quarta-feira, 24 de julho de 2013

Análise: Manhunt




GTA é um passeio no parque perto de Manhunt. 





No final da década de 90, a quase desconhecida Rockstar Games trouxe a franquia que seria a carro chefe de sua empresa e alvo de todas as polêmicas envolvendo a produtora: Grande Theft Auto, que impressionava pela liberdade dada ao jogador, com atos como roubo de carros e até matar civis por pura diversão, além de um enredo que envolve crime organizado, drogas e assassinato.

A Rockstar se firmou no mercado devido à qualidade excepcional de suas produções, sem nunca deixar de lado a fama de ser transgressora. Não satisfeita em trazer GTA à luz, a empresa decidiu ir mais longe, lançando o game mais violento, doente e psicótico da história. Manhunt explora a jogabilidade Stealth de maneira incrível em um mundo de morte e assassinato, fazendo uma clara referência ao Snuff Movies. Com um enredo promissor e jogabilidade bem calibrada, Manhunt escreveu seu nome na história dos games, sendo tão polêmico e brutal quanto Postal.

Enredo.



James Earl Cash é um perigoso criminoso que espera seu destino no corredor da morte há cinco anos. Na noite da execução Cash é morto com uma injeção letal. Mas na verdade ele apenas recebe uma grande quantidade de sedativo. Quando acorda, Cash percebe que está sozinho em um galpão de uma cidade chamada Carcer City, aparentemente vazia. Essa cidade faz parte da produção do sádico diretor de cinema que foi expulso de Hollywood, Lionel Starkweather (durante o game é chamado apenas de Diretor), que faz de Cash a estrela de seu novo filme, onde o criminoso é filmado enquanto mata seus oponentes da forma mais violenta possível. O objetivo de Cash é sobreviver na cidade infestada das gangues de pior espécie, executando-os de forma brutal: Apenas para satisfazer os sádicos desejos do homem que o colocou ali.

Brutal Reality Show.

Manhunt é um caso raro onde a violência se tornou mais comentada que o próprio game, o que é bem injusto: Manhunt é sim um game impactante, mas vai muito além de sua brutalidade. A cidade está repleta de câmeras por todos os lados. Cash terá apenas uma escuta em seu ouvido para receber instruções sobre o que fazer para prosseguir. O game é bem linear, sem muito o que explorar. O foco aqui é executar suas vitimas de forma estratégica.



O Diretor não gosta de mortes simples, mas sim, de assassinatos sangrentos. Para que possa avançar nas fases, Cash deve executar seus oponentes da maneira mais violenta que puder. Para isso, é necessário usar as eficientes técnicas de stealth, para que possa se aproximar de suas vítimas sem ser visto. Há um mapa no canto da tela que mostra a localização dos inimigos, a direção que estão olhando e o seu estado de atenção. Quando o cursor indicativo de inimigos estiver amarelo, significa que estão distraídos; se ficar laranja é sinal de que perceberam a presença de Cash na área; mas caso fique vermelho, Cash deverá correr e se esconder, pois foi avistado e estará sendo caçado. Os inimigos serão gangues de assassinos, estupradores, pedófilos e todo tipo de criminoso. Para evitar que o jogador não simpatize com Cash, a Rockstar preferiu não falar dos crimes que o antagonista cometeu.

Parte técnica.

Embora não esteja entre os game mais impressionante e caprichado de sua geração, Manhunt apresenta um trabalho convincente, principalmente no quesito artístico. Carcer City é uma cidade estranha e abandonada, tão suja e desolada quanto Raccoon City, por exemplo. As ruas são escuras, com becos desertos, placas e outdores quebrados, lixos e postes de luz quebrados. O jogador irá visitar hospitais, zoológicos, prisões e outros lugares macabros dessa cidade fictícia. O jogo de luz empregado em cada fase está espetacular, com alguns lugares bem escuros e sombrios. Além de criar um clima mais soturno, a escuridão ajuda a camuflar alguns serrilhados e bugs presentes durante as partidas. Um detalhe extremamente perturbador nos ambientes é a presença de iluminações de estúdio, colocadas pelo Diretor, a fim de extrair as melhores cenas dos assassinatos que Cash vai cometendo.



Os personagens foram bem modelados e estão aceitáveis. Todos possuem um figurino bem condizente com a proposta do game, ou seja, roupas de criminosos e gangues perigosas, alguns até mascarados. As cenas de execução são mostradas de forma explicita, com ângulos que valorizam as cenas de assassinatos.

Na parte sonora o game consegue se sair muito bem. Na tentativa de criar uma imersão mais profunda não há trilha sonora, mas quando Cash está sendo perseguido há uma intimista música de fundo, que ajuda a criar o clima do game. O ponto alto está nas dublagens, muito bem interpretadas. A voz do diretor é sádica, passando aquele tom de uma pessoa cruel que se diverte com uma situação de agonia e morte. Os inimigos costumam soltar diversas frases de desafio e intimidação ao jogador, algumas até caçoando. Na parte de efeitos sonoros, alguns estão bem bacanas, como os de ambiente. Já nas cenas de combate e tiros, tudo ficou abaixo da média, como se faltasse algum impacto nesses momentos.



Aprovado.

Brutalmente criativo.

Graças a seu enredo perturbador, Manhunt coloca o jogador em uma situação extrema de sobrevivência. Cash estará sendo literalmente caçado, tendo que matar para divertir o Diretor e continuar vivo. O que diferencia Manhunt de seus concorrentes é que o game força o jogador a agir de maneira fria e calculista, apenas para cometer um festival de mortes sangrentas. 

O game funciona como um Splinter Cell, onde ser furtivo é a chave para progredir.  A interação com o cenário é intensa, pedindo movimentos bem calmos em muitas ocasiões. Praticamente tudo no ambiente produz um ruído, até mesmo correr; sendo o suficiente para chamar a atenção de qualquer oponente. Também é possível se esconder nas sombras e se encostar em paredes, a fim de se esconder com mais eficiência. Os inimigos não chegam a ser um primor de inteligência, mas algumas das suas reações podem ser bem imprevisíveis. É muito comum encontrá-los em grupos de três ou mais, sendo necessário bolar esquemas para separá-los e matá-los um a um. Há várias formas de se aproximar ou de separá-los, como usar armas de isca como tijolos e garrafas, que serve apenas para fazer barulho e criar distrações. Ainda é possível carregar corpos, usando-os para chamar a atenção de outros inimigos ou escondê-los para evitar problemas.

Só é possível fazer uma execução ao chegar perto de um criminoso sem ser notado, pressionando e segurando o botão de ataque. Feito isso, três setas surgem ao redor da cabeça do oponente. A seta branca indica o nível de execução um, que será uma morte violenta. Segurando o botão por três a cinco segundos as setas ficarão da cor amarela, avisando que o jogador fará uma execução de nível dois, mais violenta que a anterior. Passando oito segundos o indicador muda para vermelho, neste nível, Cash vai matar sua presa da maneira mais brutal e cruel possível. Quanto mais violenta for à execução, mais satisfeito fica o Diretor, conferindo ao jogador uma excelente pontuação ao fim de cada nível. Ainda há um pouco de espaço para humor negro, como a possibilidade de usar cabeças decapitadas como armas de isca.



O arsenal de Cash trás cacos de vidro, facas, cutelos de açougue, bastões de beisebol, pedaços de arame farpado e até sacos plásticos. Cada arma possui três cenas e níveis particulares de execução. Podemos ver Cash esfaqueando, quebrando pescoço, sufocando com um saco plástico, decapitando, espancando e tudo mais, com detalhes bem explícitos e sangrentos. É realmente impressionante observar a brutalidade do personagem ao arrancar a cabeça de um pobre coitado com golpes de um cutelo bem afiado. Para aumentar o realismo das cenas, escutamos gritos sufocados de dor e desespero, aumentando o grau de violência e chocando até o mais "frio e sanguinário" dos jogadores.

Cash pode ser cruel e frio, mas ainda sim é um homem comum, o que significa que entrar em combates mano a mano nunca é uma boa. Se for um contra um até da pra levar, mas se for com mais de um oponente é melhor fugir, pois a morte é quase certa! Em geral, aqueles que se divertiram jogando games da série Metal Gear Solid ou Splinter Cell vão se sentir confortáveis com Manhunt, que é uma ótima opção para fãs de ação/stealth.



O Diretor é um cara bastante criativo, por isso, sempre vai colocar Cash em situações bem desagradáveis; como no capitulo onde ele precisa avançar pelo cenário sem ser descoberto, caso contrário, mandará matar um membro de sua família. O game ainda reserva divertidos momentos de combates com armas de fogo, que além de intensos, induzem o jogador a agir com igual cautela. Ainda que os inimigos sempre fiquem escondidos nos mesmos locais, é necessário avançar com cuidado, pois Cash morre facilmente quando alvejado por muitos tiros.

Reprovado.

Controles mal mapeados no Playstation 2.

Para quem está acostumado a jogar games de tiro no Playstation 2, vai notar um mapeamento um tanto atrapalhado nos controle de Manhunt. Pra começar, não é possível estabelecer uma mira 100% manual. A arma é empunhada quando seguramos o L1, até ai tudo normal! O que complica mesmo é o comando para atirar que ficou no X, ou seja, fica impossível para o jogador mover a mira enquanto atira, pois o comando fica no analógico direito. Normalmente, games de tiro colocam o comando de disparo no R1, deixando o polegar direito livre pra manipular a visão. Em Manhunt essa deficiência é bastante incomoda nas fases de tiro. Por vezes seria muito bom poder caminhar o tempo todo com a arma apontada, mas não é possível mover a visão e atirar ao mesmo tempo. Esse deficiência é motivo de muitas morte.

Combates mano a mano problemáticos.

Ta bom! Ta bom! Eu sei que Manhunt é um game que prioriza a ação furtiva, mas isso não é motivo para combates tão defeituosos. Cash pode utilizar suas armas de execução para combates. O problema é que o personagem é um verdadeiro inútil, ou melhor dizendo, os controle o tornam inúteis. Na versão de PC há um botão que exclusivo para defender ataques, já no Playstation 2 é necessário segurar para trás, o que nem sempre funciona como deveria.


A parte dos tiroteios também tem seus contras. A mira é travada automaticamente, mas mesmo assim, quanto mais distante, menor é a probabilidade do tiro ser efetivo. A única forma de conseguir um tiro com poder eficiente é se aproximar do alvo, mas isso é bem difícil contra membros de gangues que também estarão armados.

Conclusão.

Manhunt explora um lado bastante obscuro da mente humana. Um game que o coloca na pele de um verdadeiro assassino. Há um clima de desespero e crueldade que consegue encantar o jogador sem grande esforço. Dizer que Manhunt tem popularidade apenas por seu alto nível de violência é uma grande injustiça. A jogabilidade é bem trabalhada e divertida, com um grande leque de possibilidades. Os inimigos nem sempre são inteligentes, mas conseguem produzir um desafio aceitável. Proibido em alguns países, com uma carga polêmica enorme, Manhunt é um dos games mais violentos e insanos de todos os tempos.



Curiosidades adicionais.

- Manhunt faz parte da lista jogos que alcançou a classificação AO (Adult Only) na ESRB. As produtoras evitam ao máximo que seus games cheguem nesta classificação, pois alguns países se recusam a vender games de conteúdo excessivamente violento.

- Provavelmente, a série Manhunt é a única no mercado a possuir o título de “simulador de assassinato”.

- Na França, um parlamentar foi a favor da proibição de Manhunt. Isso aconteceu após três adolescentes matarem uma garota. Ele afirmou que os garotos foram motivados pelas cenas violentas do game.

- Manhunt foi idealizado a partir dos Snuff Movies. Nestas produções, um assassino gosta de filmar os momentos de tortura e morte de sua vitima. Na Deep Web, filmes dessa natureza são encontrados o tempo todo.

- Em 2010 foi lançado A Serbian Film – Terror Sem Limites, onde um ex ator pornô é forçado a participar de um filme Snuff envolvendo tortura, necrofilia e pedofilia. Alguns acreditam que a série Manhunt teria influenciado o roteiro do filme.



NOTA FINAL.






Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.











2 comentários:

  1. Muito boa a análise, joguei muito manhunt, mas não cheguei a zerar. Não sei porque, acho que formatei o computador na época e acabei esquecendo, o jogo simplesmente sumiu da minha mente, hehehe. Mas depois desse ótimo post, fiquei com vontade de jogar de novo. Valeu Lipe.

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  2. Um bom jogo, no começo até parece que é meio fácil, mas depois tem alguns levels que requer muita paciência.

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