terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Análise: Metal Gear Solid 3 - Snake Eater











Qual o problema? Você não gosta de cobras?






Lançado em 2004, Metal Gear Solid 3 – Snake Eater é sem dúvida o melhor game da franquia. Foi um dos jogos que mais levou o Playstation 2 ao máximo de sua capacidade, com gráficos soberbos, trilha sonora excepcional e uma trama que não deixa devendo a nenhum filme de Hollywood. Apesar de ser o terceiro jogo da série, Snake Eater funciona como um prólogo a todos os eventos da saga, levando os jogadores para o passado dos principais eventos da série, com um Snake bem diferente: O Snake que mais tarde se tornaria o Big Boss. Pena que ao revisitar esse passado, a Kojima Productions acaba criando uma série de incoerências com fatos mostrados em outros jogos da série.

Apesar de ser um sucesso, Snake Eater chocou os fãs ao deixar de lado muitos dos elementos clássicos da franquia, influenciando bastante na jogabilidade final. O game chegou a causar controvérsias por conta dessas mudanças. Contudo, Snake Eater foi muito bem recebido pelo publico e critica! Sendo um jogo essencial para qualquer fã da série e fãs de jogos de espionagem.

Enredo.

O ano é 1964, O período em que a humanidade vivia o auge da guerra fria entre Estados Unidos e Rússia. Em meio a esse cenário um ex-agente da Cia e das Forças Especiais dos Estados Unidos é enviado para uma floresta soviética. Seu codenome é Naked Snake. Orientado pelo Major Zero e por sua mentora, The Boss, a missão de Snake é resgatar um cientista soviético chamado Sokolov, que estaria desenvolvendo um tanque nuclear chamado de Shagohod. Mas ao cumprir sua missão, Snake descobre que The Boss é uma traidora, e que tudo não passava de um plano para entregar dois mísseis nucleares e o próprio Sokolov para um homem chamado Volgin, que queria ter o Shagohod em seu poder e por fim a guerra a fria; agindo pelas costas do presidente russo, é claro!


Unida com sua fiel Unidade Cobra, The Boss enfrenta Snake e o derrota facilmente. Após ser ferido em combate o espião presencia Volgin disparar um míssil contra a floresta, a fim de mostrar ao presidente russo o poder que tem em mãos. Passada uma semana após o ocorrido, o presidente russo entra em contato com o governo americano, dizendo que detectou uma aeronave americana em seu espaço aéreo antes do míssil ser disparado. The Boss é cidadã americana, por tanto, principal responsável pelo ataque ao seu país. Para evitar um conflito maior entre essas duas nações, Snake é enviado novamente para a floresta soviética, com a missão de resgatar Sokolov, destruir o Shagohod e eliminar The Boss, numa operação nomeada Snake Eater.

O lance é sobreviver.

O maior brilho de Snake Eater está na sua jogabilidade, que casa de modo magistral com a ambientação tropical da aventura. Ao invés de uma base no Alasca, um navio ou uma plataforma de tratamento, Snake vai se aventurar na selva russa. Neste cenário parte das velhas táticas de infiltração se tornam inúteis, pois não há corredores para se esconder. O maior impacto na mecânica está na ausência do radar Solition, que era de grande ajuda para observar a posição dos inimigos durante a infiltração do protagonista. O uso da visão em primeira pessoa se torna mais ativo e a velha visão câmera do jogo, que antes era tão boa, agora não ajuda em nada.


Além de se esconder em cantos estratégicos, Snake usa um funcional sistema de camuflagem. Escolhendo as roupas certas e a pintura facial adequada o espião se mescla com o ambiente, ajudando na hora de avançar sem ser notado. O agente pode se esconder em troncos de arvores, atrás de pedras, em cavernas; assim como também pode se camuflar entre pedras, lagos raso e vegetações presentes no cenário. Esse sistema de camuflagem enriquece a experiência e deixa o jogo mais desafiador. Existem inúmeras possibilidades de camuflagem e fuga. Os guardas estão mais atentos que nunca. Qualquer galho quebrando ou som de folha seca amassando é suficiente para deixá-los em alerta. O novo sistema também permite maiores possibilidades de fuga, algo que era quase impossível em MGS2.


A segunda novidade do game é a tela de sobrevivência. No decorrer de sua missão Snake vai ser baleado, sofrer cortes, queimaduras, quebrar perna... Enfim, muitos danos que impedem que a energia do herói se recupere. Nesses casos, basta acessar a tela de sobrevivência para realizar pequenos procedimentos médicos. Uma vez que os danos tenham sido devidamente cuidados, a barra de energia se recupera sozinha. Além da barra energia há outra que merece atenção: a barra de Stalmina. Nesta mede-se a resistência de Snake, que se esvazia conforme o espião se cansa, até ficar com fome. Ações como andar mais devagar, ficar na água e carregar muitos itens na mochila consomem a barra de Stalmina mais rápido. Você pode recuperá-la ao se alimentar, o que é recomendável, pois enquanto estiver com fome Snake terá dificuldades para mirar. O ronco de seu estômago também chamará atenção de inimigos. Além de rações de emergência (que não funcionam como as rações dos jogos passados) Snake também pode caçar sua comida, matando animais na selva ou prendendo-os em jaulas para comer depois (Snake gosta de comer animais ainda vivos). As novidades são interessantes e acrescentam valor ao game, mas os menos pacientes podem desistir do game já de cara enquanto tentam se adaptar ao estilo renovado da mecânica.

Combate discreto.

Os fãs mais antigos de MGS sabem que a ação furtiva toma o lugar do combate mais aberto, e em Snake Eater não é diferente. O foco aqui é avançar pelos ambientes sem chamar atenção. Caso algum inimigo perceba a presença “do cobra” começará uma contagem indicando que o espião está sendo procurado, sendo necessário se esconder. Nesse período os inimigos vão surgir o tempo todo, até que Snake seja definitivamente abatido. O sistema é bem exigente, e na maioria das situações, será preciso ser muito paciente. Há momentos onde o uso da força é necessário, principalmente contra os chefes.


Há uma boa variedade de armas a disposição, desde pistolas a rifles com mira de longo alcance. Os confrontos também contam com o uso da técnica CQC (que não tem nada a ver com o programa da Band... Tabom, a piada foi sem graça rs), que são técnicas de combates corporais desenvolvidas por Snake e The Boss. Dominando bem o CQC é possível agarrar inimigos de surpresa e derrubá-los. Também é possível usar seus oponentes como escudo, espancá-los, interrogá-los e cortar-lhes a garganta. Essas habilidades são uteis nos momentos de ação furtiva e nos combates diretos. Prepare-se também para lutas incríveis com chefes (que estão mais originais que as de Sons of Liberty). Cada confronto foi projetado para ser épico, pois essa é a sensação que cada luta passa ao jogador. Qualquer detalhe a mais estraga a surpresa que o aguarda em cada confronto.

Parte Técnica.

O visual gráfico de Snake Eater está entre os melhores vistos no Playstation 2. O projeto dos cenários é de alta complexidade e detalhamento, mostrando o esforço enorme da Konami para que cada floresta presente no jogo seja diferente da outra. Você nota isso ao examinar os diferentes tipos de vegetação em cada área do game. Cada folha presente no ambiente reage à ação da chuva, do vento e dos movimentos de animais ou até do próprio Snake. Os detalhes impressionam e a verossimilhança é alta. Mas não há só florestas no jogo. Snake se aventura em montanhas, cavernas escuras e as já conhecidas instalações militares, mas o destaque fica mesmo em ambientes abertos, que não poupam detalhes minuciosos. 



As cenas não interativas apresentam uma qualidade soberba, com aquele estilo de cinema que só Hideo Kojima é capaz de produzir. Os personagens também estão bem estruturados e animados. Nas cenas não interativas há riqueza de expressões faciais e movimentos bem trabalhados, dignos de uma animação de cinema e cada personagem possui características próprias. Tanta riqueza gráfica prejudica a taxa de quadros, que não roda com a mesma leveza que os games anteriores, mas é um preço justo a pagar por um trabalho tão magnífico.



Na parte sonora também prevalece à qualidade. Os efeitos sonoros foram cruciais para completar o ambiente construído nos gráficos. O resultado não poderia ter sido melhor. Há sons da natureza em cada canto dos cenários: grilos, pássaros cantando, cobras rastejando, água correndo riacho abaixo, passos distantes de inimigos, tiros e explosões, está tudo perfeito e bem cristalino. A trilha sonora surge nos momentos de ação, com trilhas bem compostas e arranjos dignos de produções de Hollywood. A música ajuda a construir o clima nas cenas não interativas, com temas tensos, tristes, frenéticos e até românticos. A canção tema de abertura é cantada por Cynthia Harrel, a mesma interprete do polêmico tema de encerramento de Castlevania – Symphony of the Night. A diferença é que a canção de Snake Eater combina perfeitamente com o clima de espionagem e ação que o jogo possui, o arranjo até nos lembra honrosamente dos temas dos filmes do 007.

Na parte da dublagem tudo anda muito bem, obrigado. As vozes são simplesmente fantásticas, cada uma expressa com clareza à personalidade de cada personagem: O tom debochado e irônico de Ocelot, o estilo frio e maligno de Volgin e a imponente voz de The Boss. Mas o destaque vai mesmo para o veterano David Hayte, que teve um grande desafio em dublar Naked Snake, sem que ele soasse com o Solid Snake, resultando num estilo mais cafajeste e arrogante, caindo muito bem no personagem.

Aprovado.

Variado e divertido.

É verdade que demora um pouco a se acostumar com a mecânica de Snake Eater. Comparado com os demais games da série, em MGS3 é preciso de pelo menos 2 a 3 horas de jogo até se adaptar as novidades. Mas após esse período o jogo começa a mostrar seu valor. Não se trata apenas de um simples título de espionagem. Tudo parece estar em função de ser o mais épico possível, com um inicio chato, um meio interessante e um desfecho que se assemelha com o clímax de um filme. O jogo tenta variar em seus objetivos, sempre propondo desafios novos, como se disfarçar de cientista dentro de uma base, sobreviver a torturas e indo atrás de itens chave, ficando claro que algumas situações são recicladas dos dois irmãos mais velhos (mas não deixam de ser momentos inspirados).  


Os momentos de combate geralmente acontecem em situações determinados pelo enredo, o que pode irritar aos jogadores que preferem resolver as coisas na base do tiro desenfreado. Mas o que não falta é criatividade para vencer cada etapa do game, já que sempre há diferentes maneiras de atravessar determinados locais. A IA dos inimigos contribui para deixar a experiência mais charmosa, divertindo o jogador ao testar as diferentes reações em cada ação. No jogo anterior os inimigos costumavam ser implacáveis ao extremo, cercando o jogador e não dando muitas chances de fuga. Em Snake Eater eles continuam furiosos, mas em campo aberto é muito mais fácil despistar os guardas graças à funcional camuflagem. Os combates contra chefes em Sons of Liberty eram divertidos, mas não chegavam ao nível do primeiro jogo. Já em Snake Eater tudo está mais  original, criativo e (desculpe, mas vou repetir essa palavra) épico. Destaques para um confronto de franco-atiradores que poderá rolar por até sete dias... Literalmente!

Estilo cinematográfico envolvente.

Todo jogo que exagera em cenas não interativas acaba cansando com o tempo. Mas Hideo Kojima é um cara indiscutivelmente talentoso, pois na direção de Metal Gear Solid ele consegue enfiar pela goela do jogador pelo menos oito horas ou mais de cenas não interativas, sem cansar. Claro que o mérito disso vai para o enredo bem construído do jogo, que detalha com maestria os eventos do game. O enredo é ótimo, cheio de reviravoltas e traições. Os personagens apresentam personalidade, carisma e até questionamentos. Cada chefe do jogo possui uma apresentação única, detalhando sua história e motivações (infelizmente essa apresentação foi deixada de lado no episódio passado).


Não se trata apenas de cenas que servem apenas para narrar o jogo, mas de uma produção invejável e inquestionavelmente perfeita para um jogo de vide game. Espere só até assistir a melhor cena de tortura que você já viu (sendo em um game ou não). O embate final com The Boss carrega um emocional decisivo e vai ser radical ver Ocelot e Snake trocando socos e chutes no avião. Só é uma pena o fato da trama de Snake Eater entrar em constante contradição com os demais episódios da série, inclusive até chega a ser contraditório na questão do nascimento de Liquid Snake e Solid Snake (depende de como cada jogador interpretar os fatos).

Reprovado.

Algumas falhas na mecânica.

Snake Eater é indiscutivelmente incrível, mas é daqueles títulos que vai testar a paciência do jogador antes de mostrar o seu lado bom. Isso acontece devido ao inicio do jogo, que serve como adaptação  à nova mecânica. O grande problema é que o próprio jogo enfia isso goela abaixo do jogador, não dando o menor espaço para erros. Jogadores experientes terão dificuldade em se acostumar com a ausência do radar Solition, já os novatos desistiram nos primeiros 15 minutos de partida. Também não parece haver preocupação em facilitar a vida de jogadores menos criativos, como aconteceu em MGS2.

Outro problema está na falta de coerência da tela de sobrevivência. Mesmo estando todo quebrado o desempenho de Snake não é comprometido; sim! Você vai ver um agente com a perna quebrada e com uma bala na cabeça correndo e atirando, sem o menor problema. Devido a isso a realidade do jogo fica comprometida. Outro fator que dilui a experiência é que o jogo fica totalmente parado na tela de sobrevivência, sem contar que pausar o jogo à todo momento para curar os ferimentos de Snake quebra o ritmo das partidas.



A terceira falha (e está sim é muito prejudicial) está na visão de câmera clássica, que não se encaixa no ambiente de Snake Eater. Com um cenário mais aberto e com a ausência do radar o jogo teria sido muito mais saudável se, desde o inicio, tivesse usado um sistema de câmera mais solto. O ângulo clássico até funciona bem em lugares fechados, mas nas florestas se torna um frustrante problema.

Conclusão.



Metal Gear Solid 3 – Snake Eater possui algumas falhas, mas são mínimas diante do produto final. Trata-se de um título de ação definitivo do console, com uma narrativa espetacular e jogabilidade carismática. As inovações do game são valiosas, mas usadas de forma errada e às vezes cansativa. O que realmente chama atenção são os novos métodos de infiltração e camuflagem, que criam um número extenso de possibilidades aos mais criativos. Em 2006 a Konami trouxe a versão Subsistence, apresenta a aventura principal com a opção de jogar com a câmera 3D livre e alguns extras, como os dois primeiros jogos da série lançados para o MSX. Snake Eater é sem favor algum o melhor episódio da série, praticamente perfeito. Um jogo para ser desbravado de pouco em pouco, prestando atenção a cada detalhe presente.





Notal Final






Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.














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