segunda-feira, 4 de março de 2013

Análise: Darkwatch


Um faroeste diferente de tudo que você já viu!



No atual mercado de jogos tem sido difícil diversificar alguns gêneros, em especial os de tiro em primeira pessoa. Isso acontece por que algumas produtoras encontram “formulas infalíveis”, e acabam repetindo-as a exaustão (Call of Duty entende muito bem disso). No entanto, a Capcom trouxe um jogo que, mesmo não sendo inovador e revolucionário, consegue se distanciar bastante desses clichês. Desenvolvido pelo High Moon Studios, Darkwatch é um exemplar shooter que explora novos ambientes em um game de combate visceral e controles incríveis. O jogo chama atenção em diversos aspectos, entre eles, sua temática obscura, que casa perfeitamente com a proposta do título. 

Enredo.

O jogo se passa no velho Arizona, em plena expansão americana. Jericho Cross é um ladrão de pior espécie, que um dia tem a infeliz ideia de roubar um trem. O que ele não sabia é que neste trem estava adormecido um terrível vampiro chamado Lazarus, que é despertado pelo caubói. Lazarus ataca Cross e o transforma em um vampiro. 

A recém criatura das trevas é salva por Cassidy, membro de uma organização secreta chamada Darkwatch, que dedica sua vida a caçar criaturas das trevas. Transformado em vampiro e dotado de grande poder (além da sua habilidade com armas) Jericho se une ao Darkwatch, com a missão de caçar e destruir Lazarus de uma vez por todas.

Um vampiro caubói.

Sempre houve reclamações de que FPS´s são quase impraticáveis nos consoles, afinal, um mouse faz muita falta. Verdade seja dita, games de tiro em computador são indiscutivelmente melhores. No entanto, Darkwatch traz uma rara e perfeita calibragem do analógico, tornando a ação mais livre e divertida. Podemos dizer que Darkwatch é o título perfeito para os novatos na arte de jogar shooters em consoles. A primeira fase do jogo, que acontece no trem, é o momento perfeito para praticar os controles básicos do game. Jericho pode carregar somente duas armas diferentes, forçando o jogador a escolher com cuidado o seu arsenal.


De inicio, o game segue uma linha básica dos jogos de tiro: atravessar o mapa e matar inimigos, mas tudo fica mais divertido após Jericho ganhar seus poderes. O protagonista passa a dar saltos duplos incrivelmente altos e descontrolados, é como se ele pudesse voar. Ele também ganha uma série de melhorias, como um escudo que protege sua energia. Essa barra amarela se esgota conforme o caubói sofre danos, mas pode ser recuperada sozinha após alguns segundos. Após essa barra do escudo se esgotar, qualquer dano sofrido contará da barra vermelha, que é o HP real de Cross. Em geral essa barra se esvai aos poucos, mas quando cercado por vários ataques de uma vez, Cross morre quase que instantaneamente. Há algumas (e poucas) fases onde a luz do sol se faz presente, deixando o cauboi vampiro mais vulnerável e sem poderes.

Além da sua habilidade com armas, Cross pode adquirir poderes especiais. Ao todo serão oito, mas o personagem só poderá usar no máximo quatro delas. Isso faz parte de um sistema de índole muito interessante. No decorrer da aventura, Cross encontra pessoas que foram infectadas pela maldição de Lazarus. Nestes encontros você decide se quer salvar ou matar de vez a pessoa. Escolhendo salvar, Cross preenche a barra dos poderes do bem, permitindo dar tiros divinos mais poderosos, atordoar e paralisar inimigos, ficar invencível por alguns segundos e lançar raios destruidores. Caso escolha matar de vez a vitima você alimenta a barra dos poderes do mal, que darão as seguintes habilidades: Aumenta a força dos ataques corporais, transforma inimigos em marionetes que o ajudam nos combates, dá uma armadura que protege contra golpes corporais e sugar almas.


É extremamente aconselhável escolher somente um caminho pelo resto do jogo todo, já que não é possível desbloquear todos os poderes de uma vez. O replay do jogo é convidativo devido á curiosidade de experimentar os dois tipos de poderes, e também, pelos dois possíveis finais do game. Se quiser, o jogador pode optar por um personagem hibrido, mas como conseqüência, só poderá habilitar dois poderes de cada lado.

Bom de tiro e de braço.

Darkwatch é totalmente feito de tiroteios frenéticos. O que provavelmente vai afastar jogadores que gostam de variar entre ação e aventura. A exploração dos cenários é incentivada somente pela busca de munição e armas. Jericho pode usar golpes meleee quando um oponente estiver muito próximo. Este é um ótimo caso onde o poder de golpes corporais são tão uteis quanto às armas, até por que a munição nem sempre é abundante, principalmente nos níveis finais do jogo. A mira possui excelente calibragem e você ainda pode contar com um efeito semelhante ao Bullet Time, que além de deixar a ação mais lenta, coloca um filtro vermelho na tela, destacando em branco apenas os alvos; técnica muito útil quando os inimigos estão camuflados. Há ainda divertidas fases no comando de algum veículo ou cavalo, e nem mesmo nesses momentos os controles perdem a qualidade.


Os inimigos não são tão variados, mas cada um possui padrões de ataques diferentes: Alguns partem pro ataque corporal, outros ficam em pontos estratégicos do mapa, as bruxas voam pelo cenário e atacam com magia, enfim... Tudo aquilo que você pode esperar de um jogo do gênero. Com tanta variedade, pode ter certeza que quando todos os inimigos se unem podem causar muita dor de cabeça. Além de ataques diversificados, os inimigos são ótimos para traçar contra-ataques inteligentes. Não chega a ser uma IA tão primorosa quanto a de F.E.A.R, mas não há dúvidas de que agrega qualidade de desafio ao game. Unindo estes dois elementos, Darkwatch figura como um dos games mais desafiadores do gênero para Playstation 2. Ao fim de cada etapa vencida temos aquela sensação de prazer indescritível, que nem mesmo Black e Killzone conseguem produzir.

Parte técnica.

Os gráficos não chegam a ser um primor tecnológico, mas o trabalho de arte se destaca. Os cenários estão ricos em detalhes e as texturas são muito convincentes. Durante os combates há diversos efeitos de explosão aqui e ali, que conseguem colocar mais vida nos ambientes, dando aquela sensação de destruição intensa. Os personagens têm designs um tanto rústicos, mas de muito bom gosto e conseguem agradar os olhos do jogador. Faltou mesmo design mais variado aos inimigos, não chegam a ser feios, mas com certeza soam um tanto repetitivos depois de algum tempo. Também há um incomodo com a física do jogo, que é muito rigorosa em algumas partes do cenário. No quesito violência Darkwatch não deixa a desejar. Espere por cabeças explodindo, braços decepados, explosões e manchas de sangue por todo lado. Ainda há uma cena de sexo no jogo, algo que não se vê com tanta freqüência, mesmo em games adultos.


A parte sonora é o grande destaque do quesito técnico, com músicas de combate emocionante e aterradoras. Os arranjos são acompanhados de ótimas peças orquestradas e batidas sonoras que impressionam, a maioria delas com um simples coral. Os sons nos tiroteios são ricos e os monstros possuem ruídos e grunhidos convincentes, quando misturados com os sons de tiros e explosões formam um verdadeiro espetáculo sonoro. É extremamente empolgante!

Aprovado. J

Combates desafiadores.

Darkwatch é um jogo de ação frenética e divertido graças a uma excelente inteligência artificial. Apesar de conter muitas cenas não interativas, o título consegue manter um ótimo equilíbrio, e quase nunca o jogador vai sentir que o ritmo do jogo diminui. Os tiroteios são intensos e a estratégia é o ponto chave para vencer no game. 


Nos cenários há muitos cantos para se esconder, mas existem inimigos que usarão de investidas intensas para acabar com a vida de Cross. Há diversos camburões que podem ser explodidos e também é possível usar granadas pra mandar tudo pelos ares. Os tiroteios combinam com as cenas de ação alucinantes, onde há muita explosão por toda parte. Outro ponto a favor do jogo é a sua excelente jogabilidade. A mira é bem calibrada e o jogador ainda pode mexer na sensibilidade do analógico, caso ache necessário.

Ótima ambientação.


Poucos jogos usam o velho oeste como pano de fundo. No caso de Darkwatch, foi bem interessante ver esse universo de uma maneira tão sombria. O enredo não faz questão de ser uma trama com redes de traições e reviravoltas (embora de fato, aconteça) o foco está mesmo é na ação e ambientação. Os cenários são escuros, bem detalhados, com inimigos são horrendos e muita destruição no caminho. O game não economiza nas cenas de violência, com sangue jorrando a todo instante e cabeças explodindo o tempo todo. O game ainda possui cenas de sexo gótico, que mesmo sendo rápidas, causam impacto. É aquele tipo de jogo que explora bem cada conceito e ajuda na imersão do jogador.

Reprovado L



Sistema de física e colisão muito rigoroso.

É realmente difícil encontrar algum defeito em Darkwatch, mas a parte técnica tem um contratempo que pode ser um tanto incomodo. O sistema de colisão é muito rigoroso, fazendo Jericho ficar preso em pontos do mapa por bobagens. Esse problema acontece com frequência em cenários mais fechados e algumas vezes até causa a morte de Cross.

Ausência de modalidade On Line no Playstation 2.

Na versão para X-Box o game conta com diversos modos On Line, o que certamente aumenta a vida útil do jogo. Já a versão para o Playstation 2 tem apenas um modo cooperativo para dois jogadores. Para os amantes das partidas On Line, essa modalidade faz falta em Darkwatch.

Conclusão.

Com ação ininterrupta e controles bem calibrados, Darkwatch é um título de peso para o Playstation 2. A campanha principal chega a 10 horas de duração, mas a ação frenética deixa a sensação de ser um jogo mais curto. É um daqueles títulos que incentiva novas partidas, seja para ver os dois finais, ou, para testar suas habilidades com níveis de dificuldade mais elevados. O desafio do game é na medida, seja lá qual for o seu nível de jogo. O modo cooperativo, mesmo que seja de consolo, é uma boa pedida para jogar com um amigo. Darkwatch não teve tanto destaque na época, mas é um jogo indispensável para os amantes da ação frenética e da violência gótica.     






Nota Final







Análise escrita por: Lipe Vasoncelos.







  


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