terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Análise: Sonic - Unleashed.





METADE OURIÇO, METADE LOBISOMEM! 





Quando o ouriço azul surgiu no portátil GBA, em 2002, muitos acharam que a franquia Sonic afundaria de vez. Mas a Sega conseguiu manter o nível no título Sonic Advance, entregando uma jogabilidade bem inspirada e moldada no passado de sua mascote. No entanto, a série não obteve o mesmo sucesso nas edições seguintes (principalmente no universo 3D), culminando no lançamento do horrível Sonic Heroes: Sem favor algum o pior título da série. Para tentar repetir o sucesso de Sonic Adventure (Dreamcast) a Sega investiu pesado em Sonic Unleashed, que segundo os fãs mais xiitas, só fez matar de vez a fama do herói. A análise a seguir foi escrita baseada na edição lançada para o Playstation 2.


Apesar das duras criticas, Sonic Unleashed passa longe de ser um jogo descartável, ou mesmo medíocre. Com um pouco mais de empenho, com certeza, teria sido um game memorável. Seu problema, na verdade, é uma questão de opinião, onde jogadores mais antigos vão encontrar dificuldade em aceitar um elemento que soa forçado demais dentro da proposta que o título possui. A primeira regra para conseguir se divertir com Sonic Unleashed é esquecer as comparações da Sega com a trilogia do Mega Drive. Sim, este é um jogo novo e diferente, mas que tem condições de divertir e agradar a todos! 

Enredo.






Tudo começa quando Sonic e Eggman estão em mais um embate na base espacial do vilão, com Sonic utilizando as Esmeraldas do Chaos para derrotar o cientista. Prevendo mais um fracasso, o vilão começa a implorar por piedade. No entanto, o arrependimento não passava de uma tática para prender Sonic em uma armadilha. Usando o poder das Esmeraldas, Eggman dispara um raio no planeta e acorda um poder antigo chamado de Dark Gaia. Durante o processo, Sonic muda inexplicavelmente para a forma de um lobisomem.  Ao cair em terra, Sonic encontra uma criatura desmemoriada, o qual dá o nome de Chip. Agora o planeta está se desfazendo, com os continentes se destruindo e se separando. O poder de Dark Gaia se espalhou pelo mundo todo, formando criaturas assustadoras e poderosas. Sonic, então, parte numa viajem pelo mundo para resolver essa nova bronca, enquanto deve aprender a lidar com sua nova forma.

Dois Sonics, duas mecânicas.



Sonic Unleashed conserva duas jogabilidades distintas, que variam de acordo com a forma que o ouriço assume. O game se desenvolve em um misto de aventura e ação, com trechos forçados de RPG. Sonic e Chip devem viajar através de vários continentes, buscando os templos Gaia e revitalizando o poder das Esmeraldas do Chaos, necessário para restaurar o planeta.

As fases diurnas são protagonizadas pelo velho Sonic, mantendo a jogabilidade veloz e clássica que deu fama ao herói. Ao cair da noite, Sonic assume a forma de Wherehog, transformando Sonic Unleashed num game de combate ao estilo God of War. No entanto, a aventura não assume um tom obscuro, mas o enfoque na ação foi uma mudança drástica na série, principalmente quando lembramos das promessas da Sega de trazer um jogo fincado na era de ouro do personagem.

A parte de RPG fica por conta das viagens e visitas que a dupla faz nos continentes. Esses momentos consistem no aponte e clique nos cenários, algo bem básico e mal feito. Mas essas partes são essenciais, já que para acessar o templo de cada continente é necessário achar itens específicos com os moradores locais.     

Parte técnica.

Apesar de bem modelado e bem arrumado, o quesito gráfico de Sonic Unleashed não impressiona. Os cenários até apresentam projetos interessantes, mas faltaram mais detalhes e mais vida nos ambientes. Este problema consegue passar batido nas velozes fases do Old Sonic, que acontecem numa velocidade frenética. Já nas etapas do Wherehog a falta de detalhes é gritante, e o tom escuro das fases não melhora em nada a situação.

O design dos personagens é interessante, mas não houve capricho nas animações. Outro ponto questionável está na falta de variedade dos inimigos. Nas fases do dia, Sonic sempre irá enfrentar os mesmo robôs. Mais uma vez, o ritmo acelerado camufla essa parte. Já o lobisomem deve arrebentar as mesmas criaturas Gaia sem inspiração ao longo da noite. Os efeitos visuais são bem satisfatórios, principalmente nos combates de Wherehog. As fases diurnas também possuem brilho neste quesito, pois a sensação de velocidade é empolgante. O game tem excelentes cenas não interativas, não possuem a qualidade de um Final Fantasy XII, mas a simplicidade acaba caindo bem ao estilo do game.


A parte sonora merece destaque. Cada efeito presente no game foi retirado dos clássicos jogos do Mega Drive, como o som dos robôs sendo acertados e das argolas coletadas. Neste momento a nostalgia domina. A trilha sonora deixa de lado as canções da era de ouro e aposta em novas composições, mas todas muito inspiradas e com aquela “cara de Sonic” que os velhos fãs deverão reconhecer de cara. No entanto, alguns temas merecem destaque. Praticamente todas as músicas das fases diurnas são marcantes e empolgantes. O combate contra a forma final de Dark Gaia, e também tema do Super Sonic, é simplesmente fantástica. A mesma música é tocada nos créditos finais do game, mas com um arranjo diferente e com letra cantada. O game conta com dublagens singelas, nada que seja de ponta, mas produzem o efeito esperado na narrativa.

PS: Para quem gosta de baixar canções de games pra escutar (isso é tão eu) o nome do tema de encerramento do game é Endless Possibility.

Aprovado! J

Jogabilidade variada.

Você pode não gostar da jogabilidade de Sonic Unleashed, mas nunca vai poder dizer que se trata de um jogo repetitivo. O game tem duas mecânicas bem distintas: A primeira, e mais adorada por parte do publico, são as fases diurnas, onde jogamos com o bom e velho Sonic. Nessas fases prevalece a jogabilidade clássica e veloz. Sonic pode acumular argolas para ganhar energia vital e usá-las para executar seu Dash. A câmera geralmente fica por trás do herói, mas há divertidos momentos onde a visão fica horizontal, igual aos jogos clássicos da série. Acredito que se o game fosse 100% nessa perspectiva seria mais saudável para a produção.



As fases diurnas geralmente são mais variadas em objetivos. Em alguns atos o jogador deve simplesmente atravessar um trajeto, detonando inimigos, coletando moedas e pulando por obstáculos, sempre em velocidade frenética. Ao fim de cada fase Sonic adquire uma moeda lunar. Algumas fases são necessárias repetir, pois há mais de um objetivo há cumprir e mais moedas a coletar. Nessas visitas extras o foco será desviar obstáculos e quebrar recordes de velocidade, não dando muito ênfase aos combates. Também é verdade que muitas vezes nos perdemos na tela, dada a velocidade das ações, mas a sensação é definitivamente prazerosa. Há partes onde o jogador deve apertar os botões no momento certo, o clássico mini-game de contexto, ganhando acesso a pontos extras do cenário quando a sequência é feita da maneira certa.

As fases noturnas são protagonizadas pelo Wherehog, e aqui o game se transforma em aventura com cara de Hack in Slash. A forma de lobisomem não é veloz, mas compensa com uma mega força e golpes poderosos. Wherehog também pode usar seus longos braços para alcançar lugares mais altos e escalar. Há quebra cabeças simples e sem inspiração; coisas como carregar uma caixa até um botão, abrir uma porta com uma alavanca ou encontrar três insígnias para desbloquear uma passagem. Mesmo que simples, esses puzzles conseguem quebrar a rotina de descer o cacete em monstros Gaia e garante um equilíbrio decente a aventura.



Os combates dão o tom do estilo Hack in Slash em Sonic Unleashed. Wherehog pode usar suas garras para desferir golpes furiosos em seus adversários. Também é possível arremessar caixas contra os inimigos ou agarrar adversários e detoná-los no chão. Ao fim de cada fase Wherehog conquista as moedas solares e pontos de experiência que desbloqueiam novos golpes e habilidade. As lutas tendem a ser fáceis, pois o game não faz esforço pra ser trabalhoso. Por vezes fica claro que as fases diurnas são mais desafiadoras que os combates enfrentados pelo lobisomem. No entanto, o jogo aumenta o nível de dificuldade de forma considerável no ultimo continente. Os movimentos precisam ser bem calculados e um simples erro resulta na perda de uma vida: Sim, Sonic Unleashed ainda trabalha com as saudosas vidas, e até com continues.   


Diversão para os caçadores de extras.

Aqui temos um título de extras regulares. Tratam-se de artes conceituais, músicas, vídeos e informações secretas para desbloquear no menu principal. Para visualizar esses extras é necessário vasculhar as fases em busca de telas com interrogações. Os templos Gaia de cada continente possuem portas lacradas, para abri-las, Sonic deve coletar as moedas lunares e solares nas fases. Dentro dessas portas há câmaras com itens desbloqueáveis.



Se fosse apenas pelo conteúdo extra em si, talvez fosse preferível ignorar as moedas! Eu pelo menos, nunca gostei de imagens e vídeos como conteúdo bônus. Mas em algumas fases é bem divertido retornar, principalmente nas fases diurnas, onde há objetivos bem diversificados. Pelo menos essas buscas cobrem a falta da caça das Esmeraldas do Chaos, que são dadas ao herói ao derrotar o chefe de cada continente!

Reprovado L

Momentos de exploração.

Na tentativa de recriar aqueles momentos de exploração e RPG presentes em Sonic Adventure, o game enfia na goela do jogador chatos trechos de explorar o povoado do continente. Você simplesmente tem a tela do povoado e seleciona para onde quer ir, igual a um menu de opções. São momentos rápidos, é verdade! Mas quebram o clima e são totalmente dispensáveis... Ou quase dispensáveis, já que não é possível avançar no game sem cumprir estes momentos de “exploração”. Isso por que será através dos templos que o jogador terá acessos às fases do jogo. Conseguir encontrar a entrada do templo, ou a chave que abre a porta para as fases, depende das conversas com os moradores. Se queriam adicionar um elemento assim no game que realmente fizessem algo que preste!

Controles problemáticos.

Em ambas mecânicas há sérios problemas com os controles. Nas fases diurnas é muito comum perdemos o controle sobre Sonic quando ele está muito veloz. É muito freqüente cair em um buraco quando passamos por passagens estreitas. 

Já nos níveis noturnos os comandos apresentam demora na resposta em algumas ocasiões. Usar os braços longos do Wherehog pode ser uma dor de cabeça, quase sempre causando uma morte chata, simplesmente por que o comando não responde na hora que devia. Seu pulo duplo também costuma falhar bastante.

Muitas pausas para salvar.

Jak And Daxter, Psychonauts e Matrix: Path of Neo, são games felizes, pois possuem excelentes sistemas de auto saves que deixa o jogador despreocupado com o seu progresso salvo. Sonic Unleashed também é assim, mas a diferença dele pros games citados acima é que aqui o jogo tem grande necessidade em parar cada vez que precisa salvar seus dados.  

No inicio do game há um tutorial básico para ensinar os principais movimentos de Sonic, mas as fases são extremamente curtas e você precisa ter nervos de aço para ver a tela de save a cada nova etapa concluída. Nem preciso explicar que isso quebra a dinâmica do game a toda hora, né?

Conclusão.

Polêmico e duramente criticado, Sonic Unleashed é encarado como mais uma tentativa fracassada da Sega ao reviver a glória de sua querida mascote. Talvez o maior erro da Sega foi prometer um jogo fincado nos anos 90, o resultado foi o descontentamento e desprezo, principalmente dos fãs mais antigos da franquia. 


Uma vez que você tente não comparar este game com o passado glorioso de Sonic, com certeza vai passar bons momentos ao lado de Sonic Unleashed. É um game de aventura bem divertido, com uma campanha mínima de 8 horas. Se você não tiver preconceitos com a nova cara de Sonic, com certeza vai se divertir a valer com este novo e curioso episódio da série!



Nota Final





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.














4 comentários:

  1. Sonic Unleashed sofreu pelos fãs que são do tipo:
    Ah, a SEGA não traz novidade com Sonic só o mesmo
    Ah, a Sega inventou algo diferente, queremos o mesmo.

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  2. Olá!!! Bem eu e minha equip da 2G fizemos um "APP" e estavamos vendo se vocês podiam nos ajudar divulgando no blog de vocês caso aceitem ficarei grato.

    http://2ggames.blogspot.com.br/2013/01/nosso-primeiro-apicativo.html

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  3. Estava passeando pelos Blogs parceiros (poh Lipe cê ainda não ADD meu banner ?) e achei sua analise de Unleashed. Bem, confesso que esse Unleashed pra mim foi uma obra prima (assim como Sonic Heroes, sabe, eu tinha meu Mega antes do PS2 e esse Heroes foi um puta jogo do Sonic, que é meu mascote gamer preferido). O fato de eu ter um Sonic 3 em 3D (nao que ele seja UM Sonic 3, apenas exemplificando o melhor Sonic e o último que joguei no Mega) que havia saido no PS3 e no X360 me deixou bem animado. Porém...esse maldito Wherehog estragava TUDO! Bem, bela analise. Vou passear pelo teu blog, curto muito seus textos :D

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    1. Opa... não sabia que havia uma parceria proposta entre nossos blogs rsrsrs... enfim, seu banner está ai ao lado... e obrigado pelo elogio ao blog, também curti muito o seu!

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