domingo, 10 de novembro de 2013

Análise: The Godfather - The Game.




Mantenha seus amigos perto, e seus inimigos mais perto ainda.





Baseado no Best Seller de Mario Puzzo, The Godfather é uma das obras cinematográficas mais enriquecedoras do cinema. A trilogia de “O Poderoso Chefão”, dirigido por Frances Ford Coppola, é digna de aplausos, uma obra que todos têm a obrigação de conhecer, independente da idade ou geração. 

Quando a Eletronic Arts anunciou que estava desenvolvendo um game inspirado no universo dos Corleones houve uma série de criticas e rumores, com direito ao próprio Coppola reprovando a tentativa. Felizmente, The Godfather – The Game cala a boca de todos os pessimistas, entregando uma versão muito mais polida e interessante da mecânica criada pela franquia GTA. Sim, o game bebe das fontes da obra da Rockstar, mas de maneira mais intensa.  

Bem vindo à família.

O game narra os acontecimentos do primeiro filme da trilogia, contando a história da família da Corleone, acontecida entre os anos 40. Don Vito Corleone é um homem poderoso, com muitos contatos políticos. Seus negócios consistem no comando do jogo ilegal e do contrabando em Nova York. Mas o título não é destinado a desenvolvera história do filme. Alias, se fosse esse o foco, seria bem fraco, já que muitos eventos acontecem fora da ordem da obra original. O jogador assume o controle de um jovem rapaz que é filho de um afilhado de Don Vito. O pai do protagonista foi morto por "negócios da família" e o menino cresce nas ruas e no mundo do crime. Depois de adulto, o rapaz é recrutado para ser um soldado a serviço dos Corleone.



Em resumo, seu personagem é um mero coadjuvante nas ações decisivas da obra, fazendo com que cada evento memorável do filme dependa das ações do jogador. Por exemplo: É você quem vai ajudar a colocar a cabeça do cavalo Karthum na cama de Jack Woltz, esconder a arma no banheiro do restaurante para Michael Corleone matar Sollozzo e até levar Don Vito ao hospital após ser baleado. Você será o principal homem a serviço de figuras como Lucca Brazi, Peter Clemenza e o próprio Michael Corleone. Claro que o seu personagem também vive seus dramas pessoais. É muito divertido em ver como a história do protagonista do game se encaixa perfeitamente com os eventos do longa.

GTA dos anos 40.

The Godfather faz uma brilhante adaptação do universo do filme para o mundo aberto. No inicio do game há algumas fases para ensinar os comandos básicos. A principio parece que há muita coisa para aprender, uma vez que os tutoriais parecem um tanto longos. Passada as missões de treino, é hora de aprender a se virar sozinho. O jogador fica livre para explorar a cidade e procurar por missões. De certa forma, The Godfather não é tão numeroso quanto GTA em suas missões, isso vale tanto para o roteiro principal quanto para as missões paralelas.

O conteúdo também não é dos mais variados, mas é salvo pela excelente mecânica de combate. A exploração da cidade também é muito agradável e divertida. As missões variam de escoltas a serviços mais sujos para a família, sempre se dividindo entre tiroteios, combates corpo a corpo e perseguições em carro.

As missões paralelas são poucas. Geralmente serão serviços de assassinato por encomenda, assalto a bancos e tomar pontos comerciais de outras famílias. Está ultima consegue tomar bom tempo do jogador, principalmente para quem quiser desvendar cada segredo que o game tenha guardado. Além disso, as missões paralelas conseguem ser tão divertidas quanto às principais.



Para total imersão no game é preciso entender como a vida nas ruas funciona. Há cinco famílias espalhadas por Nova York: Coleones, Tataglias, Cuneo, Stracci e Barzine. Cada família comanda um distrito especifico de Nova York e vive em relativa paz. Em cada distrito há diversos comércios: padarias, barbearias, prédios e hotéis. O fato é que cada família é responsável pela proteção dos estabelecimentos de seu distrito, mas nada impede que você “ofereça” proteção em comércios que pertencem a outras famílias. Nas primeiras horas de jogo basta que você fale com aquele "jeitinho", que o dono do comércio aceita a proposta. Mas na maioria das vezes sua oferta não será tão bem aceita, sendo necessário apelar para a força. Na maioria dos casos será necessário "convencer" o comerciante.

Cada individuo possui maneiras próprias de persuasão; uns cedem mais rápido quando são violentados, outros ficam em pânico quando o mafioso saca uma arma e começa a matar os fregueses, ou então, quando destrói o interior da loja. Ao praticar essas ações uma barra de tolerância surge no canto da tela, ela se enche na medida em que o comerciante é agredido. Quando esse contador chega à zona verde significa que o individuo estará disposto a fechar um acordo com a família Corleone. Mas caso o contador ultrapasse para o nível vermelho tudo estará perdido, o comerciante vai reagir e inevitavelmente você terá de matá-lo, ou então morrer!

Além de oferecer proteção aos comércios você também deve tomar controle dos negócios ilegais. Quase todos os estabelecimentos possuem uma porta escondida nos fundos, que darão acesso a um mercado de contrabando. Mas nesses casos basta conversar com o dono do negócio, sem agredir. O grande problema é que isso significa mexer com uma família rival, que não vai gostar nenhum pouco de ver seu protegido ameaçado, e tentará impedir você de cumprir sua negociação, tornando os confrontos inevitáveis. É preciso ficar atento a barra que mede o nível de relacionamento com as demais famílias. Concentrar seu ataque no território de uma só família significa começar uma guerra com a mesma. Nesses casos, o melhor a fazer é esperar a guerra terminar, ou então, subornar um agente do FBI para por fim ao confronto. A segunda opção é sempre a mais indicada, pois durante uma guerra fica impossível andar pela cidade sem ser atacado de surpresa.



The Godfather conta com um excelente sistema de experiência. Ao fim de cada missão o mafioso ganha dinheiro e respeito diante das famílias. Também são dados pontos de experiência que podem ser distribuídos entre vários atributos. É possível melhorar a pericia em armas e combates diretos, esperteza nas ruas e etc. Esse sistema funciona de maneira incrível! Você notará quando tentar roubar um carro no inicio do jogo, por exemplo, que alguns motoristas nem darão atenção ao protagonista. À medida que o mafioso sobe de nível e ganha promoção dentro da família, é possível comprar novas habilidades, armas e roupas. Com o tempo você percebe que as pessoas passam a tratar o personagem com maior respeito e alguns até temem sua presença. A dirigibilidade pela cidade também está ótima. É muito comum neste tipo de game encontrar controles desastrados enquanto dirige um carro. Mas em The Godfather sua única preocupação será não se perder pelo mapa extenso da cidade.

Combates de nível.

The Godfather tem uma variedade aceitável de armas: fuzil, espingarda, revolver e até bombas e granadas caseiras. A calibragem da mira é ótima para os mais experimentes, já os novatos podem travar a mira em um inimigo e mandar bala. O sistema de cobertura também é excelente, podendo ficar escondido na esquina de uma rua ou um beco, caixas e carros. Essa possibilidade deixa os combates bem mais dinâmicos, e levando em conta que os inimigos em geral apresentam uma boa IA, será necessário fazer bom uso de cada tática que o jogo pode oferecer, principalmente em tiroteios mais furiosos. A ação é constante e divertida, resultando em bons momentos de adrenalina ao jogador.



Os combates corpo a corpo merecem crédito apenas pela sua criatividade e variedade de golpes. É possível fazer coisas simples como socar, dar joelhadas e cabecear os oponentes. Ainda há técnicas diferentes, como bater a cabeça do pobre coitado na parede, mesa, estrangular e matar sufocado. Há até um botão para executar seu inimigo. Se estiver usando um taco, por exemplo, o protagonista quebrará o pescoço do mafioso usando a arma. Com revolveres podemos ver nosso oponente morrer com um tiro a queima roupa e etc. São cenas bem violentas e nada recomendadas para crianças. Infelizmente os controles não são muito seguros nos confrontos diretos, isso por que The Godfather faz uso dos analógicos para aplicar golpes, sendo que é necessário manter o L1 e R1 pressionados na hora de bater em alguém.

Parte Técnica.

The Godfather chegou ao mercado em meio à transição de uma geração para outra, o que significa que o game se saiu melhor em gráficos na versão para computador (As versões para X360 e PS3 vieram só algum tempo depois). No entanto há de se admirar que o Playstation 2 consegue digerir bem o complexo mundo de The Godfather.

O grande destaque vai para a direção de arte, que recriou com grande verossimilhança a Nova York do século 40. As construções, as ruas, os figurinos e carros foram bem modelados e mantém a identidade daquela sociedade. Os efeitos de fogo e explosão estão bem aplicados no console da Sony; claro que o preço a pagar é uma queda de taxa de quadros, mas nada que realmente prejudique diretamente na jogabilidade. No entanto alguns detalhes como, o vento soprando e algumas fumaças mais complexas, estão presentes apenas na edição para PC. As ruas são bem habitadas, tanto de pedestres quanto de trafego de veículos. É realmente interessante ver que Nova Iorque é bastante viva e detalhada.



A modelagem dos personagens está de tirar o chapéu. The Godfather usou a mesma técnica de captura de rosto que 24 The Game, mas o acabamento é muito mais detalhado. Você reconhece os rostos clássicos de atores como Marlon Brando, por exemplo. Nas cenas não interativas fica evidentes cada detalhe de pele nos rostos, bem como as roupas e tudo mais. Infelizmente Al Pacino não liberou o uso de sua imagem no game, o que causa um contraste quase gritante ao ver que Micheal parece um total desconhecido junto de outros personagens da obra. Há uma boa variedade de pessoas andando pelas ruas de Nova Iorque. Claro que há muitas repetições, mas os bonecos possuem personalidade. No inicio do jogo você pode criar o seu personagem; escolhendo o tipo e a cor do cabelo, formato do corpo, olhos e etc. Mas aqui também a versão do PS2 perde um pouco, pois na versão para PC a variedade para construção de personagem é muito maior. 



A parte sonora está ótima. O jogo é rico em sons de ambiente, carros passando, vozes vindo de vários lugares e etc. Nos combates espere por intensos sons de tiroteio, explosões, carros batendo e vozes furiosas, tudo com um nível de impacto e realismo fulminante. O som das armas merece destaque graças a uma excelente sonoplastia. O suporte ao Dolby Pro-Logic II ajudará o jogador a curtir mais intensamente cada efeito.

A parte sonora do jogo é boa por usar a exaustão a trilha do filme. Apesar da canção em si ser belíssima ,temos de concordar que após algum tempo passa a ser repetitivo ouvir sempre os mesmos trechos a toda hora. As dublagens estão excelentes. Os atores falecidos tiveram de ser dublados por outras vozes, mas que cumprem bem o papel e se aproximam da interpretação do filme. Al Pacino também não liberou sua voz para o game. No geral, as vozes se encaixam bem na produção e não causam incomodo.      

Aprovado J

Combate excelente e divertido.



Os combates são o prato principal do jogo. A inteligência artificial do game contribui para uma experiência incrível. Por vezes você notará que os inimigos se comportam dependendo da maneira como você age em um tiroteio. Alguns esperam o protagonista em cantos imprevisíveis, outros atiram furiosamente e alguns tentam cercar o antagonista. Para isso há um excelente sistema de cobertura, onde é possível ficar escondido atrás de paredes e objetos. Ao se esconder atrás de caixas é preciso ter em mente que os tiros destroem a madeira, assim como também explodem carros. As trocas de tiro são o ponto alto da ação, que por sua vez fica prejudicada quando precisamos encarar combates corpo a corpo.

Uma grande cidade para mandar.

Explorar a cidade é um ponto divertido no game.  O principal atrativo de vasculhar os bairros é encontrar novos pontos de comércio para extorsão. Ao adquirir um ponto para os Corleone à família passa a ter um lucro semanal, e esse lucro é ainda maior quando há um comércio clandestino nos fundos da loja. Desse lucro o personagem terá direito a apenas 5%. Só sentimos que estamos realmente ganhando dinheiro quando há muitos pontos na lista de pagamento.

Por ser um mundo aberto é lógico que é possível fazer de tudo na cidade. Para os jogadores que gostam de sair matando civis The Godfather traz um sistema de suborno policial, que fará vista grossa aos seus atos ilícitos. Mas logo você descobre que iniciar uma guerra com as famílias é muito mais divertido do que matar pessoas inocentes, já que guerra gera combates, e os combates nunca ficam chatos.

Conforme o jogo avança os poderosos de Nova York começam a pagar o jogador para tirar certos “problemas” de seu caminho, contratando seu personagem para assassinar gente importante da cidade. Cada contrato segue uma regra: Alguns alvos devem ser eliminados de forma que sua morte pareça acidente, outros devem ser abatidos sem o uso de armas de fogo, e por ai vai! Você pode eliminar um alvo sem seguir essas regras, mas o lucro será bem maior caso o serviço seja executado como o contratante solicita.



O domínio da cidade não se dá apenas pela extorsão de comércios, mas também da compra de estabelecimentos. Essa compra na verdade nada mais é que uma desculpa para adquirir novas casas que permitem recuperar munição, energia e gravar seu progresso. Mas isso ajuda a criar a sensação de que o jogador pode constantemente encontrar coisas novas na cidade. O mapa é grande e por isso será necessário estar sempre com um carro, que ajuda a guiar o jogador por Nova York quando estiver buscando novas missões.

Reprovado. L

Poucas missões com pouca variedade.

Para quem está acostumado com games de mundo livre com objetivos variados, é difícil não perceber que The Godfather não se preocupou com isso. Se o jogador ignorar os objetivos paralelos verá que o roteiro principal é um tanto curto e sem grandes variações. Se não fosse pelos combates inteligentes e divertidos, The Godfather não passaria de um jogo de ação com tiroteios repetitivos. Não importa qual seja o conteúdo da missão, no final, tudo acaba em troca de tiros ou em perseguições com carros. As perseguições geralmente não costumam ser chatas, mas ficam irritantes quando acontece a típica mistura de fugir e atirar. As missões paralelas também trazem apenas dois objetivos: matar um alvo encomendado ou tomar o controle de pontos comerciais, que também só salvam o jogo por serem bem feitas e criativas. Se você quer missões que tragam variedade de verdade, títulos como GTA e Bully são mais indicados.

Combates corpo a corpo.



Em todas as versões de The Godfather esse é um ponto contra. Em consoles você precisa usar os analógicos para desferir golpes no adversário. No PC usa-se o mouse (consegue ser ainda pior que nos consoles). O grande problema desse sistema é que dificilmente você executa um golpe mais complexo com sucesso, tendo de se contentar com o mais simples. Pessoalmente, O único jogo de  Playstation 2 que conseguiu se dar bem com essa mecânica de ações com o analógico direito foi os da franquia Ape Escape. Em The Godfather o sistema é simplesmente ruim!

Roteiro mal conduzido.

A EA Games não se preocupou muito em apresentar o universo do jogo para quem nunca teve contato com os filmes. Não que isso chegue a ser necessário, pois o que o game apresenta já é o suficiente para deixar o jogador a par de tudo. No entanto os principais eventos do filme são mostrados de forma bagunçada e fora de ordem, e isso chegou a ser uma ofensa para os fãs mais ferrenhos da saga. Mesmo quem nunca viu o filme vai notar algumas coisas totalmente desconexas na história. No inicio do game veremos Don Vito ser assassinado, levado pro hospital e morrendo em seguida. Mas quando você avança no jogo e é promovido a soldado é o falecido Don Vito que recebe seu personagem! Para um filme tão famoso e respeitado Eletronic Arts poderia ter tomado mais cuidado na hora de contar a sua história no game.

Conclusão.



The Godfather – The Game é um jogo divertido e empolgante, que consegue prender o jogador com combates excelentes. Tomar o controle da cidade é muito divertido e uma tarefa para horas a fio. Infelizmente faltou dar objetivos mais variados ao jogador, ainda bem que a ação consegue segurar a onda, e logo, esse problema deixa de incomodar. 

Como todo bom jogo do gênero, The Godfather colecionou suas polêmicas, inclusive do próprio Coppola, que chegou a dizer que a Eletronic Arts usou sua obra para fazer um jogo violento demais, empobrecendo a obra original. The Godfather é um título excelente e de muito bom gosto. Provavelmente é o melhor já feito baseado em um filme. Um jogo que trás uma excelente campanha que vai divertir os fãs de mundo aberto. Um título 100% recomendado.


Nota Final.





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.










2 comentários:

  1. Gostei do game mas o que deixou ele bastante bagunçado foi realmente o que você citou: os eventos do filme são mostrados de forma bagunçada e fora de ordem. Pra quem assisti o filme e depois joga o game isso chega a ser frustante. Vou dar outro exemplo: A cena em que a cabeça do cavalo aparece no quarto daquele diretor de cinema no filme é bem no começo, mas no jogo é bem adiante. No jogo, quando eu vi o assasinato de Paulie Gatto sendo primeiro e a cena do cavalo depois, nossa foi realmente chocante.

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  2. E outra no filme o assasinato de Paulie Gatto no carro foi bem sucedido mas no jogo não foi. Cara realmente gostei do jogo, mas por causa dessas mancadas da produtora em certas horas cheguei a odia-lo

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