segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Análise: ObsCure.




O colegial pode ser um verdadeiro terror!




Bebendo das fontes seguras de Silent Hill e Alone in The Dark, Obscure é um projeto de audácia, que tem uma apresentação surpreendente. Não há dúvidas de que tinha potencial pra ser um dos games de horror/survival mais interessantes da geração. Infelizmente, uma série de ideias mal amarradas colocou tudo a perder, fazendo de Obscure só mais um entre tantos. O game traz uma temática bem bacana (terror adolescente) e um ambiente bastante incomum. Pena que a empolgação do jogo vá decaindo à medida em que a campanha avança.

Enredo.

O Leafmore High Scholl é o palco dos eventos vividos pelos cinco protagonistas de Obscure. O enredo começa quando Kenny Metthews, considerado o astro de basquete do time da escola, fica até mais tarde na quadra para treinar. Após o treino, Kenny percebe que sua bolsa foi roubada, chegando a tempo de ver o ladrão escapar. Na perseguição, Kenny é atraído para um porão desconhecido do colégio, desaparecendo após ser atacado por um monstro.


No dia seguinte, Shannon e Ashley, irmã e namorada de Kenny, respectivamente, sentem falta do rapaz e concluem que ele desapareceu na escola. Josh, amigo de Kenny e das garotas, sugere que eles fiquem no colégio quando fechar, a fim de procurar pelo amigo. Mais tarde, junta-se a eles Stanley. O problema é que os garotos não fazem ideia dos mistérios macabros que o colégio Leafmore revela ao cair da noite

O colégio pode ser um terror.

A maior diferença de Obscure para os demais games do gênero está no elemento cooperativo. Haverá ao todo cinco personagens jogáveis no game, cada um com uma habilidade especifica. Kenny tem maior resistência física, podendo correr bem rápido. Shannon pode curar seus amigos sem a necessidade de um comando do jogador. Ashley é a mais durona do grupo, se dando bem em combates. Josh é de longe o mais útil, seu instinto jornalístico pode ser usado para achar pistas para a resolução de enigmas. Stan é o típico aluno problema, especialista em arrombar portas.



Durante o game o jogador pode utilizar até dois personagens simultaneamente, o segundo, sendo controlado pelo computador. Para trocar o comando de um para o outro basta pressionar o botão correspondente. Ainda é possível plugar um segundo controle e convidar um amigo para jogar a qualquer momento. Obscure não foge o estilo dos demais games de sobrevivência. A campanha principal se divide entre momentos de exploração, resolução de enigmas e combates, está ultima, dá um verdadeiro tapa na cara da concorrência, sendo bastante criativa.

Os inimigos em Obscure são criaturas disformes, que mais lembram sombras ou espíritos amaldiçoados. Como toda a boa criatura das trevas, essas aqui odeiam a luz, mas odeiam a ponto de se machucar com ela. Por isso, o jogador tem a opção de combinar uma lanterna com as armas de fogo, dessa maneira, só é possível derrotar as criaturas após jogar uma grande quantidade de luz em sua fuça. Estando fracas, é só meter bala. A mecânica é extremamente funcional, bem mais aproveitada que o falho sistema de cooperação, que se limita a ações sem inspiração alguma.

Parte técnica.

Não há como negar que a Hydravision fez um trabalho competente com Obscure. Os gráficos são bem arrumadinhos, embora não sejam dos mais complexos. Os ambientes são bem fieis ao de uma escola padrão americana, com salas de aula, corredores, laboratórios de química e até refeitório. Como não se trata de um cenário desolado e hostil, Leafmore é mais arrumadinha e limpinha que um Broaken Heaven Hospital, por exemplo, mas de modo algum faz feio. No entanto, quando se chega aos porões escondidos, encontramos ambientes mais sujos e tensos.



Os personagens também apresentam um nível aceitável de detalhes, como modelagens bem terminadas. O visual de cada um dos personagens é convincente, com detalhes de rosto aceitáveis. Mas o que chama mesmo atenção são as criaturas. Os monstros em Obscure são estranhos, tendo garras e olhos vermelhos, sempre em forma de uma sombra confusa. Quando surgem deixam uma áurea negra emanando no chão, tornando os momentos de combate mais amedrontadores. Um trabalho realmente formidável. Ainda há poucas, porem, bem trabalhadas cenas em CG.

A sonoridade é apenas básica, pelo menos para os padrões do gênero. Há sons de coisas que quebram ao longe, vidros partindo e arranhões aqui e ali. Claro que acabam funcionando de maneira eficiente. A trilha sonora usa e abusa de batidas orquestradas e corais, algo que nunca havia sido usado em um horror/survival. Mas o resultado final é surpreendente, deixando o game com mais tensão. No quesito dublagem, espere por interpretações de quinta categoria e diálogos clichês, conforme manda a cartilha do terror adolescente.

Aprovado J.

Sobrevivendo em grupo.

Obscure inovou ao trazer um game com mais de um protagonista. Aqueles que já assistiram a filmes como “Pânico” e “Eu Sei O que Vocês Fizeram no Verão Passado”, vão se sentir em uma produção desse tipo enquanto jogam Obscure. Claro que o tema aqui é bem mais sobrenatural. A exploração é bem mais leve do que muitos games do gênero, graças a habilidade investigativa de Josh, que com um único toque de botão do jogador, informa se ainda há algo a ser descoberto em alguma sala. Os quebra-cabeças seguem a linha uma linha de raciocínio lógico, onde o jogador deve realizar ações como ordenar peças em um quadro, ou buscar itens em lugar X para usar em ponto Y, e por ai vai.



Os combates surgem com maior frequência do que seria ideal em um jogo de horror/survival, mas nada que chegue a ser prejudicial. A munição não é exatamente contada, mas as pilhas das lanternas sim. É possível se livrar da maioria das criaturas com o uso de tacos ou bastões, que mesmo sendo menos eficientes ajudam o jogador a administrar o uso de recursos mais escassos. Já outros inimigos, como mestres, pedem o uso da lanterna. No geral, da pra notar que Obscure usa de modo equilibrado a ação e a exploração.

Reprovado L.

Cooperativo mal trabalhado.

O que deveria ser o maior diferencial de Obscure acaba sendo o defeito mais triste do título. O modo cooperativo é totalmente mal trabalhado, não explorando em nada as possibilidades. No modo single player, o segundo personagem apenas segue o boneco do jogador, realizando ações simples e auxiliando em tarefas rotineiras. Há raras situações onde o uso dos dois personagens é usado de forma interessante, como nas partes onde a dupla deve alcançar a tubulação de uma sala, por exemplo. Fora isso, não espere um uso mais inteligente da dupla. Graças a isso, o game não motiva o uso de dois jogadores, afinal, qual seria a utilidade?



As habilidades singulares também não são exploradas de maneira satisfatória. Fora de Josh, que sempre ajuda o jogador a descobrir o que fazer a seguir, nenhuma outra habilidade se torna realmente útil. A de Stan, por exemplo, é a de abrir qualquer porta trancada. Mas quando se adquire um arrombador de trancas, qualquer personagem pode realizar essa ação. As habilidades de luta de Ashley são tão satisfatórias quanto à de qualquer um dos outros.

Outro grave problema está na IA do computador ao controlar o segundo boneco. Enquanto você se preocupa em economizar munição e bateria, o segundo personagem aciona suas armas com qualquer mínimo sinal de perigo. Cada personagem tem um inventario em particular, mas caso os recursos do outro se esgotem, você terá que dar os seus. Ou seja, mais uma frustração vinda de um sistema que poderia ter sido revolucionário.

Conclusão.



Apesar de uma apresentação competente e uma proposta bem interessante, Obscure acaba sendo mais um jogo que cai na maldição das boas ideias e mal desenvolvimento. Usar mais de um protagonista abre um interessante leque de possibilidades, mas nem metade disso é usado. Para quem é fã de longa data do gênero e espera algo realmente novo, acaba se decepcionando com o jogo. De modo geral, Obscure agrada aos admiradores de um bom jogo de terror, tem uma diversão aceitável e um bom sistema de combate. Basta que não se espere nada além do razoável.   



Notal Final.



Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.









2 comentários:

  1. Ótima análise, parabéns, já li sobre esse jogo em algum lugar mas não com tantos detalhes. Ele esta presente em quais plataformas?

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  2. Ótima análise! Esse game é bem desafiador, tem que se gerenciar bem os saves, que são limitados, pra poder progredir no game já que se morre muito, mesmo jogando cooperativo.

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