terça-feira, 21 de maio de 2013

Análise: Mortal Kombat - Shaolin Monks





Igual aos filmes do Van Dame... Porrada demais, história de menos!



Na década de 90 os jogos de luta viveram uma época áurea graças a Street Fighter e Mortal Kombat. Enquanto a Capcom apostava em combates mais limpos e casuais, a Midway investia em confrontos mais obscuros, com direito a uma trama de conquistas, traições e muito sangue jorrando nas arenas de luta. Na geração dos 32 e 64 bits a série Street Fight não se preocupou em se destacar muito, lançando alguns poucos títulos, porém, interessantes e, após isso, entrando em um longo estado de hibernação. Já a concorrência investiu pesado em novos episódios para Mortal Kombat, mas após Ultimate: Mortal Kombat 3 a série parecia ter perdido sua alma, com títulos cada vez menos inspirados, chegando a se aventurar duas vezes em títulos de aventura/plataforma: Mortal Kombat Mithologies  –  Sub-Zero e MK: Special Forces.

A terceira tentativa de emplacar a série no universo ação/adventure foi Shaolin Monks, mas dessa vez, mergulhando fundo na tendência Hack in Slash da época, ou seja, confrontos rápidos e brutais. Shaolin Monks explora com exaustão e maestria toda a mitologia da série MK, criando uma jogabilidade original e divertida. Infelizmente, nem a originalidade do título salva Shaolin Monks de um resultado genérico. O jogo é curto, fácil e totalmente desleixado na parte técnica. Com um pouquinho mais de empenho este poderia ter sido um título de força na marca.

Enredo.


Shaolin Monks acontece entre o primeiro e o segundo jogo da série. O torneio MK acontece em uma ilha governada por Shang Tsung. Temendo ser derrotado por Liu Kang, o feiticeiro abre um portal e foge para Outworld, deixando a ilha para ser destruída. Na fuga os principais lutadores do torneio são capturados. O objetivo seria levar todos os combatentes para Outworld, onde Shang Tsung poderia matá-los com mais facilidade e ganhar o controle da terra sem vencer o torneio. Liu Kang e Kung Lao são os únicos que conseguem escapar da captura. Guiados por Raiden, a dupla terá de impedir que Shang Tsung cumpra seus planos. Apesar de um bom enredo a narrativa abusa de tramas de traição que acabam soando muito forçadas e não garantem interesse algum.

Passeando pelo universo de Mortal Kombat.

A principal característica do jogo, logicamente, será os combates. O jogador poderá escolher jogar com Liu Kang e Kung Lao, que farão uso de todas as suas habilidades e golpes para derrotar o exercito de Outworld. Todos os combos, magias e movimentos foram exportados dos games originais, com execução simples e intuitiva. Qualquer jogador casual que nunca tenha tido contato algum com um título da série MK, ou com um jogo do gênero Hack in Slash, vai conseguir usar uma ótima variedade de golpes sem dificuldade alguma. Os Fatalities também estão presentes no jogo, sendo ativados quando uma barra verde ao lado do contador de sangue está completa. Os Fatalities também são facilmente acionados e há uma boa variedade de finalizações presentes.











Não fugindo dos clichês do gênero, em Shaolin Monks o jogador ganha EXP Points de inimigos derrotados, que são usados para melhorar os golpes de cada personagem. Mas não será necessário se dedicar tanto para acumular orbs. Os inimigos são muito frequêntes e dão quantidades generosas de almas. Dessa forma, é mais fácil melhorar a habilidade dos personagens. Fora os novos golpes e combos, Liu Kang e Kung Lao adquirem novas habilidades que permitem chegar a novas áreas nas fases. Jogadores experientes reconheceram comandos como pulos mais longos, escalar paredes e saltos ninjas de uma plataforma a outra. Na parte de exploração também não há nenhuma novidade. Os caminhos costumam ser lineares, mais alguns cantos escondem segredos, como medalhas vermelhas que destravam conteúdo extra.

Parte técnica.



A parte gráfica é interessante no trabalho de arte, que usa todo o universo de MK. Os estágios acontecem em locais clássicos. Na primeira fase os protagonistas precisam escapar do calabouço onde enfrentamos Goro, em MK1. A floresta viva de MK2 é o cenário de Repitile e é bem detalhado, bem como os templos e também o inferno de Scorpion. Mais do que simplesmente pegar as idéias de cada cenário, a Midway criou excelentes projetos de fase. A ambientação é excelente, pois abusa do clima obscuro que deu fama e personalidade a série.









No entanto, o design dos personagens é péssimo. Na cena não interativa inicial a qualidade é triste, parecem até bonecos de plástico lutando. Eu até lembrei daqueles vídeos dos jogos de Nintendo 64. As animações dos movimentos são até convincentes, com figurinos fieis ao passado do game. Mas a falta de cuidado com a modelagem dos personagens beira ao absurdo, principalmente levando em conta que estamos falando de um jogo de 2005! O Playstation 2 e X-Box já tinham visto coisas bem melhores. Sá há algum consolo nisso é que há uma boa variedade de inimigos e movimentos. Os efeitos de golpe e magia são bem feitos, com animações divertidas e muito sangue. Pelo menos isso, né! 

A parte sonora é boa, com sons de golpes, gritos e ambientação, tudo com uma qualidade excelente. A trilha sonora tem um clima sombrio, mas não utiliza os temas clássicos da franquia. No final, acaba ficando esquecida.

Aprovado J

Combates brutais e estimulantes.

Mesmo sendo um jogo de aventura, Shaolin Monks tem como base as lutas. Neste ponto não há o que reclamar, pois o jogador terá em mãos um sistema de batalhas completo. Tanto Lio Kang quanto Kung Lao possuem uma vasta variedade de golpes, todos muito úteis pelo jogo todo. O mais interessante é que executar golpes mais poderosos não pede muita pericia do jogador. Para lançar uma magia basta segura R1 e pressionar bola; o mesmo vale para qualquer outro especial que o jogador queira usar. Os inimigos atacam de todos os lados, às vezes dando muita dor de cabeça. Para esses momentos, basta segurar L2, assim o personagem poderá desferir golpes mais poderosos em várias direções de uma vez com extrema habilidade.


Mas Shaolin Monks não fica só na pancadaria básica. Além de usar golpes e magia também é possível eliminar inimigos com armadilhas de fase. É possível jogar inimigos em fogueiras, espinhos ou os dar de comer para árvores. O ponto negativo disso é que mortes dessa natureza não darão EXP. A medida que você desce o cacete em seus adversários uma espécie de barra de fúria é carregada ao canto da tela. Quando está se encher será possível executar um Fatalitie, que detona seu oponente com um ataque violento e arrasador. Há também os Brutalities e Multalities. As sequências são bastante violentas; incluem mutilações, espinhas dorsais quebradas e cabeças que rolam. Claro que aqui o realismo é um tanto esquecido, resultando naquelas cenas violentas trash que são marca registrada da série; ainda assim, nada indicadas para crianças.    

Os combates contra chefes são ainda mais estimulantes. Alguns acontecem exatamente como nos jogos clássicos, lutas mano a mano onde há habilidade do jogador é colocada a prova. Há também combates mais diversificados e dinâmicos, como a luta contra Baraka, que é uma das mais divertidas do game. Os chefes serão figuras conhecidas dos fãs: Mileena, Jade, Baraka, Scorpion e etc. 

Fiel a série, criativo e divertido.

Shaolin Monks usa sabiamente o universo dos games lançados na era 16 bits. As referências começam logo no inicio, ao explorarmos a Goro´s Lair. A nostalgia tomará conta dos jogadores mais velhos, principalmente ao vermos o velho poço de espinhos de MK1, ou o monastério de MK2. Todos os cenários são bastante sombrios, com cores fortes e detalhes bem interessantes.  Além de combates intensos o game é repleto de puzzles bem bolados. Na Living Forest, por exemplo, é preciso alimentar as árvores para que o caminho seja liberado. Em outra ocasião devemos jogar um inimigo nos espinhos e usá-lo como escada para subir em lugares mais altos.


Os quebra cabeças exigem que o jogador pressione algum botão ou puxa uma alavanca para ativar alguma porta ou ponte. Mas em vez de simplesmente apertar ou puxar, você será submetido ao Test Your Mighty, aquele mini game presente em MK1. O botão X deve ser pressionado até alcançar a barra de força em 10 segundos, para que assim, o mecanismo possa ser ativado.

Habilidades variadas.

A evolução dos personagens é bem divertida. A cada inimigo derrotado Liu Kang e Kung Lao ganham EXP Points que são usados para habilitar novos combos e melhorar os especiais. O ataque de chamas de Liu Kang pode ganhar bolas de fogo extras, enquanto o chapéu giratório de Lao pode ricochetear pelo cenário e acertar um número maior de inimigos. A coleta de EXP Points não é das mais difíceis, e o game costuma ser bem generoso no número de pontos dados ao jogador. Em uma única partida é possível ter um personagem bem poderoso, com todas as técnicas devidamente acionadas. Para fazer esses Upgrades basta acessar o menu principal a qualquer hora.

Já as habilidades especiais permitem os protagonistas executarem diferentes tipos de ação. Serão coisas como escalar paredes, dar saltos mais altos, quicar de uma parede para outra igual a um ninja, quebrar colunas e paredes que bloqueiam o caminho e etc. Essas habilidades surgem na forma de medalhas, geralmente adquiridas ao derrotar um chefe. Já os Fatalities ficam bem mais escondidos, sendo necessário vasculhar as fases atentamente a procura de suas respectivas medalhas.

Multiplayer e extras.

O modo multiplayer  de Shaolin Monks é excelente. O principal é o Co-Op, onde dois jogadores controlam os dois protagonistas pelo cenário, tornando a aventura mais divertida (e fácil também). Os inimigos aparecem de vários lados e em grande número. Com dois jogadores fica mais divertido estraçalhar os exércitos de Shao Khan. Há puzzles que são resolvidos mais facilmente se estiver jogando com um amigo, algumas até mesmo são exclusivas para serem resolvidas em dupla. Outra modalidade para dois jogadores é o clássico VS. Durante a campanha o jogador encontra medalhas que desbloqueiam personagens extras para jogar um contra o outro.


Na parte de extra haverá as já conhecidas artes conceituais, aquelas imagens que, conforme eu sempre digo, não tem a menor graça de ficar vendo. No entanto há dois extras bem interessantes. O primeiro é a versão emulada de Mortal Kombat 2 , que pode ser liberada pelo progresso do game ou através de códigos de trapaça. Outro extra bem bacana é a versão demo de The Suffering 2, já liberado para o jogador.

Reprovado L

Mas já acabou? Que jogo mais fácil!

Shaolin Monks é um game de mecânica bem balanceada. Os combates são excelentes e a parte de aventura gratificante. Infelizmente, o jogo não dura mais que seis horas, jogadores mais habilidosos talvez o terminem em quatro ou cinco horas. A sensação de quero mais é evidente, mas o máximo que você pode fazer é experimentar jogar com outro protagonista. Pessoalmente, me sentia decepcionado ao fim de cada mundo, pois quando parecia começar ficar bom eu já estava indo para outra fase! Quando vi, já estava enfrentando o Shao Khan.


Como se não bastasse a curta duração, Shaolin Monks é quase zero em desafio. Alguns inimigos às vezes irritam, pois atacam de todos os lados. Mas quando você dominar a técnica de atacar ligeiramente em várias direções nenhuma situação fica difícil. Como os personagens podem ficar poderosos muito rápido até mesmo os inimigos mais fortes ficam parecendo patos para os heróis. Agora, se você experimentar jogar no modo cooperativo vai descobrir que o 0.001% de dificuldade do game vai ficar inexistente, pois com dois jogadores é brincadeira de criança. Há alguns chefes pentelhos, claro, mas nenhum que enlouqueça, como os de Devil May Cry 3. Essa falta de dificuldade faz de Shaolin Monks um game casual e logo será esquecido.

Trama forçada.

CUIDADO, SPOILLERS ADIANTE. LEIA POR CONTA E RISCO!

Apesar da Midway falar que o jogo acontece entre MK 1 e 2, é impossível negar que a história de Shaolin Monks modifica os eventos de Mortal Kombat 2, afinal, foi só no segundo game da  série que o reino da terra enfrentou Shao Khan cara a cara. MK 2 é indiscutivelmente o melhor jogo da série, e mexer em seu enredo pode ser considerado um pecado para os fãs mais exigentes. Mas como se não bastasse cometer esse sacrilégio, Shaolin Monks ainda tenta enfiar uma trama de traições e armações que soam muito forçadas. Shantsung passa a metade do jogo disfarçado de Raiden e guiando os heróis para a morte. Ora, se queria matá-los que o fizesse de uma vez!



Além disso, Liu Kang e Kung Lao protagonizam cenas lastimáveis do inicio ao fim. Apesar de trabalharem juntos, é notável que durante o game todo os heróis disputam para ver quem é o lutador mais habilidoso, com direito a Kung Lao falar “Eu vou destruir Repitile, você fica olhando” em um dos diálogos. Fiquei pasmo e irritado quando terminei o jogo pela primeira vez (joguei com Liu Kang). Após enfrentar todos os desafios e inimigos, vem o verdadeiro Raiden e dá os créditos aos Kung Lao! Uma bela maneira de incentivar o jogador a tentar o game com Kung Lao, né? 

Parte técnica mal aproveitada.

Apesar de trazer excelentes cenários, os gráficos de Shaolin Monks estão muito abaixo de sua época. É um jogo feio e mal acabado, que por vezes, incomoda bastante. Como a trama não é nada interessante, teria sido muito mais saudável dar ao jogador a opção de pular as cenas não interativas. Mas não podemos, temos que assistir aqueles diálogos fracos, cenas mal dirigidas e gráficos mal feitos.

Outro ponto contral é a trilha sonora. Por que a Midway simplesmente não usou as composições das fases originais? Quem lembra do tema da Living Forest, de MK2, certamente teria adorado ouvi-lo em uma roupagem nova.  Mas em vez disso temos uma trilha sonora que esquece os bons momentos dos games passados, infelizmente.

Conclusão.

Mesmo com uma mecânica bem divertida e com excelente fidelidade a série, Mortal Kombat – Shaolin Monks acaba indo para a prateleira das boas idéias e mau aproveitamento. O game dura, no mínimo, seis horas, com gráficos incômodos e história mal planejada. Apesar disso, o estilo Hack in Slash foi bem aplicado, entregando combates empolgantes e quebra cabeças inteligentes. Ainda com tantos contras, muitos jogadores  preferem Shaolin Monks do que Mortal Kombat –Armaggedon, que foi lançado algum tempo depois.



Shaolin Monks vale à pena? Sim, vale! Pois há boas idéias nele, e sim, foram bem executadas. Mas uma vez que o game parece acabar em seu auge, é realmente lastimável que o sabor de quero mais não é devidamente saciado com a possibilidade de jogar com outro personagem. O modo cooperativo deixa a campanha ridiculamente mais fácil, mas é bem divertido de jogar com um amigo, assim como se enfrentar no modo VS. No final, eu aconselho qualquer um a jogar Shaolin Monks, mesmo que sua vida útil seja tão curta!





Nota Final




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.










2 comentários:

  1. Cara muito bom! Eu lembro de jogar muito esse MK quando saiu, era simplesmente viciante, pra mim, ele é um dos melhores Spin-Offs da saga.

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