quarta-feira, 13 de março de 2013

Análise: Fatal Frame



































Baseado numa história real!





Fazer jogos de terror tão bons quanto Resident Evil e Silent Hill vêm sendo, no mínimo, um desafio! Desafio este que poucas empresas realmente tomam para si, e acabam apenas copiando as fórmulas dessas duas grandes franquias, dando origem a jogos ralos e pouco inspirados. No entanto, a Tecmo se esforçou e trouxe um dos games mais incríveis e assustadores da jogoteca do Playstation 2.


Fatal Frame fez aquilo que Silent Hill vem tentando há anos: Elevar o nível de terror psicológico. Não se trata apenas de um mero game de horror/survival feito para assustar, mas de uma obra carregada de pânico e tensão. Não é novidade o fato de que os japoneses são feras em assustar o publico. Seus filmes de terror clássicos provam isso, tanto que todos os elementos deste gênero constroem de forma impecável a atmosfera deste jogo tão aclamado. Convenhamos que o marketing em cima do enredo também ajudou a criar interesse e expectativa em Fatal Frame. Expectativa essa, que é correspondida à altura! 

Enredo.

Contam lendas que a Mansão Himuro foi palco de um ritual xintu por muitos anos. Pouco se sabe sobre esses rituais, apenas que a família Himuro inteira foi assassinada misteriosamente. Esses fatos foram o suficiente para que o famoso novelista, Junsei Takamine, fosse à mansão para pesquisar para sua nova obra, e sumindo sem deixar vestígios. Interessado no paradeiro do escritor, o jovem jornalista, Mafuyu Hinasaki, vai até a mansão Himuro, para descobrir mais do paradeiro do novelista, mas este também desaparece,  após encontrar “vida” na mansão.


Nove dias se passam e Mafuyu não dá sinais de vida. Então sua irmã, Miku Hinasaki, vai até a mansão Himuro para procurá-lo. Chegando lá, ela encontra um caderno de anotações de Mafuyu, falando sobre os mistérios da casa; junto do caderno, uma câmera fotográfica. Agora Miku vai em busca de seu irmão, ao mesmo tempo em que desvenda detalhes de um ritual macabro, que levou a família Himuro a uma morte cruel.

Uma mansão, uma câmera e alguns fantasmas!

Fatal Frame junta a jogabilidade clássica de Resident Evil com a tensão de Silent Hill. A pressão psicológica presente no game é alta, fazendo inveja aos atuais episódios de RE e SH. Em vez de zumbis ou criaturas bizarras, Miku terá de lhe dar com espíritos. Alguns são pacíficos e procuram apenas ajudar (ou serem ajudados), pela protagonista; outros são agressivos, tornando a vida da jovem mais difícil. O jogo se divide por quatro capítulos, aqui chamados de Night´s. Em cada capitulo o jogador viverá partes do macabro evento que sempre ocorria na mansão Himuro. A jogabilidade é muito simples! Consiste basicamente em buscar itens, informações e resolver quebra-cabeças, que estão bem desenvolvidos e dentro do contexto.


A grande novidade em Fatal Frame fica por conta do sistema de combate, totalmente original. A única arma que Miku terá em mãos é a Obscura, uma câmera fotográfica que pode exorcizar espíritos. O sistema é de fácil compreensão, bastando apertar o gatilho direito do controle, apontar e fotografar. O jogo conta pontos de experiência que são dados de acordo com a foto. Quanto mais tempo mirar no fantasma, mais danos o ataque causa, o mesmo acontece se o enquadramento da foto for perfeito. Esses pontos são trocados para melhorar vários aspectos da câmera, como aumentar o limite de filmes e etc. Também é possível desbloquear novas funções, como deixar os fantasmas mais lentos e até pará-lo, facilitando os confrontos. De inicio os fantasmas apenas avançam contra Miku, sendo realmente fácil se livrar deles, mas à medida que progredimos no jogo os inimigos se tornam mais agressivos, atacando de forma mais inesperada e, às vezes, sumindo e reaparecendo em lugares diferentes.

A tensão criada pelo game é formidável. Fatal Frame conta com uma série de elementos para manter o interesse do jogador até o fim. Na maioria das vezes a exploração é muito intuitiva, dependendo quase sempre da observação do jogador enquanto explora os cenários. A câmera não serve apenas para exorcizar espíritos, ela também revela segredos e dá avisos ao jogador. Quando nos aproximamos de um fantasma o filamento da câmera fica laranja e o controle começa a vibrar. Já o filamento azul indica algum ponto chave no cenário, sendo necessário fotografá-lo para descobrir algum segredo. Geralmente esses lugares guardam pistas para a resolução de um enigma, desbloqueiam portas ou dão pistas sobre o lugar que devemos ir a seguir; o mapa também ajuda o jogador a se manter no caminho certo, pois a mansão é consideravelmente extensa. Apesar desses recursos, ainda é possível ficar travado no game, graças aos puzzles, que na maioria das vezes exigem bastante do raciocínio do jogador. As dicas para progredir nem sempre são claras, de modo que jogadores menos observadores terão ainda mais dificuldade para avançar no game.


O fator horror está ótimo. Fatal Frame é um jogo impressionante, pois mexe com um dos medos mais comuns do ser humano: O medo de fantasma. A Tecmo usa um fator surpresa muito interessante, que poucos jogos do gênero aproveitam. Dificilmente a mesma situação acontece duas vezes no mesmo lugar: Digamos que você acaba de entrar numa sala e, do nada, um fantasma aparece. Você luta bravamente, mas acaba morrendo. De certo, qualquer jogador ficaria de sobreaviso quando recomeçasse o jogo, pois sabe do perigo que o espera naquela sala. No entanto, graças ao fator surpresa, os fantasmas nunca vão estar no mesmo lugar, somente os chefes! Não saber onde e como você será atacado deixa o game psicologicamente mais pesado, e com o uso de recursos como o sistema de vibração do Dual Shock, o jogo consegue levar o jogador ao limite do medo. Pena que mais pra perto do fim esse efeito surpresa seja usado de maneira errada e acaba destruindo o principal charme do game.

Parte Técnica.

Tecnicamente falando Fatal Frame não foi o título mais impressionante do Playstation 2. No entanto, o trabalho artístico do jogo perdoa quase todas as falhas técnicas. O game retrata com fidelidade a arquitetura japonesa, com decorações convincentes, portas tradicionais das mansões orientais, que abrem para o lado, iluminação e figurino. Quem tiver um pouco de entendimento do assunto vai realmente se sentir em uma velha mansão japonesa.


O jogo de luz cumpre bem seu papel, com ambientes escuros e sombras bem posicionadas. O clima é de desolação, com chãos de madeira e escadas quebradas, sangue em paredes e no canto das salas, simbologia referente aos rituais de bruxaria e satanismo, que causam calafrios no jogador. Na modelagem dos personagens o destaque fica para os espíritos, com aparências transparentes e cores opacas. Ao focalizar seus rostos, temos expressões de agonia e perturbação, que são condizentes com o roteiro. Alguns espíritos ficam em posições estranhas, com pescoços quebrados ou com aparência de que foram enforcados. Já a modelagem dos personagens humanos é fraca, parecendo bonecos de cera, em alguns casos sem muita expressão facial. A animação dos personagens passa a impressão de ser um tanto travada, principalmente quando correm. Alguns fantasmas também seguem o exemplo de animação dos protagonistas, muito bruta e sem vida, embora o design assustador camufle esse deslize.

Há alguns pequenos bugs gráficos, mas que também são camuflados pela escuridão constante dos ambientes. As cenas não interativas são os melhores momentos do game, algumas bastante perturbadoras, com cenas um tanto desconexas em preto e branco, que lembram flashbacks de filmes de terror, combinando muito bem com o clima do jogo. A qualidade gráfica das cenas em CG é bem trabalhada, mas nada que realmente salte aos olhos.


A parte sonora está perfeita e casa de forma fabulosa com o clima de medo da trama. Serão ruídos variados de espíritos chorando, clamando por ajuda, batendo portas ou quebrando coisas pela mansão. O silencio é predominante e ajuda na imersão do jogador. A trilha sonora é incidental e surge em momentos chave, seja na hora de enfrentar um espírito ou nas cenas não interativas. Para um jogo com o terror tão refinado a sonoplastia constrói o cenário perfeito.

Aprovado J

O terror que há muito tempo se queria!

Dizer que Fatal Frame superou Silent Hill e Resident Evil não é nenhum exagero; pelo menos não na parte de ambientação! Trata-se de um título exemplar, que explora a fundo a ideia que tem em mãos. O mais impressionante é o fator surpresa do jogo, que garante sustos em locais onde não se espera. Os fantasmas possuem sons horrendos e perturbadores e o Dual Shock garante a sensação de agonia que o jogo tem a intenção de transmitir. Nos primeiros momentos, quando jogamos com Mafuyu, o game fica totalmente em preto e branco, dando um clima mais pesado ao prólogo.


Os combates são ótimos e agregam valor, tanto para o game quanto para o gênero. A mira da câmera funciona sem problemas, sendo similar a jogos como Resident Evil, com a diferença de que é possível andar enquanto usa a câmera. Nesses momentos a movimentação do personagem passa a ser feita pelo analógico direito e a mira pelo analógico esquerdo; é uma mudança que, de inicio, pode complicar o jogador, mas após algum tempo jogando é muito fácil acostumar. A câmera acumula pontos de experiência, por isso, enfrentar espíritos ganha um estimulo interessante, que é o de se ter uma arma mais poderosa para sobreviver!

Baseado numa história real... Ou não!

A Tecmo foi esperta ao criar um jogo de terror baseado em fantasmas, mais esperta ainda foi em colocar na capa a informação “Basead On True Story”. É importante frisar que até hoje muitos jogadores discutem a veracidade do mito. A verdade é que Fatal Frame foi baseado em uma lenda urbana japonesa, dessas que até hoje as pessoas debatem sobre os fatos e boatos. Tudo que se tem a mínima (eu disse mínima) certeza é de que a mansão Himuro realmente existe, localizada em um vilarejo distante de Tókio.


Se a propaganda é a arma do negócio, a Tecmo usou o melhor arsenal que qualquer produto poderia ter. Fatal Frame criou muita polêmica em sua época de lançamento, chegando até a receber ameaça de proibição em alguns países (inclusive no Brasil). Alguns relatos em volta do jogo são realmente macabros, mexendo com o psicológico. Em meio a tantos boatos e mistérios, a popularidade da lenda catapultou as vendas de Fatal Frame, sendo até hoje um título imortal na jogoteca do Playstation 2.

Reprovado L

Cansativo perto do fim.

Infelizmente o jogo acaba enfiando muitos combates a partir da terceira noite e noite final. Os fantasmas começam a aparecer numa frequência maior e em maior número. Com isso, o jogo fica menos assustador, e ficar fotografando os fantasmas passa a ser cansativo e maçante, embora isso não esconda o fato de que quantos combates, mais pontos são acumulados para melhorar a câmera. Mas o que mais incomoda é que o efeito surpresa, que de inicio é o maior trunfo do game, é deixado de lado.

Ângulo de visão.

Não é novidade que jogos de horror raramente trazem um ângulo de câmera amigável. Dada a necessidade de criar tomadas dramáticas, a câmera se posiciona em diferentes locais do mapa a cada nova área acessada. Esse feito desorienta o jogador constantemente em Fatal Frame, e durante um combate chega a atrapalhar bastante.

Haja espaço no Memory Card.

Fatal Frame toma um espaço considerável no cartão de memória, passando de 1MB apenas para o jogo salvo. O game também da ao jogador a opção de criar um álbum com as fotos tiradas no decorrer da partida, mas essas fotos também consomem mais de 1MB de espaço no Memory Card.

Conclusão.



Fatal Frame é um título de horror/survival de primeira linha. Apesar de ser tecnicamente limitado, é um jogo de terror completo. Apesar de se inspirar em dois grandes clássicos do gênero, a Tecmo  ousou, criando elementos que diferem seu título dos demais. Fatal Frame também tem um tempo aceitável de duração, em média 10 horas de jogo. 

Após terminar a partida pela primeira vez, várias modalidades extras são habilitadas, como um modo boss rush, novas roupas e um novo nível de dificuldade. Suas falhas técnicas são mínimas, e ainda que em alguns momentos incomode, não chegam a ser matadoras. De modo geral, Fatal Frame deu um novo gás a um gênero que, até então, só possuía dois grandes títulos representando, aliando o que há de melhor no terror com inovações de cair o queixo.  



Nota Final





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.










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