segunda-feira, 15 de abril de 2013

Análise: Ghost Rider































Não pode viver com medo!






Games baseados em filmes raramente conseguem produzir uma experiência marcante nos jogadores. A culpa disso está no pouco prazo que as produtoras possuem para fazer um jogo realmente decente, já que seu lançamento deve ser feito junto ao filme para aproveitar o calor do momento. Ghost Rider, baseado no filme “O Motoqueiro Fantasma”, segue essa mesma regra. Inspirado claramente em God of War, o jogo tenta contar eventos que entrelaça o filme e os quadrinhos, mas acaba complicando totalmente o entendimento do jogo. O maior problema de Ghost Rider é a falta de variedade na mecânica, que apesar de bem elaborada, acaba cansando. Ainda bem que o jogo termina antes de tudo se tornar maçante.


Enredo.

Jonhy Blaze é um acrobata de motocicletas que vende sua alma para uma criatura chamada Mephisto, para poder salvar a vida de seu pai. Anos mais tarde, Mephisto volta para cobrar a divida de Blaze. Agora ele assume a identidade do Cavaleiro Fantasma, um espírito de vingança vindo do inferno com o propósito de ser o caçador de recompensas do Diabo.


Uma criatura chamada BlackHeart quer trazer o apocalipse para o mundo, e para forçar Blaze a cooperar, Mephisto seqüestra sua namorada, Roxanne. Agora Blaze precisa usar os poderes do espírito para se tornar o Motoqueiro Fantasma e deter BlackHeart, antes que seja tarde demais. O enredo tenta misturar alguns detalhes dos quadrinhos com o filme, trazendo até personagens como Blade para a trama. Mas o resultado final fica muito superficial.

Espírito Vingador.

Ghost Rider consiste num jogo de ação focado em duas mecânicas distintas: combates e corridas com a moto, que não chegam a ser tão ruins, mas se repetem a exaustão. No que diz respeito à mecânica o jogo não esconde a “inspiração” em God of War. O Motoqueiro tem como principal arma um par de correntes, cheia de movimentos que apresentam estilo e até originalidade. Como já é conhecido neste gênero, há dois botões de ataque, um forte e um médio, além do uso de uma carabina com fogo infernal. Já no inicio do jogo há uma generosa opção de combos ao dispor do jogador, podendo liberar outros mais tarde.

Os combates em geral são divertidos e os movimentos apresentam alguma brutalidade (ainda que este não seja um jogo sangrento). Os inimigos atacam de todos os lados e combos mais longos ajudam a liquidar todos com mais eficiência. Assim como em Devil May Cry, há rankings de pontuação que classificam o combo conforme ele é estendido, conferindo pontos ao fim de cada fase. Infelizmente essa mecânica se torna cansativa, pois é repetida ao extremo no decorrer das fases; os monstros repetitivos não ajuda a melhorar a sensação. Além de golpes corporais, Blaze ainda usa de seus poderes especiais, como detonar todos os inimigos com uma explosão ou com o olhar da penitência, consumindo a barra de Spirit que há no canto superior esquerdo da tela.


Assim como na aventura do Deus da Guerra, o motoqueiro também junta orbs para trocar por melhorias nos combos e em seus poderes, ou destravar alguns extras no menu principal. O jogo é muito generoso nessa distribuição de orbs, principalmente nas fases de moto. O resultado é um desbloqueio prematuro dos golpes mais poderosos do jogo, que fica mais fácil do que já é. Orbs vermelhos também permitem melhorar a barra de energia vital e de poderes.



A segunda mecânica de Ghost Rider é correr de moto. Nessas fases o motoqueiro deve atravessar uma área cheia de obstáculos e inimigos em sua fiel Hellbike. O Motoqueiro pode atirar bolas de fogo nos inimigos e usar suas correntes para derrubá-los.  Há movimentos legais, como se abaixar ou pular por cima de barreiras, também há rampas que produzem divertidos saltos cheios de adrenalina no jogador. Essas fases são perfeitas para coletar mais orbs vermelhos, já que os inimigos são facilmente vencidos.

Parte Técnica.



O visual de Ghost Rider a principio impressiona. A primeira fase, ambientada no inferno, é cheia de detalhes e efeitos que fazem uma modesta e interessante apresentação. Mas as fases seguintes diluem aos poucos essa impressão, com cenários pouco inspirados e sem detalhes, que servem apenas para entrar no contexto da história do jogo. A cidade, em particular, chega a ser medíocre devida a falta de inspiração e na pobreza de detalhes. Essa mesma pobreza se estende no design dos personagens, pouco carismáticos e sem nenhum detalhe atraente. No entanto o jogo apresenta efeitos visuais interessantes nos combates, com faíscas, explosões intensas de fogo e luzes muito bacanas, que ajudam a aumentar a dramaticidade do jogo, e por vezes, até camuflam a simplicidade das fases e dos personagens. O enredo de Ghost Rider é contado através de cenas em quadrinhos, o resultado é apenas simplório, muito longe do charme de títulos como Max Payne e XIII, por exemplo.



A parte sonora ajuda a salvar alguma coisa dos quesitos técnicos do jogo. Os efeitos são bem reproduzidos e consegue colocar um bom impacto, principalmente nas cenas de combate mais furiosas. O jogo não possui efeitos sonoros ambientais, mas as fases são tão focadas nas lutas que isso acaba passando batido pelos jogadores. O mesmo vale para o som da moto, que não reproduz um ruído de motor nada convincente. A trilha sonora é modesta, mas consegue satisfazer o jogador. As canções entram em ação durante as lutas e embeleza esses momentos, graças a um satisfatório rock que cabe no contexto. Já na questão das vozes não há muito para ser dito. Nas cenas em quadrinhos há uma dublagem pouco convincente. 

Aprovado.

Combates sólidos.

Justiça seja feita, a mecânica de combates de Ghost Rider é muito bem montada. O jogador terá a sua disposição uma bela variedade de combos, incluindo a possibilidade de combinar tiros com golpes (você já viu isso em Devil Mey Cry, lembra?). Os movimentos são bem fluidos e respondem com precisão. A execução dos golpes privilegia os novatos e intermediários; já para os hardcores será brincadeira de criança, fazendo de Ghost Rider um título de jogabilidade muito amigável. 


As lutas contra chefes apresentam variação, e mesmo que a solução para derrotá-los seja de fácil assimilação, o jogo torna esses momentos bem prazerosos. Há algumas animações na hora de finalizar os seus oponentes, funcionando quase igual à God of War. Até mesmo o esquema de esquiva de golpes foi “baseado” no clássico da Sony.
  
Recheado de extras.

Ghost Rider é um jogo muito curto (Pode ser fechado até mesmo em três horas), mas há muitos extras disponíveis, alguns deles são desbloqueados com o uso dos orbs, outros após vencer o jogo. Você poderá ver artworks dos quadrinhos, modelos de desenhos da fase de produção, making offs e etc. Ao terminar o jogo pela primeira vez há extras mais variados, como novas roupas, começar o jogo com todos os poderes e combos no máximo e também ficar invencível. Para os fãs é uma boa pedida, mas como a maioria deles deixa o jogo em si mais fácil não deverá atrair a tantos jogadores, mas vai agradar aos usuários que adoram cutucar tudo que o jogo tem a oferecer.

Reprovado.

Repetitivo.

Nem mesmo a base bem estruturada de combates consegue desviar a atenção dos jogadores para a falta de variedade do título. Ghost Rider possui ao todo cinco capítulos, cada um com quatro fases, a ultima sendo dedicada apenas para o confronto com o chefe. Nestes cinco capítulos você segue o rigoroso esquema de fase de combate seguida de uma fase na moto. E assim vai... Até o fim! Sim, é verdade que os combates divertem, mas a falta de objetivos variados nas fases torna o jogo um festival interminável de amassar botões. Por vezes você terá de buscar um poder para desbloquear um caminho. Mas a frustração se torna maior quando você descobre que para adquirir tal poder basta atravessar uma área repleta de inimigos, vencer um mini-chefe e voltar pelo mesmo caminho... E pronto! 


Outra variação chata do jogo está em inimigos que só podem ser derrotados após quebrar a barreira mágica que os cerca. Essa barreira é quebrada somente quando se alcança o ranking Brutal. O que irrita nisso é que os inimigos atacam de todos os cantos inimagináveis e basta um toque de qualquer um deles para ter de começar a acumular o ranking do zero.

Direção perigosa.

Os momentos de direção conseguem ser bem empolgantes, mas também apresentam falhas impossíveis de deixar de lado. A direção em si não chega a ser ruim, pelo menos não quando se está no chão; mas basta um salto para perder total controle sobre o guidão da moto. A física de colisão é rigorosa demais, de modo que qualquer triscão de leve em algum ponto do cenário é suficiente para derrubar o motoqueiro de seu veiculo. O único consolo nisso é que o recomeço da fase é a pouquíssimos metros de distância de onde se caiu. Mesmo sendo divertido dar um role de moto, a paciência é constantemente desafiada pelas falhas da mecânica.

Conclusão.



Ghost Rider é uma típica produção baseada em um título do cinema; sem inovações e sem variações. Os combates empolgam, mas são muito poucos para os padrões de hoje. De todos os jogos baseados em filmes já feitos, Ghost Rider é o título que mais passa a impressão de pressa na conclusão. O problema nem está em usar a mecânica de God of War, mas sim na falta de variedade, tornando o jogo um Hack in Slash sem vida, tão vendido quanto o protagonista do jogo. Mas quando se está empacado ou estressado com títulos mais robustos, é lógico que Ghost Rider é uma opção de relaxamento. Pelo menos os combates bem estruturados garantem alguma diversão, mesmo que seja pouca.  


Notal Final





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.








Um comentário:

  1. Mano esse jogo meio que marcou pra mim, pois era uma alternativa "suave" digamos assim de GoW, suas mecânicas eram bem trabalhadas a meu ver, msm com suas falhas é um ótimo jogo de pancadaria alá God of War saca, a melhor coisa do game são os EXTRAS cara...muitas madrugadas destravando tudo aquilo...MUITAS XD

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