segunda-feira, 13 de maio de 2013

Análise: Castlevania - Bloodlines





Censuras marcam o único episódio da saga para um console da Sega!





Levou nada menos que 7 anos para que Castlevania fosse lançado em algum console da Sega. Devido às fracas vendas, a Konami recusou-se a lançar um Castlevania para o Master System. O máximo que a Sega conseguiu foi criar uma versão genérica do título, chamada de Master of Darkness (Ou, Vampire) no velho Master System. Castlevania Bloodlines, lançado em 1994, compensa a espera dos fãs, trazendo um game de qualidade ao mega drive. Bloddlines possui peculiaridades bem interessantes, tanto na jogabilidade quanto no enredo, que dessa vez nos joga para o ano de 1917.


Elizabeth Bartley, sobrinha do conde Drácula, tem planos de ressuscitar o vampiro mais uma vez. Então, os caçadores John Morris (descendente do clã Belmont) e Eric Lecarde, partem numa viajem para impedir a ressurreição de Drácula mais uma vez. A origem dos protagonistas é bem curiosa. John é filho de Quincey Morris, aquele que crava um punhal no coração de Drácula no romance de Bram Stoker. A Konami, então, sugere que o personagem do livro também seja do clã Belmont. Já Eric Lecarde possui apenas teorias de sua origem, mas acredita-se que o herói seja fruto do romance de Alucard com Maria Renard, após os eventos de Symphony of the Night.

Um Castlevania “macabro”!

Cada protagonista possui armas e habilidades diferentes. John luta com o famoso chicote sagrado, podendo usá-lo para se prender ao teto e atravessar de uma plataforma para a outra. Já Eric usa uma lança (sugestivamente chamada de Alucard Spear) que pode atacar nas diagonais. O heroi pode dar saltos mais longos quando pressionamos para baixo por alguns segundos, mas esse salto mais alto não pode ser direcionado para os lados. Devido a essas habilidades exclusivas, há caminhos exclusivos para cada caçador em algumas fases.

Bloodlines não acontece somente no castelo de Drácula, mas em vários palácios: Algo que não chega a ser grande novidade na série. A novidade é que cada fase acontece em um país diferente, sendo desenrolada também em uma locação famosa. Os caçadores irão se aventurar em locais famosos, como a torre de Piza, na Itália, e no Palácio de Versales, em París. Cada cenário foi cuidadosamente bem feito e estão inspiradores.


Algo que pode-se notar em Bloodlines é que o game está mais sangrento do que qualquer outro até então. Os zumbis, por exemplo, deixam cair sangue da boca, bem como há bastante gore na animação de alguns inimigos, algumas até lembram Splatterhouse, também da Sega. As fases possuem algumas decorações bem macabras, como corpos pendurados e pingando sangue, caveiras com gotas de sangue pingando na boca e etc. A tela de abertura da versão americana exibe um esqueleto mergulhado em sangue. Na época essas coisas não eram muito comuns, de modo que a versão européia do game sofreu várias censuras, como a diminuição das animações mais violentas e a troca do mar de sangue por um mar de água na tela de título.

Parte Técnica.


Os gráficos são medianos quando comparados a outras produções do Mega Drive, mas o trabalho de arte do game consegue sobressair-se. É sem dúvida o jogo mais violento da série. Os cenários apresentam bons designs. É legal notar que o clássico estágio um de Castlevania (Nes) é recriado com a tecnologia do Mega Drive. Mas os cenários seguintes também chamam muita atenção. A segunda fase tem um bonito efeito de água no fundo, dando mais vida ao ambiente. Outro cenário interessante é a fábrica na Alemanha. Há caveiras vestidas de soldados, fazendo uma citação a segunda guerra mundial, época em que o game acontece.

Os personagens têm desenhos interessantes, destaques para os protagonistas, com designs bem acabados. As animações são bem fluídas, mas há constantes slown downs na tela, dada a quantidade de elementos em movimento. Nada que seja muito prejudicial. Os chefes estão entre os mais bizarros da franquia, como um amontoado de engrenagens que ganha vida através de magia negra, se movendo de maneira surreal.


A parte sonora é menos interessante. Os sons estão agradáveis, mas um tanto enjoativos após um período de jogatina. A trilha sonora traz composições bem marcantes, mas algumas simplesmente parecem não soar como um Castlevania. Há exceções, claro. A canção da primeira fase, por exemplo, é incrível e bem condizente com a série. Mas outras canções poderiam ter ficado melhores. A qualidade sonora também parece mais contida!

Exatamente como um Castlevania deve ser!

Pergunte a qualquer fã da franquia, e ele dirá que Bloodlines não chega aos pés de Super Castlevania IV. Mesmo assim, é inegável a qualidade deste produto. O jogo se mantém fiel a essência de um bom e velho Castlevania. As fases são bem lineares e longas, com muitas plataformas para saltar, inimigos para detonar e chefões a serem vencidos. Cada caçador conta com upgrades específicos, que podem deixar suas armas mais poderosas. Há algumas diferenças nas armas sagradas. Agora há somente machado, lamina e água benta. Jonh e Eric também contam com o Item Crash, o mesmo usado por Richter Belmont em Rondon Of Blood. Usando mais corações que o normal, o Item Crash produz um ataque mágico devastador com sua sub-arma que estiver em mãos do heroi no momento.


No entanto, nem tudo é um mar de rosas. A jogabilidade travada continua sendo a maior pedra no sapato da franquia. John só pode atacar com o chicote para uma única direção. Sua habilidade de prender o chicote no teto também é bastante problemática e confusa. Por esse motivo, Eric acaba sendo o favorito de qualquer jogador, pois acaba sendo um personagem muito mais ágil no decorrer da aventura.

A dificuldade está mais contida em Bloodlines. Nenhum chefe chega aos pés de uma Death ou Drácula (das edições do NES). Mas algumas fases possuem momentos bem tensos. Pela primeira vez um jogo da série possui continues contados, o que aumenta a tensão do game. Mas em geral, este é um dos poucos Castlevania “das antigas” que pode ser vencido por um jogador casual sem grandes problemas.

Conclusão.


Castlevania Bloodlines foi a primeira e única aparição da série em um console da Sega. O game vive a sombra dos excelentes títulos lançados para o Super Nintendo, talvez por isso não tenha a atenção merecida. Também é marcado pelas polêmicas e censuras sofridas, devido ao grau de violência, muito alto para a época. Todo fã da franquia merece dar muita atenção para este jogo.  



NOTAL FINAL:



Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.





  

     


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