quarta-feira, 26 de junho de 2013

Análise: Batman - Arkham Asylum.





Imagina só... Ficar preso em um lugar cheio de gente que te odeia!





Games baseados em super heróis sempre foi presença garantida em qualquer plataforma. Batman, provavelmente, foi o personagem em quadrinhos que mais estrelou títulos desde a década de 80. Podemos citar bons jogos: Batman (NES), The Adventures of Batman And Robin (SNES e Mega Drive) e Batman Returns (SNES), enquanto títulos como Batman Beyond e Batman Forever acabaram por manchar o nome do cavaleiro das trevas. O problema com a maioria dessas adaptações é que geralmente devem ser lançadas para acompanhar o lançamento de um longa metragem no cinema, passando por uma produção apressada, sem se preocupar em dar uma experiência realmente interessante ao jogador. Conforme o tempo vai passando, os jogadores vão aprendendo a desviar a rota de qualquer game baseado em algum herói.

Em 2009, no entanto, a Warner Bros, Eidos Interactive e a Rocksteady apostaram pesado em um game novo para o paladino de Gotham. Em vez de lançar uma adaptação para Batman: The Dark Knight, a Rocksteady apenas aproveitou o calor da produção para anunciar Batman: Arkham Asylum, que nada teria haver com o filme. Baseado 100% nos quadrinhos, com uma ambientação incrível e total fidelidade e respeito ao universo do herói, Batman: Arkham Asylum, não é apenas o melhor game feito para o homem morcego, como também um dos títulos mais expressivos dessa geração, digno de todas as honrarias recebidas.

Enredo.



O game começa com o Cavaleiro das Trevas em mais uma noite cotidiana, enquanto leva o seu mais perigoso inimigo, O Coringa, de volta ao Asilo Arkham para criminosos de alta periculosidade. Mas Batman não está seguro com a situação, uma vez que o palhaço parece ter se rendido fácil demais no confronto. O Coringa consegue escapar enquanto é escoltado para sua cela. Não demora muito para o vilão revelar que ser capturado pelo morcego fazia parte de seu mais novo plano: Dominar o asilo Arkham.

Ao tomar o controle da prisão com a ajuda da fiel Arlequina, Coringa passa a mandar nos vilões aprisionados na ilha. Com todos presos, sem esperanças, Batman passa a perseguir Coringa, que está apenas iniciando mais um de seus doentios planos para vencer o herói. Naturalmente, o plano do palhaço vai muito além de infernizar a vida do morcegão.    

Enfrentando o crime na maior prisão de Gotham.

Arkham Asylum é aquele tipo de jogo que já em seus primeiros momentos mostra que é mais que um simples título no mercado. Sua fidelidade com os quadrinhos é responsável por toda a imersão que o game proporcional. Por tanto, esqueça aquela velha história de “game baseado em quadrinhos feito pra crianças”. Aqui temos um projeto muito maduro, com linguagem imprópria, cenas violentas, toques sensuais e temas sombrios. Nada exagerado, claro, mas é a exata essência que foi cuidadosamente tirada das páginas dos quadrinhos.

Arkham Asylum é um game de ação com altas doses de exploração e combates, com aquele mesmo exímio equilíbrio apresentado em God of War. Uma vez no controle do cavaleiro das trevas, o jogador poderá experimentar os primeiros combates do game, que a principio parecem simples, mas se mostram competentes e divertidos. Batman pode enfrentar seus oponentes com golpes cheios de estilo e força. Além do ataque direto, é possível realizar contra ataques ativados quando o oponente tentar atacar pelas costas. Graças a essa possibilidade fica muito fácil conectar vários golpes em um grande grupo de bandidos, resultando num sistema muito interessante de combos. Ainda é possível finalizar oponentes enfraquecidos e utilizar acessórios como o bat-rang, a fim de paralisar e aumentar um combo. Logicamente, sequências bem executadas premiam o jogador com pontos de experiência utilizados para melhorar golpes, equipamentos e habilidades do homem morcego.


Mas o sistema de combate de Arkham Asylum vai muito além da troca de socos e chutes. Há muitos momentos de ação furtiva, algo que parece ter sido inspirado em Batman Begins. A Rockysteady incorporou um sistema de stealth muito completo na mecânica. Apesar de ser um herói habilidoso, Batman ainda é um ser humano. Isso significa que homens armados será sua maior fraqueza. Sendo assim, o homem morcego precisa acabar com todos de modo silencioso. A mecânica é simples: Consiste em se esconder nas sombras, nos cantos ou utilizar o gancho para se esquivar por entre estatuas no alto. Homens armados andam em grupos, quase sempre grandes, sendo necessário atacar pelas costas. Mais interessante que isso será as reações do inimigo. Cada vez que Batman acaba com um oponente, o restante fica mais tenso e atento, tornando as investidas do jogador mais difíceis. A situação fica tão extrema, que em níveis de total amedrontamento, será possível ver um bandido atirar em coisas banais, como canos soltos e cortinas que se movem com o vento. Cada etapa de stealth prepara surpresas diferentes ao jogador, que terá total liberdade de explorar cada possibilidade de ataque. Conforme ganha melhorias, Batman pode usar métodos mais divertidos de acabar com malfeitores. É possível até pendurá-los pelos pés.

O maior detetive do mundo em ação.



Entre combates e investidas nas sombras, Arkham Asylum possui um cuidadoso sistema de exploração. A ilha Arkham é realmente grande, com livrarias, celas, laboratórios, túneis e grandes jardins. Existe até uma Bat-caverna no lugar, construída por Bruce Wayne para momentos de tensão como este vivido no game. O objetivo do jogador será recapturar Coringa e tirar a prisão de seu controle. O problema é que o vilão preparou um verdadeiro jogo psicológico contra Batman, mantendo-o preso um lugar cheio de bandidos que o próprio herói capturou. Além disso, muitos policiais e médicos do asilo estão mantidos como reféns e precisam ser salvos.

O mapa é extenso e o game segue um desenvolvimento bem linear. Mas há muitas missões para cumprir no caminho, todas boladas pelo próprio Coringa. Na pratica, Arkahm Asylum lembra bastante um God of War, pois enquanto não estiver em combate, o jogador estará ocupado resolvendo quebra cabeças e encontrando novos caminhos a seguir. Há uma série de locais que estarão inacessíveis no inicio. Há diversos itens do cinto de utilidades que serão adquiridos no decorrer da aventura, como o bat-garra, um gel explosivo, um aparelho que destrói travas de segurança e etc. Tais itens ajudam Batman a progredir na ilha.



 





Uma característica interessante de Arkham Asylum é o modo detetive. Esse comando permite destacar elementos importantes no cenário, como grades que podem ser retiradas, locais que podem ser escalados, paredes frágeis para explodir e etc. Há momentos onde Batman precisa investigar uma área e encontrar pistas, como quando o Comissário Gordon é sequestrado e deixa vestígios de seu charuto pelo caminho. Utilizando o modo detetive é possível detectar focos químicos que deixam rastros para que o jogador os siga. Também é possível usar o modo detetive para criar estratégias que auxiliam no abate de inimigos armados. Estando nesse modo o jogador poderá ter total visão dos bandidos, podendo localizá-los por de trás de qualquer chão ou parede, enxergando a exata direção que estão olhando e até verificar seus níveis de estresse.

Uma das grandes diversões do game é vencer os desafios do Charada. Esses desafios consistem em enigmas que cuja resposta estará em algum objeto ou canto especifico da sala, bastando usar o modo detetive para detectar a solução. Também há uma série de troféus escondidos por toda a ilha, além de dentaduras do Coringa que devem ser destruídas. Os desafios do Charada liberam pontos de experiência extras e arenas de batalha para conteúdo on line e off line. Decifrar os enigmas e encontrar troféus também cria registros nas redes sociais das plataformas. No caso do PC, os registros podem ficar Windows Live Game ou na plataforma Steam.
  
Para fãs e aventureiros primários.

Um dos maiores erros em títulos baseados em quadrinhos é acreditar que o jogador tem a obrigação de conhecer o universo do personagem. De fato, os fãs são os primeiros a se interessar por games assim. Dessa forma, seria lógico concluir que, se você nunca leu um gibi do Batman, provavelmente não vai entender muita coisa no game. Felizmente, Arkahm Asylum não cai nessa armadilha. A Rocksteady se preocupou em aprofundar o jogador no universo de Gotham City através de um sistema de enciclopédia nunca visto antes.


Não é necessário vasculhar menus para ler as informações sobre o mundo de Gotham City ou dos personagens que nela vive. Todos os dados aparecem à medida que o jogador avança na campanha. Basta que um novo personagem apareça, ou, seja mencionado para que uma ficha técnica seja desbloqueada. Nesta ficha temos uma resumida e eficiente biografia do personagem, falando da sua importância nos quadrinhos, sua ocupação e sua relação com o morcegão. As informações são tão completas que até mesmo a data da primeira aparição do personagem e o número e nome da revista que fez sua estreia serão exibidos na ficha. O mesmo vale para personagens criados exclusivamente para o jogo.

Mas não é só isso. Um dos desafios do Charada inclui a caça de símbolos que, quando decifrados, falam melhor da origem do asilo e de seus criadores. Também é possível encontrar gravações de entrevistas com os pacientes e criminosos internados na instituição. As gravações captam com precisão a essência de cada vilão. Há até uma que revela como Arlequina passou a ficar obcecada com Coringa e os demais vilões, até se tornar uma criminosa. Essas informações, junto à maneira como se apresentam no game, induzem o jogador a penetrar mais neste universo.







Falando em imersão, Arkham City é o tipo de jogo que poderia se tornar um roteiro para os quadrinhos, ou mesmo um filme. Para começar, a trama é bem mais complexa e instigante do que parece. Temos aqui uma perfeita tradução do universo sombrio de Batman. Toda a hostilidade e excentricidade de Arkahm foi perfeitamente retratada em cada acontecimento do jogo. Mas o ponto que deixa a narrativa realmente interessante é a representação perfeita de Batman e Coringa e o modo como os personagens se relacionam e se enfrentam. Enquanto Batman conserva seu estilo calado, calmo e ameaçador; Coringa é o perfeito retrato da insanidade e do caos. É realmente amedrontador o modo como o Coringa, por vezes, parece implorar pela morte. A vontade de ser assassinado por Batman é uma das características mais marcantes da eterna luta entre os personagens. Outros momentos tensos serão as investidas do Espantalho. Usando seu gás do medo, o vilão forçará Batman a entrar num mundo de terror e loucura. Essas etapas ajudam o jogador a entender a mente de Bruce Wayne e os motivos que o levaram a se tornar Batman, com visões de seus pais e de como morreram.






Se Heath Ledger deu a forma real ao Coringa nos cinemas, a Rocksteady tratou de fazer sua parte no vídeo game. Não sei se é pelo fato de eu achar Coringa o vilão mais fascinante da história dos quadrinhos, mas suas aparições realmente roubam a cena no game. Sua loucura e frieza ficam claras até na mais simples gargalhada. Isso também é fruto da excelente dublagem do game, que conta com a voz de Kevin Conroy e Mark Hammil, dubladores de Batman e Coringa na série animada, respectivamente. Além de Coringa e Espantalho, outros vilões celebres estão no jogo, como o gigantesco Bane, a sedutora Hera Venenosa e o letal Crocodilo. Infelizmente, combates contra chefes realmente não é o forte de Arkham Asylum. A maioria dos chefes serão caras do tamanho do Bane, que são derrotados sempre da mesma maneira. Hera Venenosa e Coringa parecem ser os únicos chefes que farão o jogador quebrar a cabeça. Ainda assim, o combate final pode ser um tanto decepcionante quando comparado a outras etapas do game.




Parte Técnica.

Em termos técnicos, Arkham Asylum é soberbo. O trabalho de arte da equipe é de cair o queixo, trazendo um cenário bastante condizente com a aventura. Apesar de ser um hospital para recuperação de criminosos perturbados, o Arkahm conserva uma decoração amedrontadora. Há um misto de elegância e opressão no cenário que chama atenção. As texturas estão excelentes, ainda que em alguns momentos pareça fora de foco, mas é coisa de um segundo e não chega a ser muito incomodo. Cada área do prédio é rica em detalhes, mesclando com iluminação bem aplicada, totalmente adequada a situação. Felizmente, as câmeras se saem bem, tanto em locais fechados como em abertos.


A modelagem dos personagens está fantástica. Mais uma vez o respeito à série contribui nessa composição. Batman é o que mais merece ser destacado. A imponência de seus movimentos é absoluta, seja no simples ato de caminhar até nos golpes que aplica em seus adversários. Os detalhes em sua roupa impressionam, com aquela textura de borracha bem aplicada e um corpo visivelmente mais musculoso. Sua roupa e capa vão se rasgando a medida que enfrenta momentos mais tensos, como em combates com chefes ou explosões. Já o Coringa conserva seu famoso paletó roxo e aparência de palhaço psicopata, magro e com um sorriso afetadamente mortal no rosto. Quase todos os personagens dos quadrinhos mantiveram seu visual tradicional, mas há casos a parte, como a sensual mini-saia de Arlequina, que ganhou até um decote mais avantajado. Todos os inimigos possuem bons detalhes e são dotados de grande personalidade gráfica.

Nas animações tudo corre dentro dos conformes. O movimento de capa do Batman, sistema de física e colisão de objetos bem condizentes, muitos efeitos de tela em todo lugar. Mas há coisas que por vezes podem parecer fora do lugar. Além das texturas que por vezes parecem fora de foco, há alguns inimigos que caem em ângulos estranhos e incompreensíveis. São detalhes mínimos, é claro, mas que podem ser notados em quase todos os momentos do game. A versão para computador ainda conta com otimizações gráficas e resoluções mais altas.

O quesito sonoro também tem excelente qualidade. Todos os efeitos estão extremamente bem trabalhados, desde o simples som de passos ecoando pelo ambiente, aos efeitos de explosões, grades quebrando, ganchos sendo lançados e os efeitos ambientais. Nos combates tudo fica mais incrementado. Há um peso considerável nos efeitos de pancadaria e tiroteio, com excelentes equalizações. A trilha sonora é original muito bem composta. Espere por temas orquestrados de grande valor, principalmente nos momentos de Stealth. As dublagens excelentes não se limitam apenas às interpretações de Batman e Coringa. Todas as vozes estão perfeitas: O tom irônico do Charada, a infantilidade cruel de Arlequina. Mesmo o mais simples inimigo de fase possui boas interpretações, principalmente em seus momentos de agonia.

Conclusão.

Quem poderia imaginar que um jogo baseado num herói de quadrinhos poderia ser tão importante pra geração, hein? Arkham Asylum é o título que todos os fãs do Batman sempre desejaram ter em mãos. Possui uma jogabilidade arrojada, um sistema de batalhas bem desenvolvido e idéias que mudam alguns conceitos de exploração, como o modo detetive. Tudo isso ficou devidamente bem calibrado e garante toda a diversidade e diversão do game.


Mas é a total fidelidade a obra original que ajuda a prender o público, criando uma das ambientações mais incríveis da geração. Batman Arkham Asylum vai muito além de simples game de super herói. É um título cativante e completo, digno de toda atenção. Uma aventura que vai surpreender e divertir o jogador por muito tempo! Seu conteúdo se estende por mais de 15 horas, e isso é só a aventura principal. Caçar todos os segredos do game demanda mais dedicação, e é extramente divertido. Ou então, você pode simplesmente passar por toda a campanha principal de novo. Jogo totalmente recomendado.



Notal Final.




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.











Um comentário:

  1. Da hora , ja perdi a conta de quantas vezes zerei esse jogo

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