sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Análise: Prince of Persia - The Sands of Time.




Uma história de magia, aventura e saltos pra lá de malucos!





Prince of Persia foi lançado em 1989, produzido pelo programador Jordan Mechner. A jogabilidade era simplesmente impressionante e realista, servindo de base para games como Tomb Raider, posteriormente. Prince of Persia ainda teve mais games lançados, mas suas continuações passaram longe de ser tão memoráveis quanto o primeiro, fazendo a série ficar esquecida no tempo.



Anos mais tarde a Ubisoft adquiriu os direitos autorais sobre o título e lançou, em 2003, Prince of Persia – The Sands of Time, considerado um dos jogos mais influentes de sua geração. The Sand of Time foi o retorno triunfal do príncipe ao mainstream, apresentando uma jogabilidade sólida e divertida. Os combates apresentam boas idéias, mais são mal executados e chatos.  Já o enredo é simplesmente brilhante, o que é o suficiente para manter o interesse do jogador até fim da campanha.

Enredo.

O rei do império Persa, Shahraman e seu filho, o jovem príncipe (sem nome, igual ao Marine do Doom) invadem o palácio da Índia em busca de vencer o Marajá e roubar seus tesouros.  O rei e seu filho são guiados por Vizier, o conselheiro do rei Persa. Durante a batalha o príncipe encontra uma adaga antiga que lhe dá o poder de controlar o tempo. Junto com a Adaga os persas encontram a ampulheta do tempo e a princesa Farah, filha do Marajá.



Em seguida, o rei e seu filho partem para o palácio do rei Azad, para lhe presentear com a ampulheta do tempo. Enganado por Vizier o príncipe usa a adaga para libertar as areias presas na ampulheta! Essas areias, juntas com a adaga e a ampulheta, tornam seu dono imortal e controlador do tempo, e Vizier deseja esse poder. As areias invadem todo o palácio e transformam a todos em monstros de areia. Sobrevivem apenas aqueles que possuem artefatos do tempo, entre eles o príncipe e a princesa Farah. Agora o príncipe terá de resolver essa encrenca usando a adaga para juntar toda a areia e devolvê-la a ampulheta, contando com a relutante ajuda da princesa Farah. 

Monstros de areia.

The Sands of Time une dois conceitos distintos: Exploração e combate, ambos com seus erros e acertos. Nas primeiras etapas do game, onde o príncipe invade o palácio do Marajá, temos o tutorial para aprender e se adaptar aos controles do jogo. O Príncipe pode saltar, escalar, se agarrar em vãos e colunas, correr em paredes no melhor estilo Le Parkour (com certeza foi ele quem inventou o esporte) e até dar longos e exagerados saltos, seja em barras ou em muros de pedras. Cada movimento é perfeitamente animado e de grande utilidade para vencer os desafios do jogo.

Cada sala funciona como um imenso quebra-cabeça gigante, onde é necessário acionar alavancas e botões, empurrar caixas e se esquivar de muitas armadilhas. Após encontrar a adaga do tempo o jogador terá a habilidade de voltar alguns momentos no tempo, muito útil para evitar mortes desnecessárias quando um movimento for mal calculado. Há uma barra que indica quanto é possível pode retroceder, bem como há também outra barra que diz quantas vezes você pode usar essa habilidade. Seria tão bom se todos os jogos tivessem algo assim.



A outra vertente do jogo é a de combates. Os inimigos do príncipe serão os habitantes do palácio que foram transformados em criaturas de areia. Aqui também há excelentes movimentos, com esquivas e defesas. No entanto os movimentos são muito lentos e muitas das ações parecem depender mais de sorte do que do jogador. Após derrotar os monstros o Príncipe deve usar a adaga para coletar as areias de seus corpos, caso contrário, o inimigo retorna. Os combates consomem boa parte do game, e se não fosse pelos movimentos arrastados, seriam muito mais interessantes. Prince of Persia – The Sands of Time é muito linear. Algo recorrente no game serão as fontes de água que estendem a barra de vida do herói. Fora isso, não há muitos motivos para explorar as fases.

Parte Técnica.

Neste quesito o jogo surpreende. The Sands of Time recria com fidelidade os ambientes persas, árabes e indianos da época. Cada área do palácio apresenta detalhes próprios, com texturas impecáveis e jogo de luz realista. No entanto não há só ambientes luxuosos! Também há calabouços, cavernas, áreas externas, jardins e etc, todos com o mesmo grau de qualidade. Os personagens também apresentam boa modelagem, principalmente o Príncipe em seus movimentos, todos ricos e bem detalhados. Os inimigos até possuem personalidade, mas são repetitivos e o acabamento final não parece ter o mesmo refino que os personagens principais. Nas cenas não interativas a qualidade deixa um pouco a desejar, principalmente se comparar com jogos como Silent Hill 2, Final Fantasy X e Onimusha, que desde o inicio já davam show de qualidade neste quesito. No caso de TSOF não há muitas cenas para ver, apenas nos momentos mais importantes da trama.



Na parte sonora há bons efeitos, embora não sejam ricos. No Playstation 2 os sons são um tanto abafados e acabam não sendo tão claros. A trilha sonora é ótima, surgindo nos momentos de combate, fazendo de The Sands of Time um jogo um tanto silencioso, o que é uma pena, pois a trilha sonora é realmente fantástica. A parte da dublagem também é ótima. O jogo é narrado pelo Príncipe e em diversos momentos há diálogos. É muito divertido ver o Príncipe e Farah discutindo, seja numa cena não interativa ou até mesmo enquanto você está resolvendo um enigma. As vozes são boas e as interpretações convincentes, uma pena o jogo não possuir legendas, o que dificulta para os menos fluentes em inglês.

Aprovado J

Aventura rica em diversão e desafio.


Linearidade não é um problema em TSOT. O jogo mantém um equilíbrio interessante entre ação e aventura. Ambos são extremamente desafiadores. A aventura toda vive de puzzles, mas não será simplesmente coletar objetos ou ativar botões e alavancas. Prince of Persia traz cenários enormes que são verdadeiros quebra-cabeças, cuja solução está no uso certo de cada movimento que o Príncipe possui. Em cada save point do game o príncipe terá uma visão do futuro, que mostra ao jogador imagens fragmentadas das puzzles seguintes. É divertido buscar a solução de cada desafio, que por vezes é vencido de uma maneira tão simples que você vai se perguntar como não havia pensado na solução antes.

No caso de um movimento errado é possível evitar a morte voltando no tempo com o auxilio da adaga. Isso por que há muitas armadilhas nos lugares mais improváveis e é muito fácil cair nelas. O game não abre espaço para muitos erros e o menor descuido resulta numa tela de game over. É necessário muito estudo do ambiente e testar as possibilidades. Por isso o uso da adaga se torna necessário quando as tentativas falham. A adaga ainda permite a desaceleração do tempo, que funciona basicamente como um Bullet Time, onde a cena fica toda lenta. Mas além de deixar os inimigos mais lentos essa habilidade também é útil na resolução de algumas puzzles, como alcançar portas antes que fechem. O jogo fica mais desafiador a cada nova etapa. 
  
Reprovado L

Combates arrastados.

Os combates deveriam ser tão atraentes quanto à exploração! Mas os problemas técnicos presentes nesse setor são impossíveis de ignorar. Enquanto travar as batalhas contra os inimigos o Príncipe pode esquivar e defender golpes. Há alguns combos bem eficientes que ajudam a derrubar os inimigos. No entanto a resposta dos comandos não é nada suave, deixando as lutas muito frustrantes. 



A defesa também parece funcionar quando quer, não dando nenhuma confiança ao jogador. As câmeras se encarregam de ser uma fonte de irritação constante, mas nos combates ficam ainda mais horríveis, pois é totalmente desconfortável mexer no ângulo de visão quando se está cercado por muitos monstros.

Conclusão.

Prince of Persia – The Sands of Time foi um excelente início para uma das trilogias mais aclamadas da geração passada. As idéias da Ubisoft ajudaram a influenciar muitos jogos que vieram nos anos seguintes. É um jogo de grandes possibilidades, com puzzles bem trabalhados e desafiadores. Os combates até tem alguma diversão, mas os controles meio travados e as falhas na parte de defesa e esquiva dificultam esses momentos, com câmeras que conseguem os ângulos mais inapropriados possíveis. 



De longe, a parte mais atraente é a narrativa, que consegue prender o jogador sem esforço. O carisma do Príncipe encanta os jogadores, e a trama gira em torne de guerras, orgulho e auto conhecimento, que são bem transmitidos ao longo de todo game. Prince of Persia - The Sands of Time é diversão garantida do inicio ao fim.


Nota final.




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.










2 comentários:

  1. Ótima análise!Estou pensando em ainda investir nessa série pois parece muito legal mas não sei por onde começar. :P

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    1. Valeu, Andre!

      Mas então, comece pelo Sands of Time. Pessoalmente, não curto os games antigos da saga :P chatos demais até pra mim, que sou um retrogamer confesso!

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