terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Análise: Devil May Cry



LET´S ROCK, BABY!





Devil May Cry foi o primeiro projeto de Resident Evil 4. Mas conforme o projeto evoluía a Capcom percebia que o enredo e a jogabilidade do game fugiam demais da proposta de Resdient Evil. Como o projeto apresentava qualidade, a equipe criou um novo protagonista e uma história diferente. A ação frenética já existia no passado, com jogos como Ninja Gaiden e Contra. Devil May Cry uniu essa mecânica com gráficos em terceira dimensão e uma jogabilidade leve e mais solta, fazendo o Hack in Slash renascer das cinzas. DMC é um título de peso na história do Playstation 2, sendo um dos primeiros exclusivos na jogoteca do console, em 2001. O foco de Devil May Cry é seu sistema de combate frenético, que apesar de excelente, apresenta muitos problemas, bem como a parte técnica mal aproveitada. Contudo, a jogabilidade e a diversão conseguem fazer o jogador simplesmente ignorar as falhas do título. 
Enredo.

Dante é um caçador de demônios que possui uma firma de casos sobrenaturais chamada Devil May Cry. O seu pai é Sparda, um poderoso demônio que se apaixona por uma humana chamada Eva, que o faz se rebelar contra sua raça e prender muitos demônios no Demon World; motivo pelo qual Sparda e Eva são mortos. No cenário atual Dante passa por problemas financeiros. Numa noite, uma misteriosa mulher chamada Trish surge perguntando pelo filho de Sparda. Após atacar Dante violentamente, Trish comprova que de fato ele é quem ela procura. Trish da ao caçador um trabalho na ilha Mallet, onde um demônio chamado Mundus pretende se libertar da Demon World, onde todos os demônios aprisionados por Sparda estão.

Fazendo demônios chorar.


Devil May Cry faz uma boa adaptação do estilo survival/horror com altas doses de ação. O foco do game está em combates frenéticos contra hordas de demônios que atacam de todos os lados. Para derrotá-los, Dantes conta com uma poderosa espada e um par de pistolas, que permitem o herói desferir combos cheios de estilo. No decorrer do jogo novas armas são adquiridas. A campanha se desenvolve através de 23 missões, onde objetivos específicos devem ser alcançados dentro da mansão. Apesar de se focar em combates rápidos o jogo também abre espaço para a exploração e coleta de itens. 

O castelo da ilha não é exatamente grande, mas possui um tamanho considerável para fazer o jogador olhar cada canto minuciosamente em busca de segredos. As puzzles são bem simples, nada além de buscar um item aqui e usar ali, mas acabam sendo gratificantes, pois conseguem quebrar um pouco a rotina de fatiar demônios. A terceira vertente do jogo é a de RPG; Dante pode melhorar suas armas e liberar novas combinações de golpes. Essa melhoria acontece por meio de orbs vermelhos coletados ao derrotar os inimigos.

Parte Técnica.

Tecnicamente falando Devil May Cry não surpreende, apesar de possuir um bom trabalho artístico. O game é ambientado em um castelo numa ilha distante. O clima é bem “dark”, com salas bem estruturadas e cores frias, que passam aquele sentimento de desolação e tensão ao jogador. No entanto não há um jogo de iluminação decente, as luzes parecem ser apenas parte da textura. Alias, as texturas também não apresentam detalhes impressionantes, algumas até parecem um tanto fora de foco e borradas. Os efeitos de tela nos combates ajudam a camuflar essa simplicidade. Há um notável peso na maneira com que Dante usa sua espada. As sequências de golpes são brutais e gratificantes, bem como o sangue que escorre dos inimigos.  


Os personagens apresentam um mínimo esforço para serem bem modelados, mas também carecem de detalhes. Dante, no entanto, parece ser o mais bem arrumadinho, com animações estilosas e bem aplicadas. Os inimigos são simples demais, a maioria são bonecos de marionetes, mas sem muitos detalhes. Mas alguns chefes surpreendem, como Argor, a infernal aranha que tem um tamanho considerável. No final, os gráficos de Devil May Cry ficam parecendo ser de um jogo de Playstation 1 com uma melhora mínima. Vale lembrar que, mesmo assim, os gráficos de Devil May Cry ajudaram os jogadores a decidir pela compra no Playstation 2 na época.

A parte sonora, por outro lado se destaca. Os efeitos completam o peso dos combates. Sons de espadas, tiros, magias e gritos demoníacos pontuam de maneira gratificante as cenas na tela. A trilha sonora surge somente nos momentos de combate, mas são excelentes. As canções são um misto de batidas eletrônicas com um rock pesado muito bem trabalhado. A trilha sonora casa perfeitamente com o estilo do game e com a personalidade de Dante.



Aprovado J

Combates alucinantes.

Para quem gosta de ação desenfreada, Devil May Cry é um prato cheio. Os combates farão parte de 70% da aventura. Os controles do game proporcionam uma movimentação muito leve e fluida de Dante. Durante as batalhas o protagonista dispõem de um excelente arsenal, tanto de armas de fogo quanto as de contato corpo a corpo. As principais armas serão a Ebony e Evory, nome dado ao seu par de pistolas, e a Alastor, uma poderosa espada que o permite se transformar em um demônio que pode voar e soltar raios. Conforme avança no game, Dante poderá adquirir novas armas, como as luvas de fogo Ifrit, lança granadas, espingardas e até uma arma que dispara raios demoníacos. Quando possuir a Alastor o jogador poderá ativar o Devil Trigger, uma forma demoníaca que deixará Dante mais habilidoso, aumentando consideravelmente o poder de seus golpes. Mas usar essa habilidade consome a barra de Devil Trigger, sendo aconselhado usar essa habilidade apenas em casos extremos.


Como os inimigos atacam por todos os lados, Dante conta com uma excelente sequência de golpes, sendo possível também ligar golpes de espadas com disparos das armas fogo, que por sinal, possuem munição infinita. Enquanto estiver brutalizando seus inimigos será exibido ao canto da tela um ranking de pontuação, que aumenta à medida que o jogador emendar combos mais poderosos. Com os inimigos aparecendo em grande número, é possível fazer longas e alucinantes sequências de golpes. Ao final de cada missão será  avaliado o desempenho do jogador, conferindo orbs vermelhos como premiação. Serão levados em conta os golpes e combos utilizados, o tempo que levou para terminar a fase, se gastou vidas ou itens de cura, e por ai vai.
  
Sistema de melhorias.








Quanto mais combates travar, mais orbs vermelhos Dante irá coletar. Esses itens podem ser usados para habilitar novos combos, que serão de grande ajuda mais para frente do game. Antes de iniciar uma nova missão o jogador poderá acessar uma tela onde serão comprados os novos golpes e também itens que recuperam a barra de energia de Dante, a barra do Devil Trigger e também vidas extras. Como todos os itens costumam ser bem caros, é necessário gastar um bom tempo em combates, a fim de acumular mais orbs vermelhos.  Todas as armas de Dante podem ser melhoradas. Todo combo pode ser ligado a sua arma de fogo equipada, o que aumenta a possibilidade de golpes. Como os combates são muito rápidos e difíceis, é necessário ter um bom número de sequências a disposição. 

Hardcore.

Esse pode ser um ponto contra ou a favor, dependendo muito de cada pessoa. Devil May Cry é daqueles jogos que farão o jogador suar frio do inicio ao fim, pois sua dificuldade é extrema. Os combates, em geral, são bem trabalhosos, mesmo contra inimigos mais fracos. O uso dos combos deve ser planejado, pois um golpe errado pode resultar em uma série de contra-ataques de uma vez, que causam danos grandes ao HP do heroi. O jogo não faz questão de ser amigável com os casuais, pois os combos mais poderosos pedem uma habilidade calculista do jogador. Não ter paciência para golpes mais bem elaborados é um verdadeiro problema, pois tentar matar os chefes com sequências mais simples é suicídio.



Conforme dito anteriormente, o jogo se divide por 23 missões, que em geral não são muito longas. O jogo só armazena o avanço do jogador ao final de cada fase (somente as melhorias e itens adquiridos são salvos quando o jogador quiser). Imagine a irritação que é morrer em um chefão e descobrir que terá de cumprir a missão novamente? É de enlouquecer! As vidas ajudam a amenizar esse problema, mas elas são bem carinhas, e se tornam ainda mais caras a cada nova vida comprada.

Devil May Cry é feito para os jogadores que gostam de desafios. O game em si tem duração mínima de 8 a 10 horas. Mas as fases são difíceis e quase sempre será necessário repeti-las, o que da a impressão de um jogo bem mais longo. Para não afugentar os menos habilidosos é possível acionar o nível Easy. Mas convenhamos, o jogo é bem mais divertido no modo “normal”.

Reprovado L

Controles mal programados.

Os combates são incríveis e divertidos, mas alguns deslizes dos controles colocam tudo a perder. Durante minhas seções de jogatina pude perceber que é muito comum Dante atacar para uma direção que não queremos. Várias vezes me irritei com o fato de um inimigo está bem próximo do personagem, em vez de atacar o que estava mais perto, ele simplesmente lançou um golpes de espada contra um monstro que estava muito mais distante. Essas situações são muito comuns em boa parte do game.


A esquiva também parece ter vontade própria, pois costuma fazer Dante avançar para direções que não queremos, seja por má programação dos controles ou pelas mudanças de câmera mesmo. O fato é que esses erros chatos de programação acabam deixando o jogo mais difícil do que naturalmente já é, causando muita irritação ao jogador.

Câmeras.

Devil May Cry é um filhote de Resident Evil, e o clássico problema com as câmeras do game não negam a genética do título. As tomadas dramáticas e distantes estão presentes em todo o game. Mas em vez de ajudar a manter um clima de tensão, as câmeras apenas desorientam o jogador durante a exploração e bloqueiam a visão de Dante em alguns momentos. Sério, quem disse pra Capcom que essa câmera desgraçada ajudaria a manter um clima de tensão em um Hack in Slash?



Conclusão.

Os fãs de God of War que me perdoem, mas esse aqui sim é o pai do atual Hack in Slash! Nem mesmo suas falhas e gráficos mal aproveitados fizeram de Devil May Cry um fracasso. A ação bem fluida, unida a combates com boas possibilidades, fazem de Devil May Cry um game memorável. Sua dificuldade altíssima convida os Hardcores a viver uma experiência única no Playstation 2.

Era óbvio que tanto sucesso daria origem a uma série lucrativa, tendo mais dois games lançados para o Playstation 2. A partir do terceiro game, a série deixou de ser exclusiva da Sony, tendo episódios lançados no X-Box 360 e PC, e uma edição HD Collection. Se tem algo que podemos dizer é: Valeu, Capcom! Você nos deu um jogo excelente, digno de aplausos. Um jogo obrigatório na sua prateleira.





Nota Final






Análise Escrita por: Lipe Vasconcelos.










      





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