quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Artigo: Violência nos games - Prejudicial de verdade ou só balela?





E mais uma vez, os games levam culpa!




Nota: Quero agradecer imensamente aos seguidores do Alvanista, que opinaram com sabedoria e me ajudaram a estruturar este artigo. Valeu, gente!


Da década de 80 pra cá os vídeo games evoluíram muito rápido, até mais rápido do que a indústria do cinema, por exemplo. A cada geração os games vêm sofrendo uma máxima em gráficos, de modo que alta definição se tornou padrão, mesmo em produções modestas. Com tantas mudanças e variedades, o conteúdo adulto e violento dos jogos também cresceu de forma considerável. Por isso, hoje se tornou muito comum a critica aos jogos de conteúdo mais violento. Do mesmo modo, tem se tornado normal títulos de ação com cenas cada vez mais brutas e chocantes. Em cima disso tudo, discussões cada vez mais calorosas e, muitas vezes, infundadas, vem fazendo parte da mídia especializada.

Splatterhouse (PS3/X360)

Segundo a impressa, os jogos violentos são culpados por pelo menos 90% das fatalidades no mundo. Se por um lado a informação é exagerada, por outro, há de se concordar que algumas empresas se empolgam em suas produções, gerando essas criticas cada vez mais batidas na mídia. Afinal, será mesmo que um jogo pode influenciar a cabeça de uma pessoa?

Quando e onde começou?

Até o inicio da década de 90, vídeo games era o tipo de produto voltado exclusivamente para crianças e adolescentes até certa idade. Esse cenário começou a mudar em 1993, quando a ID Software lançou o mais icônico game de tiro em primeira pessoa da história. Doom arrebatou um publico fiel e segue firme e forte até os dias atuais. O game impressionou com sua temática obscura, envolvendo uma guerra entre demônios e um único homem. A quantidade de sangue e os corpos mutilados e empalados chocaram o publico. Os games eram tão direcionados para as crianças, que muita gente nem assimilou que Doom era o inicio de um novo universo, onde games seriam feitos para um publico mais adulto.

A violência explicita de Doom revolucionou os jogos de tiro e incomodou
muita gente.

Na primeira metade dos anos 90, outros games de conteúdo similar assumiram as prateleiras do mundo todo. Entre esses títulos, citamos os mais famosos: Heretic, Quake, Hexen e Doom 2, todos da ID Software. Nos anos seguintes, games do gênero se tornaram mais do que comuns nas lojas do mundo todo: Blood, Postal, Duke Nukem 3D, Grand Theft Auto (GTA) e etc. Mais comum que isso, só o grupo de moralistas que se criou apenas parar falar do “mal” que os games podem causar.

No primeiro game da série Postal, você assume o papel de um carteiro insano que
decide matar as pessoas na cidade, por pura diversão. Postal 2 seguiu a mesma
linha e continua sendo um dos jogos violentos mais repudiados da história.


Da onde vem essa mania de culpar games pelas tragédias do mundo?

O primeiro caso famoso de “mortes envolvendo games” foi em 1999, o famoso Massacre de Columbine. No dia 20 de Abril daquele ano, os jovens Eric Harris e Dylan Klebold entraram no Instituto Columbine e atiraram contra colegas e professores, ferindo vinte e uma pessoas e matando quinze. Após matar os colegas, os jovens cometeram suicídio.

O Massacre de Columbine ganhou as manchetes de todo mundo naquele ano. Com o passar dos dias, mais informações sobre o caso chegavam à mídia. Sobrou pra muita gente! Os jovens eram apaixonados pelo nazismo. A data escolhida para o massacre era a mesma do nascimento de Hittler. Eles faziam parte de um grupo chamado de Máfia da Capa Preta, eram fãs de Marylin Mason e... Fãs de Doom. Em seus computadores foram encontradas fases criadas por eles próprios, inclusive algumas que pareciam fazer referência ao massacre que vinham planejando. Sobrou até pro Matrix, devido à referência do nome do grupo. Vale lembra que na época o filme ainda nem havia chegado oficialmente aos cinemas.

Dylan Klebold e Eric Harris, responsáveis pelo massacre de Columbine.

No final do mesmo ano, outro caso triste caso de violência ocorreu; dessa vez aqui mesmo, no Brasil. O estudante Mateus da Costa Meira, de 29 anos, entrou em uma sala de cinema de São Paulo onde era exibido o filme “Clube da Luta” e saiu atirando contra os expectadores, matando três e ferindo quatro pessoas. Sob efeito de drogas e com problemas psicológicos, Mateus afirmou ter enxergado monstros de Duke Nukem 3D, exatamente igual à primeira fase do game. Com tais acontecimentos, vários jogos de ação foram proibidos, entre eles Doom e Duke Nukem 3D.

Duke Nukem 3D. Por que você não roda no Windows 7? :(


Com o passar dos anos muitos debates surgiram em torno do assunto. O mundo todo discutia se vídeo games era nocivo ao publico ou não. Qualquer mínima menção violenta era suficiente para pedir a proibição de um jogo, mas a cada ano essa história perdia força na mídia e estava a ponto do feliz esquecimento. Mas no dia 7 de abril de 2011 o Brasil viveu uma de suas histórias mais tristes. Welligton Menezes de Oliveira, de 23 anos, entrou na Escola Municipal Tasso de Silveira, com duas pistolas, e disparou contra alunos e professores. Ele matou doze alunos entre 13 a 16 anos e cometeu suicídio antes de ser capturado. O caso conhecido como Massacre de Realengo também ganhou o mundo, sendo considerado o caso de massacre mais hediondo de nosso país. Na rotineira investigação que precedeu o caso, foi comprovado e Welligton sofreu Bullying na mesma escola que cometeu os assassinatos. Ele sofria de distúrbios psicológicos e era obcecado por massacres e terrorismo. Sua paixão por violência também se estendeu aos games violentos, os quais ele consumia em excesso. Não é preciso dizer que o caso trouxe à conversa a tona de novo, não é?

E mais uma vez os games são alvos de polêmica. No inicio deste mês, Marcelo Passeghini, de 13, anos, matou o pai, a mãe, a avó e a tia avó, cometendo suicídio na manhã seguinte ao crime. Apesar de vários depoimentos de familiares e amigos dizendo que Marcelo era adorável e tinha o pai como herói, o garoto já falava para alguns colegas mais próximos do sonho que tinha de se tornar um assassino profissional e matar toda a família. Em meio a isso tudo,  a policia foi vasculhar o facebook do garoto e... Encontrou uma foto do Assassins Creed III no perfil do menino. Logo, foi divulgado que Marcelo era obcecado por um jogo onde você era um assassino. Bem sugestivo, não é mesmo?

Perfil do Facebook de Marcelinho. 


A culpa é de quem?

Há muitos outros casos parecidos na mídia, mas esses foram os mais famosos, pois alguns deles ganharam projeção mundial. Em todos eles houve algo em comum. A mídia parece que se esqueceu de uma série de fatores que levaram os assassinos a fazer o que fizeram, se concentrando apenas em culpar os jogos pelo acontecido. Injusto? Com certeza! Sem fundamento? Pra mim sim! Mas tudo depende do ponto de vista de quem analisa!

Assassin´s Creed é uma franquia conceituada e premiada, graças a seu enredo bem trabalhado e totalmente inspirado em
fatos históricos reais. Infelizmente, um assassino vai marcar esta brilhante obra!


Antes de tudo, temos de entender que jogos de vídeo game mechem sim com o consciente. Mas isso não significa que seja de modo prejudicial. Pesquisei a fundo os três casos citados, e você não precisa ler com toda atenção para sacar que todos os assassinos tinham desvios psicológicos. Quer dizer, eles não jogavam games violentes para se sentirem influenciados, já tinham influencia suficiente, encontrando nos jogos uma maneira de começar a satisfazer seus desejos sombrios. Mas com ou sem eles, mais cedo ou mais tarde eles teriam feito o que fizeram. Mas por que essa mania chata de culpar só os games? É meio que similar aos fanáticos religiosos, que preferem culpar Deus ou o Diabo pelas merdas que o ser humano faz em vida. A sociedade parece achar mais conveniente acreditar que um simples jogo pode fazer um Bono Vox virar um Bin Laden em questão de minutos, e ignora que games podem perturbar a pessoa que JÁ APRESENTA DISTURBIOS. Mas nunca ouvi falar de uma pessoa normal que foi modificada por um jogo.

Mas e ai? Um cara com esquizofrenia, drogado ou com tendências psicopatas coloca as mãos em Postal, a culpa é da produtora? Do cara que vendeu o jogo? Do site que disponibilizou o jogo? Ou será que é da família, que simplesmente, fecha os olhos para a situação? O mesmo acontece com os moralistas e religiosos que falam das crianças que jogam GTA, God of War e Resident Evil. PELO AMOR DE DEUS, QUE TIPO DE PAI COMPRA GTA PRA UMA CRIANÇA DE 10 ANOS JOGAR? Acredite, eu com 10 anos de idade fui censurado ao jogar Doom. E isso é errado? Claro que não (ainda que eu tenha ficado #chatiado na época)! A ESRB existe por um motivo: Classificar games segundo o seu conteúdo. Ora, se existe uma classificação, por que um pai e uma mãe não prestam atenção na faixa etária do jogo? Foi-se o tempo em que jogos de vídeo game eram apenas para crianças. 

E os estúdios? Tem exagerado nos games?

Em minha opinião, há sim algum exagero! Jogos como Postal, por exemplo, meio que abusam de uma violência gratuita e bastante incomoda até para alguns jogadores mais “sádicos”. Mas e ai? A indústria do cinema faz filmes de terror cada vez mais violentos e brutais. Há muitos livros com histórias pesadas. A própria música tem sua cota de violência e gore, escute bandas como Cannibal Corpse e você entenderá do que estou falando. Ou seja, há esse conteúdo nos games, assim como há em qualquer filme na televisão e até em novelas. Por mais violento que possa ser um conteúdo, ainda não há estudos concretos que comprovem que uma pessoa em perfeito estado mental (o que não se aplica aos casos acima) possa virar um assassino do dia pra noite por que matou alguns caras com um caco de vidro enquanto jogava Manhunt.

Em Manhunt você controla um assassino condenado, que deve
matar outros criminosos enquanto é filmado por um diretor de Snuff Movie.

Mas preste atenção: Não é por que existem jogos violentos no mercado que você é obrigado a consumi-los. Se você é sensível a cenas mais sangrentas, saiba que há excelentes opções de games no mercado que lhe agradarão e não chocarão. Já as crianças precisam ter um maior acompanhamento dos pais quanto ao que jogam. Na minha infância meus pais compravam jogos comigo, e não me deixavam jogar nada que fosse fora da minha faixa etária. Hoje um pai e uma mãe dão R$ 200.00 pro filho e ele compra um Call of Duty: Black Ops II em qualquer shoping da cidade, e esses pais nem se preocupam em saber o conteúdo do jogo. As lojas também deveriam fazer a sua parte, já que a venda de games com classificação acima de 16 anos para o publico infantil é expressamente proibida, podendo até mesmo gerar multa para a loja que o fizer. Existem filmes e programas de TV para adultos; o mesmo se aplica aos games. E nós adultos, que temos maturidade para jogar games assim, não devemos ser privados desse direito.

Culpe quem tem culpa e deixe os jogos em paz!

Enquanto alguns políticos e a impressa jogam a culpa pra cima dos games violentos, muitos valores humanos e familiares vão se perdendo. Enquanto os jogos de vídeo game levam a culpa por comportamentos, vem uma novela em que um dono de hospital rico vem falar de moral e respeito. Enquanto isso, ele trai a esposa, adota a própria filha fora do casamento, despreza e chantageia o filho que é homossexual e tem um caso com a secretária... E o cara vem falar de moral, respeito e de como ser um homem de caráter! ¬¬

Também não estou jogando a culpa em novelas. Mas acho que a falta de família ainda é o fator crucial para muitos dos casos tristes que temos acompanhado, igual ao recente Marcelo Passeghini, que nunca saberemos o que de fato acontecia em sua família. Mas ta na hora da sociedade ter um pouco mais de coerência na hora de interpretar aquilo que nos é apresentado, uma vez que um dos jornalismos que mais vem crescendo em nosso país é pago pelo pastor mais sujo, manipulador e corrupto que o país conhece.

Você leitor, que não gosta de jogos violentos, tem todo direito de não gostar e de não consumi-los, mas nunca de condená-los. Você que lê este blog e é pai, controle o que seu filho joga. Uma criança de 11 anos pra baixo ainda não tem maturidade o suficiente para lhe dar com conteúdos mais violentos e é preciso um acompanhamento. Mas nós, jogadores adultos com perfeitas faculdades mentais, temos direito de consumir aquilo que queremos, sem que haja tantas discussões e proibições sobre algo que não leva a nada.


Escrito por: Lipe Vasconcelos.






2 comentários:

  1. Na época do Hitler , não existiam VideoGames , como são explicados todos os Massacres ? minha teoria : VideoGames são concorrentes diretos da mídia Televisia e Escrita , isso os afeta , pois os VideoGames estão tirando audiência deles , e , consequentemente eles estão sendo prejudicados financeiramente com isso , por isso essa perseguição com os VideoGames , essa é minha teoria.

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  2. Muito bem escrito o artigo. Parabéns!

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