domingo, 24 de novembro de 2013

Análise: Dirge of Cerberus - Final Fantasy VII





De personagem opcional a herói principal!



Quando falamos de Final Fantasy, a maioria dos jogadores é transportado para 1997, quando o lendário Final Fantasy VII fez a franquia ecoar forte pelo mundo todo. Nove anos depois, a Square Enix celebrou o sucesso de seu game com o “Compilations Of Final Fantasy VII”, trazendo o filme Advent Children, os games Crisis Core (Celular), Before Crisis (PSP) e Dirge of Cerberus (PS2). Enquanto o filme funcionava como uma sequência para o game do PS1, os títulos interativos se focavam em algum ponto especifico da série. No caso de Dirge of Cerberus, destrinchar o passado de um dos personagens do grupo liderado por Cloud Strifer.



Nada mal para o Sr. Vincent Valentine, que era um mero personagem opcional em FFVII (provável motivo pelo qual sua história não foi aprofundada no game). Dirge of Cerberus explora uma vertente bem diferente, tanto para série, quanto para uma produtora de RPG´s: A de tiro em terceira pessoa. O resultado final é um jogo bem interessante, com mecânicas que chamam atenção. O problema do game são ideias trabalhadas de modo mediano aliadas com falta de requinte técnico. No geral, Dirge of Cerberus é divertido e merece atenção, mas não procura inovar em nada, nem dentro da franquia e nem no gênero de tiro.

Enredo.

O game situa-se três anos após os acontecimentos de FFVII.  Reeve Tuest, que no passado trabalhava para a Shinra e controlava o robô Cath Sith, agora lidera um grupo chamado WRO (World Restoration Organization), que toma para si a missão de reconstruir o mundo que a Shinra destruiu. O WRO vem enfrentando uma nova ameaça chamada Deep Ground, um grupo secreto da Shinra treinado para ocasiões extremas.



O grupo está reunindo uma grande quantidade de Lifestream e procurando algo chamado de protomateria. Além disso, começam a caçar Vicent Valentine, que se isolou do mundo após a derrota de Sephiroth. Diante disso, Vicent se junta a Reeve para combater a Deep Ground e descobrir qual o real interesse que o grupo tem nele. Ao longo do game o passado misterioso de Vincent é desenrolado.

Tiros e RPG.

Dirge of Cerberus é um game de tiro em terceira pessoa, tendo sua mecânica baseada em títulos como Max Payne, 24: The Game e etc. Vincent atravessa os cenários enquanto combate os soldados da Deep Ground, seja na base do tiro ou dos golpes corpo a corpo. Por ser um jogo fruto de uma série de RPG, Dirge of Cerberus conserva elementos básicos dessa vertente, já que o atirador pode subir de níveis ao fim de cada fase.



A mecânica do game é bastante amigável, tanto nos combates quanto na exploração. A dificuldade vai de moderada para baixo. O público casual terá pouco trabalho para terminar o game, enquanto os mais experientes vão apreciar uma jogabilidade simples, mas sem grandes desafios. Essa baixa dificuldade, aliada a problemas técnicos e inimigos muito parados, prejudicam um jogo que poderia ser bem mais grandioso.

Parte Técnica.

Visualmente falando, Dirge of Cerberus é bem agradável, ainda que não pareça acompanhar a evolução gráfica do Playstation 2. A ambientação é bem construída, trazendo localidades clássicas, como Kalm Town, Shinra Manor e Shinra Build. Quem for fã de Final Fantasy VII vai se sentir encantado em reencontrar lugares tão ilustres. Até mesmo o Highwind pode ser visitado pelo jogador.

Os detalhes são bem bacanas e as texturas foram bem aplicadas. Há interessantes efeitos de fogo em algumas fases e constante fumaça. É interessante ver que tais efeitos foram bem acabados, sem ficar aquela sensação de coisas quadradinhas. Os personagens apresentam excelentes modelagens, com um nível respeitável de detalhes. As animações correspondem bem e apresentam naturalidade, completando o belo trabalho gráfico dos bonecos. O brilho maior do título está em algumas cenas não interativas, que usam uma qualidade exuberante, equiparada até mesma com a qualidade de Advent Children.


No quesito sonoro não há muito destaque. Para um jogo de tiro em terceira pessoa a sonoplastia não é nada convincente. Falta aquele “punch” no disparo das armas e nas explosões. A falta desse impacto gera um inquietante vazio no decorrer das partidas, tirando qualquer empolgação nas cenas de ação. Nas dublagens a qualidade é mediana. Alguns dubladores realmente se destacam, como o de Vincent, com aquele ar enigmático na voz. A voz de Shelk também agrada, pois reproduz bem a frieza da garota diante de algumas situações.

Na trilha sonora tudo é bem estranho. Não que não haja canções boas, mas a trilha é um tanto fraca perto de outros medalhões que a franquia possui. Também faz falta ouvir algum tema remodelado de FFVII. Nenhuma canção do jogo original foi usada aqui, e acredite, sendo um jogo baseado numa obra tão aclamada como FFVII, isso é quase um pecado mortal.

Aprovado J.

Mecânica simples e divertida.

Para uma série de RPG, Dirge of Cerberus não chegou a fazer tão feio no gênero tiro em terceira pessoa. Temos aqui um título de ação moderado, que em meio a erros e acertos, consegue entregar uma experiência bem divertida, mesmo não sendo inovadora. O maior trunfo deste game é unir alguns dos principais elementos de Final Fantasy VII em um jogo de ação.



Vincent usa um modesto e poderoso armamento em sua missão. O game oferece uma calibragem amigável da mira, sendo possível escolher entre automática, semi-automática ou totalmente manual. Por padrão, o game está configurado na semi-automática. Além de simplesmente sair atirando, o jogador pode entrar em uma visão em primeira pessoa, sendo possível mirar de forma mais precisa para acertar pontos vitais de seus oponentes. 

Algumas boas possibilidades de combates esbarram na falta de inteligência inimiga. Os oponentes são burros, mas não devem ser subestimados, pois Vincent pode perder muita energia quando alvejado por mais de três oponentes. Também há os ataques corporais. Mas estes não parecem funcionar direito, pois o atirador parece ter problemas em acertar o oponente com os golpes, ficando a impressão de má programação do melee atacks. 

Para incrementar um pouco os combates, o ex-turk pode combinar o poder das matérias às suas armas, produzindo tiros mais poderosos e devastadores. Além disso, é possível usar o clássico Limit Breaker, transformando Vincent, por alguns segundos, em uma besta poderosa com ataques corporais potentes e a habilidade de lançar bolas de fogo.

Tiros com RPG.

Mesmo direcionado para a ação, é claro que Dirge Of Cerberus conserva elementos de RPG da franquia. As fases são lineares, mas no decorrer das mesmas pequenas missões serão propostas. Nada de grandioso, é claro. Essas missões consistem em salvar civis, auxiliar os soldados da WRO em combates e coletar dados. Ainda há uma curta e divertida parte onde controlamos Cath Sith enquanto o robozinho invade um dos reatores Mako.

Ao fim de cada fase há uma contagem pontos. Nesta soma vários fatores serão levados em conta: Tempo levado para terminar a fase, desempenho nas missões secundárias, número de itens usados, precisão de mira e etc, sendo atribuída uma nota ao fim dessa soma (quem conhece Devil May Cry já sabe como funciona). Ao fim dessa contagem o jogador pode converter os pontos em XP ou em Gill. Convertendo pra XP, Vincent subirá de nível, melhorando seus atributos.  
  
Também é possível montar seu arsenal. É que Vincent pode coletar somente pedaços das armas, sendo necessário montá-las dentro de um menu de customização. Serão pedaços como Cerberus, Griffon e Long Barrel, as responsáveis pelo seu poder de fogo. Usando o Gill é possível comprar upgrades para seu armamento, além de munição, Potion, Ether, Phoenix Down e até Limit Break. Felizmente, Dirge of Cerberus conta com um excelente acesso rápido aos itens, de modo que o jogador não precisa pausar o jogo constantemente para recuperar HP ou MP. Mas para evitar frustrações durante a luta contra chefes, itens de cura podem ser utilizados enquanto o jogo estiver pausado, o que é realmente gratificante em algumas situações. A troca de armas também é feita em tempo real.

Reprovado L.

Enredo aceitável, mas sem inspiração.

Falar que este quesito é um contra é mais uma questão de opinião, e não verdade absoluta. Mas, no meu ver, o único ponto realmente alto do enredo de Dirge of Cerberu é descobrir a história de Vicent. É realmente interessante, até por que o passado do herói se entrelaça um pouco com a origem do icônico Sephiroth. Claro que a história não é ruim. Há revelações bem fortes e personagens novos bem carismáticos, como Shelk e Rosso: The Crimson. A história também ganha um desfecho grandioso e empolgante.



Mas de modo geral, o que parece ser mais frustrante em Dirge of Cerberus é que a trama toda coloca somente um personagem como centro das atenções. Tá certo que em FFVII Cloud era o principal da história. Mas todos os heróis do grupo ganhavam algum destaque, ou faziam algo importante. Em Dirge of Cerberus o próprio Cloud é colocado como um mero figurante na trama toda. Talvez para aqueles que nunca tenham tido contato com Final Fantasy VII esse ponto pode ser pouco importante. Mas quem conhece o clássico do PSone sente que a trama de Dirge of Cerberus deixa um pouquinho a desejar. Eu também sei que o jogo foi pensado para focar em Vincent. Como eu disse, questão de opinião!

Monotonia em alguns combates.

Apesar do excelente sistema de combates e da mira bem calibrada, Dirge of Cerberus entrega inimigos burros e lentos, que dificilmente trarão alguma dor de cabeça para o jogador. Todos os soldados da Deep Ground parecem seguir o mesmo padrão; avistam Vicent, atiram sem parar e, por vezes, se abaixam e levantam de novo. Eles não tentam nem se esconder. Por vezes, será necessário usar um rifle para abater francos atirados, que também farão sempre as mesmas ações.



Eu acredito que, pelo fato de serem burros, os soldados da Deep gostem de atacar em bando, e isso é perigoso, pois basta uma rajada certeira de tiros para levar à vida de Vicent a zero. Nos dois últimos capítulos do jogo as fases parecem se estender mais do que deveriam, de modo que os tiroteios meio que forçam a barra e cansam demais. Ainda bem que o desfecho do game e a luta contra o ultimo chefe farão tudo isso valer a pena.

Conclusão.

Entre erros e acertos, Dirge of Cerberus cumpre bem o seu papel. É um game competente, que traz efeitos visuais bacanas e sonoplastia mediana. O sistema de tiro não foge muito da zona de conforto já vista em outros títulos do gênero; correr, atirar e esquivar, mas sem uma reação mais efetiva dos inimigos. Pelo menos a jogabilidade garante a diversão e atenção do jogador, mesmo que nas fases finais acabe abusando um pouco da paciência.



Talvez a parte mais incômoda do game é que se esperava muito mais de um produto que veio para complementar a história do RPG mais importante da Square. Se por um lado é interessante descobrir sobre os mistérios de Vicent, por outro, é bem decepcionante ver um enredo tão ralo para os acontecimentos que levam Vicent a uma nova guerra. 

Algumas pessoas podem concluir que este é o tipo de produto que vai chamar atenção mais dos fãs de Final Fantasy VII. Isso é injusto, pois até quem nunca jogou um único título da franquia vai se divertir com o game. Mas com certeza, os novatos não terão impacto algum diante de algumas descobertas sobre Vincent. 

Passando por suas contrariedades, Dirge of Cerberus consegue divertir o jogador com uma campanha sem compromisso. Ainda há 40 missões especiais a se jogar após terminar o jogo. Essas missões dispensam tutoriais ou vídeos que contam algum enredo. Vincent deve fazer alguns favores a Reeve, sempre detonando tudo com o melhor que a jogabilidade oferece. Ainda que seja aquele caso de “jogar sem esperar nada de extraordinário”. Vale a pena conferir Dirge of Cerberus.




NOTA FINAL.





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.









  
         

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