro, ou neste caso, um jogo que tinha tudo para ser ruim em um thriller lado-b interessante. A primeira coisa a se dizer sobre Killer 7 é que este é um título direcionado para poucos, tanto pela sua temática pesada, quanto pela jogabilidade atípica. Lançado em 2005, para Playstation 2 e Game Cube, Killer 7 revirou vários conceitos do mundo dos games, sendo um daqueles jogos que foram desenvolvidos para recriar e derrubar paradigmas. Deixando a filosofia de lado para ser mais direto, Killer 7 explora uma jogabilidade diferente de tudo que você já viu, sendo praticamente limitada. É um título inteligente, psicótico e frio, onde cada detalhe parece estar a serviço de sua trama, que não é nada recomendada para os casuais e crianças. 

Enredo.



No ano de 1998 a humanidade finalmente se empenhou em achar a tão sonhada paz. As grandes super potências destruíram suas armas, redes de conexões virtuais foram desfeitas e o mundo todo passou a se interligar através de pontes e estradas, tudo isso para evitar que facções terroristas se formassem. Mesmo com todos esses esforços, um novo grupo surgiu, os Smiling Faces (ou Heaven Smile), comandados por um homem chamado Kun Lan, que se denomina “O Mão de Deus”. Para combater os Heaven Smile foi chamado um sindicato chamado Killer 7, um grupo de sete matadores comandados por Harman Smith, um senhor numa cadeira de rodas. No entanto, não se sabe o grupo realmente existe, ou se cada assassino é uma personalidade projetada por Harman. Kun Lan é o que podemos chamar de o calcanhar de Aquiles de Harman, o que leva o combate a níveis mais altos. Paralelo ao confronto dos grupos, há um embate envolvendo Estados Unidos e Japão, após mísseis americanos atingirem o oriente. É neste cenário surreal que a complicada trama de Killer 7 se desenvolve, cheia de metáforas, violência e reflexão. Este é um mundo onde absolutamente nada é o que parece ser, e quem acha que sabe de algo, no final das contas, não sabe nada!

7 in 1.

Na teoria Killer 7 funciona como um horror/survival, mesclando momentos de exploração, combate e puzzles. Mas o conceito é mais profundo e a jogabilidade é mais simples do que um Resident Evil clássico, por exemplo. Você controlará um dos sete assassinos por um cenário onde o caminho só permite o boneco ir para frente ou para trás. No caso de bifurcações, o jogo mostrará os caminhos por onde é possível ir, entrando um pouco na ideia de um click point. É um pouquinho difícil explicar em palavras, mas em resumo, a movimentação do assassino pelo cenário é similar a um trem sobre trilhos, que só anda naquele espaço permitido. Apesar dessa aparente falta de liberdade, os cenários costumam ter muitos caminhos e salas para explorar, e logo o jogador se esquece de que só pode andar em linha reta, pois esse conceito em momento algum prejudica a dinâmica do jogo. A mecânica funciona muito bem, tanto em ambientes fechados como em abertos.














Os mapas são extensos, mas não são cansativos. Há muita coisa para explorar e entidades para conversar. Essas entidades geralmente são espíritos de pessoas assassinadas pelo próprio Smith. Há outros personagens muito estranhos, como o Iwazura que surge para dar dicas e conselhos sobre o ambiente, ou informações sobre a atual missão. Os puzzles não chegam a ser irritantes, mas alguns exigem bastante atenção do jogador e quase nunca terão ligação com o enredo central. A maioria das soluções pode ser encontrada de forma subliminar em algumas conversas com espíritos, ou em fotos e cartazes, que a principio não parecem ter importância. Itens coletados também serão usados para resolver tais enigmas. Há uma entidade no jogo que entrega a exata solução do enigma, mas antes disso ele ofende o jogador com palavras e gestos, cobrando também uma taxa de sangue do jogador.

O jogador terá o controle de sete assassinos, podendo trocar de personagem a qualquer momento. Cada matador possui armas e habilidades diferentes, que podem servir nas mais diversas situações:

Dan Smith: tem um visual que lembra o de um personagem de mangá, com sua arma de 6 balas, ele pode usar tiros carregados de sangue.

Kaede Smith: é uma japonesa que usa um vestido manchado de sangue na frente e anda descalça. Sua arma possui uma mira telescópica, que a permite atirar com mais precisão. Sua habilidade é ler mensagens ocultas e quebrar barreiras de sangue em cenários.

Kevin Smith: é um albino atlético e exímio atirador de facas. Pode ficar invisível para passar por áreas de segurança e inimigos sem ser notado. Suas facas podem ser carregadas com sangue para lançar ataques mais poderosos.

Coyote Smith: tem um dom natural para o crime, podendo dar longos saltos para chegar a lugares onde os outros não podem ir. Possui a habilidade de destrancar qualquer fechadura.

Con Smith: é um jovem de 14 anos que usa um par de pistolas. É cego e o dono de uma audição sobrenatural. Por ser o menor de todos, é o mais rápido, tendo a velocidade como sua principal habilidade. Sua estatura também o permite andar por passagens que outros assassinos não são capazes.

Mask De Smith: é um ex-lutador que ainda usa sua mascará dos tempos de vale tudo. Usa dois lança-foguetes como arma e com sua força física, pode destruir objetos que bloqueiam o caminho.

Garcian Smith: é o único assassino que mantém contato direto com Harman Smith. Sua habilidade é muito importante, pois ele é o único capaz de reviver os assassinos que morrem no decorrer das partidas. Se Garcian morrer é game over na hora, mesmo que os demais assassinos estejam vivos. Garcian também possui uma visão mais sensível. Através dela os demais assassinos podem enxergar os Heaven Smiles, que a principio, são invisíveis. Cada uma das habilidades será igualmente usada ao longo de todo game, proporcionando variedade na aventura.



Sangue é dinheiro.

A parte de combate também segue os preceitos simples do resto do game. Ao ouvir uma gargalhada (o som característico dos Heaven Smile) o jogador aperta R1 para entrar no modo de mira. Pressionando L1 o jogador poderá escanear o ambiente para enxergar os Heaven Smiles, que são seres que lembram zumbis, explodindo caso encoste em seu alvo. Há duas maneiras de matar um Heaven Smile; pelo método comum ou ao acertando seus pontos fracos, que são pontos amarelos em lugares diversos no corpo dos zumbis. Quando você mata um inimigo atirando em seu ponto vital se acumula sangue, que é usado para recuperar a energia vital e criar um soro que permite aumentar as capacidades de cada matador, que vai desde sua resistência ao poder de seus ataques. É possível liberar contra-ataques, que são usados no momento em que um inimigo tentar agarrá-lo. 



Apesar de ser um simples mirar e atirar os combates são variados, com inimigos diversificados, tanto em comportamento, quanto em seu respectivo ponto fraco. Em alguns inimigos, basta acertar seu ponto amarelo, outros precisam ter suas defesas quebradas, e assim por diante. As batalhas contra chefes também usam da mesma criatividade, alguns com uma dificuldade bem elevada. Trata-se de estudar os seus movimentos e descobrir à hora certa de atacar, outros revelam seus pontos fracos em momentos exatos, exigindo toda a atenção e criatividade do jogador. Alguns têm uma solução tão óbvia que o jogador até se sente idiota por ter demorado tanto tempo pra descobrir. Quem tiver experiência em enfrentar chefões de jogos como Metal Gear Solid, vai saber como se comportar nos combates em Killer 7.

Parte técnica.

Abstrato: Seria está a palavra que melhor traduz a direção de arte de Killer 7. Os gráficos usam o estilo Cell Shading para criar um visual de desenho animado que se assemelha com as Graphic Novels americanas. Os personagens estão bem construídos e apresentam um bom detalhamento. Dá pra notar que cada membro do grupo trás algum traço marcante que nos arremete a Harman Smith. Os Heaven Smiles possuem um design muito pessoal, que mesmo sendo simplistas conseguem agradar devido a sua peculiaridade. Os cenários apresentam projetos simples e objetivos, como se quisesse mostrar somente o essencial, sem se preocupar muito com detalhes. Mas o resultado é satisfatório e bem interessante: Digamos que a mente do jogador consegue completar alguns elementos, como se a intenção da Grasshope fosse mesmo brincar com a imaginação do gamer.

Há efeitos como fogo e luzes, ainda que simples quando comparados com outras produções, mas parece que cada detalhe (ou falta deles) parece estar a serviço exclusivo da narrativa. No final fica um trabalho gráfico que soa abstrato e artístico, se destacando por ser apenas aquilo que o jogo necessita, sem se preocupar em bater de frente com outros games. As cenas não interativas têm ótima direção, mostrando cenas marcantes e bem fortes, algumas estão em formato de anime, geralmente usadas para representar os trechos do embate entra Japão e USA.


No entanto é necessário citar algumas diferenças entre as versões para Game Cube e PS2. Assim como Resident Evil 4, Killer 7 também foi projetado para ser um título exclusivo da Nintendo. Há alguns efeitos mais bem bolados no GC, como os de transparência, luzes e cores mais bem aplicadas, carregamentos mais curtos e menos slows na tela. No Playstation 2 há limitações nesses efeitos e, em muitos casos, isso prejudica demais o jogo. Também é possível notar um acabamento muito mais caprichado nos inimigos, com tamanhos e modelagens diferenciadas. Já o Playstation 2 segue com um design mais simples.   

A parte sonora em geral é composta de sons ambientes, como passos, tiros e as características risadas dos Heaven Smiles. Apesar de simples os sons fazem um ótimo trabalho para ajudar na imersão. A trilha sonora é bem discreta, mas as músicas possuem valor por serem um pouco grudentas. Todas trazem aquele clima de psicodelia proposto pelo jogo. O que realmente impressiona são as dublagens, todas muito bem elaboradas. Durante as partidas os espíritos falam de modo sussurrado e incompreensível, ainda que por vezes você consiga pescar umas palavras aqui e ali. Nas cenas não interativas as dublagens seguem um excelente padrão, que conseguem ter a qualidade melhorada graças aos diálogos bem construídos e enigmáticos. Os assassinos usam sempre a mesma frase repetida ao matar um Heaven Smile com um único tiro, não chega a ser um contra, mas às vezes soa um tanto ridículo.

Aprovado! J

Surreal e violento.



Há jogos no mercado que conseguem construir um mundo totalmente novo que se distancia da realidade: Killer 7 é um desses jogos. Não se trata de um simples jogo de ação com um enredo bem elaborado, mas sim de um universo detalhadamente novo, coisa que é até rara de se ver em um jogo do gênero (construir mundos com altos níveis de profundidade é algo mais comum em RPG`s). O modo como o enredo é conduzido é totalmente filosófico. Espere por conversas profundas e cheias de metáforas;. o game faz constante critica às guerras, tema representado pelo embate político, entre Japão e Estados Unidos. Mais intrigante que isso será o sindicato Killer 7, onde ao longo do jogo todo parece existir dentro de uma única pessoa. Além dos assassinos há outros personagens estranhos, como Samantha; governanta e empregada, que cuida do velho Harman, seja batendo nele ou fazendo sexo com o velho. 


Os encontros com algumas entidades tendem a ser perturbadores, como com Susie, que sempre encontramos a cabeça da jovem em algum lugar esquisito, como em uma gaveta ou numa máquina de lavar roupa. A violência de Killer 7 é alta, motivo pelo qual o game usa um design gráfico diferente. A todo momento há pessoas morrendo, cabeças explodindo, crânios vísceras a mostra e cenas sensuais. Os temas abordados são diversos; política, assassinato, reflexões sobre a guerra, doenças mentais e obscenidade. Os diálogos costumam trazer frequentes cunhos racistas e preconceituosos que cabem no contexto do enredo. Trata-se de uma trama ótima com um nível de profundidade incrível, reservando espaço para criticas sociais e reflexões.

Mecânica simples e intuitiva.

Este ponto é positivo dependendo muito de como cada jogador interpreta o jogo. Basicamente cada detalhe do jogo está em função do enredo, inclusive a jogabilidade tão diferente. Nos primeiros momentos é realmente estranho aceitar que você não tem liberdade de explorar os cenários como bem entender. Com o passar do tempo, vemos que essa aparente falta de liberdade não interfere em nada, e que há muitos cantos a serem explorados; e nesse caso, analisar detalhadamente cada canto da fase será de extrema necessidade para cumprir as missões do jogo. Na teoria os combates funcionam como um apontar e atirar, mas a pratica é bem mais profunda, pois cada inimigo tem diferentes pontos fracos, em alguns casos será necessário fazê-los revelar essa fraqueza, regra que vale para inimigos de fases e chefes.


O game também possui um nível respeitável de desafio. A primeira missão não chega a ser um tutorial (você pode pular essa etapa se quiser), mas serve para fazer o jogador se sentir confortável a mecânica de jogo. A partir da segunda missão os inimigos ficam mais variados e numerosos, com puzzles que passam a exigir mais do jogador. Cada assassino possui um tipo diferenciado de arma, o que significa, que enquanto um matador for mais efetivo contra um inimigo o outro será menos indicado: por exemplo, Mask Smith pode destruir vários inimigos com um só tiro, desde que eles estejam em uma boa distância; Kaede possui uma arma com uma mira telescópica, mas é preciso saber o momento certo para fazer a recarga de munição, pois Kaede demora a fazer a recarga de sua arma, além de ter uma barra vital muito pequena; já Kevin usa facas, o que não pede uma recarga de cartuchos, em compensação, não tem a mesma eficácia que uma pistola de fogo.


O sistema de melhorias de personagens também é de simples compreensão e não costuma a ser tão trabalhoso. É preciso atingir um inimigo em seu ponto fraco para acumular o sangue; feito isso, basta acessar qualquer Harman´s Room, um quarto com uma televisão, que está espalhado pelas fases, que permite o jogador fazer o soro que melhora os status de cada assassino, bem como também salvar seu jogo.
  
Reprovado L

Frequentes problemas na taxa de quadro.

Eu fico pensando na seguinte questão: Como um jogo que, aparentemente, não se mostra ser tão elevado consegue carregar tanto o hardware do Playstation 2 ? Sim, esse problema ocorre com bastante freqüência. Quase sempre a taxa de quadros cai quando matamos um inimigo de muito perto. No restaurante Fukishima, onde há um efeito de fogo constante, a taxa fica praticamente insuportável. Mas o momento mais frustrante fica nos momentos que se joga com Con Smith; basta suas duas pistolas aparecerem na tela disparando para... Sim, isso mesmo... Outro irritante Slown Down! Infelizmente, Killer 7 é daqueles títulos em que a taxa de quadros não passa batido, garantindo muitas dores de cabeça durante o jogo.


Em algumas ocasiões a queda da taxa de quadros deixa os controles irrespondíveis. Em algumas situações onde você deseja mudar de direção para ganhar distância de um heaven smile o comando simplesmente não responde, resultando na perca de energia desnecessária. Outro atraso freqüente que ocorre sem aviso é a falha na visão escaneada. Toda vez que você escutar uma gargalhada é sinal de que um inimigo se aproxima, mas ao tentar escanear a visão para localizar o zumbi, ele continua invisível, sendo muito comum casos onde você localiza-os quando estão a poucos centímetros de seu matador, sem dar direito a defesa.

Muitos loadings.

Eu nunca vi um jogo usar tantas telas de Loading igual Killer 7, e olha que temos Resident Evil: Outbreak, Final Fantasy XII e Castlevania: Curse of Darkness pra rivalizar nesse quesito. Praticamente tudo feito no jogo necessita de acesso aos dados do disco: a troca de uma tela para a outra, a mudança de assassino e a ida ao Harman´s Room, tudo mesmo. O pior disso é que alguns carregamentos chegam a durar até 15 aborrecidos segundos. Juntando aos problemas gráficos chega a espantar quem queira se divertir com Killer 7.

Conclusão.

Killer 7 é um daqueles títulos curiosos e interessantes, o qual não importa o quanto você leia e escute falar, só vai entendê-lo quando jogar. É um game envolvente, com uma trama digna de palmas, com um final que deixa aberta a várias opiniões e reflexões. Os comandos diferenciados criam uma mecânica original e carismática, mas que é mesmo direcionada aos fãs da ação e exploração guardados em devidas proporções. Tenho comigo que Killer 7 foi um jogo essencial para época, principalmente levando em conta que as formulas mais manjadas vinham sendo copiadas de forma tão inescrupulosa e repetitiva, ou então, seja mesmo um jogo a frente de seu tempo, feito para quem tem a cabeça aberta.


Na parte técnica o excelente trabalho de arte é manchado por inexplicáveis erros de programação no controle e quedas de taxa de quadros, juntos a constantes e demorados carregamentos de dados. Esses problemas parecem ser um bônus exclusivo da edição para Playstation 2. Se você souber apreciar a mecânica tão diferente e administrar esses irritantes problemas técnicos, vai descobrir em Killer 7 um game completo, equilibrando ação com exploração, puzzles e um enredo psicótico que promete surpreender o jogador.








Nota Final





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.


























   


5 comentários:

  1. meu comentario nao é sobre o jogo e sim sobre a pagina: a leitura é uma verdadeira tortura nesse fundo preto, parei de ler nas primeiras linhas.

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    1. Mas meu amigo... tem muita página e blog por ai que possui fundo preto e não é torturante ler, por que seria aqui?

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  2. Esse Killer 7 parece ser um jogo bem único, em termos de estilo, e parece ter tudo do que precisa pra ser marcante. Mas acho que não é tanto meu etilo, mais pela violência mesmo. Pena que ficar no Loading por tanto tempo é chato pra caramba. Prabéns por mais uma análise Lipe =D

    Lipe, você poderia colocar um sistema de comentários como o Disqus? Acho que ele fica bom pra haver comentários, edição neles e as respostas. Só uma sugestão mesmo ^^

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    1. Ai cara, como seria essa parada de Disqus? me adiciona lá no face pra falarmos melhor!

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  3. Bela análise!
    Há tempos procurava por uma crítica elaborada x)

    Meu jogo favorito.
    A eterna batalha entre o bem e o mal, talvez seja o centro de tudo.
    Suda conseguiu algo que acho difícil:conseguiu fazer com que todos os personagens tenham personalidade própria.Uma obra que foi ignorada.
    Uma pena.

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