segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Análise: Silent Hill




Surge uma nova séria de horror nos games




No final da década de 90 os jogadores já estavam bem acostumados com o gênero Horror/Survival, que foi popularizado graças aos excelentes games Alone in the Dark e Resident Evil. Com o sucesso que o gênero havia se tornado, foi comum que mais jogos do estilo surgissem, e uma fabricante que não ficou de fora da onda dos games do tipo “sobrevivência” foi a Konami.


Silent Hill chegou em 1999 e conseguiu se diferenciar de outros games do estilo. Enquanto séries como Resident Evil e Dino Crisis criavam situações de violência e susto, Silent Hill se focava mais em criar pânico e tensão no jogador. Com o tempo, as revistas especializadas diziam que Silent Hill era o pioneiro no estilo “terror psicológico”. Não existe termo melhor para definir Silent Hill, já que este é um dos jogos mais macabros feitos para o Playstation.

História

Sete anos atrás, Harry Mason e sua esposa encontraram um bebê numa estrada e a adotaram como se fosse sua filha, eles deram o nome de Cheryl à ela. Mesmo depois que sua esposa faleceu, Harry continuou a amar Cheryl como sua própria filha.


Quatro anos se passam desde a morte de sua esposa. Harry e Cheryl decidem sair de férias. Eles vão para um lugar chamado Silent Hill, uma pequena cidade localizada perto do Lago Toluca, nos Estados Unidos. Enquanto dirige, Harry se assusta com um vulto na estrada e bate o carro. As coisas começam a ficar estranhas depois que o homem acorda e descobre que sua filha desapareceu. Agora o rapaz deverá procurar por Cheryl, sem saber que está se aventurando em uma cidade nada hospitaleira. Silent Hill guarda segredos horrendos que Harry descobrira da pior maneira possível!

Prepara-se para muitas consultas no mapa

Como em todo bom jogo de horror/survival, Harry vai estar praticamente sozinho em uma cidade infestada de criaturas confusas e desfiguradas. O jogo todo se passa em várias localidades de Silent HIll, como escola, shoping, hospital e etc. Para achar esses locais o jogador precisará ficar um bom tempo rondando pelas ruas da cidade. O problema é que o lugar é dominado por uma névoa que impede que o jogador veja o cainho a sua frente.


Para guiá-lo em sua busca, Harry Mason terá a sua disposição uma excelente coleção de mapas, sendo necessário procurá-los sempre que acessar novas áreas da cidade. Nunca se viu um mapa funcionar de maneira tão útil como em Silent Hill. É muito comum ficar perdido ao longo da exploração dos ambientes, por isso pode-se consultar o mapa sempre que necessário. Nele ficará a mostra o nome de cada rua da cidade e sala de um determinado prédio. Caso você encontre uma sala que terá grande importância no futuro isso fica marcado no mapa, para que você saiba que terá de voltar nela depois. O mesmo acontece na cidade, o mapa sempre marca o próximo local que Mason deverá ir. A quantidade de detalhes contidos no mapa é impressionante!

Uma cidade, duas dimensões!


Como dito acima, Silent Hill não se foca em ser violento, mas sim em ser assustador, e o game é extremamente eficiente nisso. A temática gira em torno de acontecimentos sobrenaturais e demônios que habitam cada beco sombrio da cidade. Ao contrário dos jogos de H/S tradicionais, Silent Hill traz uma câmera em tempo real, ou seja, a visão acompanha os movimentos de Harry.


A característica mais marcante de Sillent Hill é que o jogo parece acontecer em duas cidades, quando na verdade só acontece em uma. Isso por que, em alguns momentos, Harry deve explorar outra dimensão da cidade, uma dimensão escura que também é chamada de “realidade alternativa”. Essa realidade é explicada de uma forma meio confusa, algumas vezes parece que há duas dimensões na cidade, em outras vezes parece que essa realidade não passa de alucinações de Harry (para saber o que realmente significa essa realidade, só jogando até fim). Independente da explicação, nessa dimensão demoniaca o jogo fica mais assustador e o ambiente mais pesado.  Não importa em que realidade Harry esteja, os ambientes são sempre bem tétricos.  Por vezes a cidade pode enganar. Jogadores de primeira viajem se assustam ao pensar ter visto um monstro em alguma sala e começar a atirar, e depois, ver que era apenas um fantasma vagando.

Labirintos e enigmas.

Silent Hill é um horror/survival que tem um enfoque modesto na ação, por isso existem poucos puzzles. No entanto estes momentos costumam exigir bastante do jogador, mais do que qualquer outro game do gênero. Trata-se de ler documentos meticulosamente e ter um olhar muito atento a qualquer detalhe, para assim, poder resolver os enigmas propostos pelo game. Existem itens e chaves que ficam cruelmente escondidos e objetos que podem parecer inúteis a primeira vista, mas depois se mostram muito preciosos em alguns momentos do game. Junto aos enigmas o jogador também encontrará ambientes que parecem labirintos. Algumas áreas podem ser bem amplas, com corredores cheios de portas e com salas que, a primeira vista, serão idênticas.


O game possui alguns combates, mas sem grandes empolgações. Há armas de fogo para serem usadas, mas os inimigos em sua maioria não causam dor de cabeça, podendo vencê-los com um pedaço de cano ou um cabo de madeira. Já nos chefes, o uso de armas mais poderosas se faz necessário, mas o esquema para vencê-los é sempre o mesmo; ficar longe e atirar. No final das contas, os combates passam a impressão de existir apenas para quebrar a rotina de explorar os ambientes.

Parte Técnica.

Silent Hill trouxe bons gráficos para o Playstation. Os ambientes escuros dão o clima certo para o game. O problema é que a escuridão, por vezes, acaba por atrapalhar um pouco, principalmente nas áreas externas, tornando o campo de visão de Harry muito limitado. Apesar do exagero na escuridão a ambientação de Silent Hill não poderia ser melhor, nenhum cenário se torna cansativo ou chato. Quando a cidade muda para a dimensão demoniaca os ambientes se tornam realmente medonhos. Destaque para o hospital, onde você pode ver camas quebradas, algumas delas trazem cintos largados pelo chão, lembrando camas de hospitais psiquiátricos. As paredes ficam com desenhos estranhos e sujas de sangue e os chão feito de ferro. Por todo o cenário fica um sentimento desolado, com aquela sensação de que algo muito ruim aconteceu em Silent Hill.


Os personagens também possuem desenhos bem legais, alguns com aparências bem estranhas, o que caiu como uma luva para o jogo de terror. Todos os monstros encontrados no game são muito bem feitos, mas faltou maior variedade de criaturas encontradas no jogo. Como a maioria dos jogos de Playstation, Silent Hill traz animações em CG que ajudam a contar o enredo obscuro da trama.

Os efeitos sonoros estão muito bons. O som do disparo das armas, dos monstros se aproximando; é que Harry possui um rádio que produz um ruído estático quando uma criatura está próxima. A trilha sonora também ajuda muito a aumentar o clima de terror e suspense de Silent Hill, mas as músicas são totalmente disformes e estranhas, muitas lembrando um ruído desconexo, que acaba criando um pânico maior no jogador.

Os controles seguem o padrão dos jogos do gênero. Uma coisa muito útil nos controles é poder fazer uma pequena mira automática nos inimigos, bastando manter o L2 pressionado enquanto Harry estiver segurando sua arma. Também sou obrigado a citar uma coisa que faz os controles de Silent Hill serem perfeitos. Algo que eu sempre detestei em Resident Evil foi o fato de não poder andar enquanto o personagem está com sua arma em punho! Em Silent Hill Harry pode andar e atirar ao mesmo tempo, caso um monstro comece a se aproximar de Harry enquanto o mesmo tenta detonar a criatura, o jogador pode evitar o ataque.

Silent Hill possui três níveis de dificuldade: Easy, normal ou hard. De fato, este não chega a ser um game de grande dificuldade. Os poucos puzzles exigem muita atenção do jogador. Os combates arrastados não apresentam um desafio significativo. O que realmente complica é explorar os quase labirintos nas áreas da cidade. Se perder pelo caminho é realmente fácil. Aqui neste jogo não há problemas de munições extremamente contadas, embora também não sejam tão abundantes.

Conclusão



Silent Hill é um game excelente que ganhou muitos fãs, conseguindo bater de frente com o clássico Resident Evil. Trata-se de um H/S diferente, por trazer boas doses de susto, alcançando um novo patamar em terror.  As sequências de Silent Hill surgiram nos anos seguintes para o Playstation 2, mantendo o nível de qualidade do game de estréia e alcançando tanto sucesso quanto o primeiro game da série. Contando ainda com quatro finais diferentes, Silent Hill é um game de longa vida útil.



Nota Final




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.















2 comentários:

  1. Se não jogar SH a noite, você não jogou SH. Eu não joguei .-.

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  2. ótimo post Lipe, eu nunca fiz todos os finais de SH, só o modo normal mesmo, o que não é o verdadeiro (aliás, qual é?) as diferenças entre RE e SH se notam no estilo de jogo, embora o primeiro se foque no esquema de terror físico, digamos assim, o segundo vem a ser mais psicológico, pois não se separa a realidade do sonho ou vice-versa, enquanto que em RE se enfrenta os mortos-vivos, em SH o inimigo é seu próprio sub-consciente, pois tudo remete ao que o personagem fez/faz durante o game. Tão bom quanto o primeiro foi o Origins, que aliás eu joguei no PSP.
    Abraço!

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