segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Análise: Grand Theft Auto - Vice City





Sol, praia, anos 80 e muito crime pela cidade.





Quando chegou ao mercado, em 1997, Grand Theft Auto foi um misto de sucesso e polêmica. Pela primeira vez o jogador teria uma cidade grande e rica para explorar, podendo seguir as missões que avançam no enredo, ou simplesmente, explorar a cidade da forma que bem entender. Logo, os jogadores gostavam de sair roubando carros para atropelar pedestres, ou então matar o maior número de pessoas possíveis a sangue frio. Tal liberdade foi a principal marca de GTA, que também o ajudou a colecionar as polêmicas que possui até hoje.



O game ainda teve uma continuação para o Playstation. Mas o sucesso absoluto chegaria somente em 2001, quando GTA III traria um universo totalmente em terceira dimensão, junto com o mundo aberto característico da série. Vice City chegou em 2002, sendo o responsável por estabelecer GTA no hall das franquias mais importantes da história. Este episódio conseguiu unir o que havia de melhor nos jogos anteriores, tendo espaço para trazer situações mais divertidas e criativas. A trama é bem amarrada, envolvendo drogas, prostituição e muita violência em uma fictícia Miami dos anos 80. 

Enredo.

Alguns anos antes dos acontecimentos de GTA III, um cara chamado Tommy Vercetti fazia os serviços da família Foreli, a mais poderosa máfia de Liberty City e comandada por Sonny Foreli. Tommy sempre foi um emprego fiel, mas seus métodos alto destrutivos tornaram a cidade um caos, além de criar guerras entre outras famílias. Quando a policia entrou no caso, Vercetti assumiu a culpa por tudo, livrando a máfia da prisão e pagando pelos crimes.



Após 15 anos de pena, Tommy finalmente sai da cadeia. Mas não é do interesse de Sonny que Vercetti volte às ruas de Liberty City. Por isso, ele manda seu antigo empregado para uma negociação, na cidade de Vice City. A missão de Tommy era trocar um grande valor de dinheiro por cocaína. Durante a negociação, outra gangue aparece e mata a todos no local, levando as drogas e o dinheiro. 

Os únicos sobreviventes são Tommy Vercetti e Ken Rosemberg, advogado e contato de Sonny na cidade. Após o incidente, Sonny fica furioso e manda Tommy cuidar da situação. Agora Vercetti deve procurar os culpados e matá-los, recuperando o dinheiro e as drogas. Mas Vice City é infestada de criminosos, e Tommy deve mergulhar nesse submundo se quiser reaver seus pertences.

Quase uma Miami Vice.

GTA – Vice City não perde muito tempo com longos tutoriais. Em vez disso, o game começa com missões leves e curtas, mas que servem para acostumar o jogador com as diversas mecânicas que precisara lidar ao longo da campanha. Tudo no game é muito básico, mas a filosofia de “menos é mais” torna tudo mais interessante, fazendo de Vice City um título acessível para novatos, intermediários e experts. Até mesmo os casuais podem se divertir com o game, dada a liberdade com a qual podemos interagir com o ambiente.



Vice City é uma cidade realmente grande, e muito bela. Aquele clima litorâneo misturado com a década de 80 foi muito bem aplicado. O resultado é uma imersão completa, que se destaca desde os prédios e carros mais bonitos até o mais simples pedestre, com seu figurino característico da época. A cidade é cheia de vida, com um bom trafego de carros e pedestres. É divertido vê algumas interações, como as pessoas correndo desesperadas durante um tiroteio, ou um pedestre pulando da ponta quando vê um carro vindo em sua direção.

Outra coisa que o jogador descobre logo de inicio é que este novo cenário consegue ser cinco vezes mais corrupto que o de Liberty City. A cidade que dá nome ao game é comandada pelos homens mais poderosos das redondezas. Não é preciso dizer que esses caras estão envolvidos com o crime organizado da cidade, não é?. Tommy presta serviços para nomes como o Coronel Juan Garcia Cortez e o velho milionário, Avery Carrigton, ambos verdadeiros barões do crime e das drogas.



A principio o mapa não parece ser dos mais extensos, mas à medida que novas missões aparecem o jogador começa a tomar consciência do grande mundo que tem a seu dispor. Claro que as missões são apenas um incentivo mínimo para explorar a cidade. Há muitos objetivos secundários espalhados por Vice City, além de lojas de armas, veículos diferentes para roubar e extras para colecionar, coisas que aumentam a vida útil do game e também sua diversão.

Parte Técnica.

A parte gráfica do game se destaca em alguns pontos e deixa a desejar em outros. No que diz respeito à ambiente o resultado é fantástico. Vice City possui bairros ao estilo Malibu (prédios de frente para praia), áreas mais urbanas, subúrbios e até distritos industriais. O mais importante é que em nenhum momento o jogo foge da sua época, isso fica claro no projeto das construções, dos carros e até no design dos telefones da época, aquele desenho “tijoão” característico.

A paisagem é bela, embora não seja das mais detalhadas. Mas há de se reconhecer um esforço bem convincente pra manter a parte técnica bem apurada. O céu, por exemplo, vai assumindo cores diferentes conforme a mudança do tempo. Há um efeito modesto de Blur na versão do Playstation 2, que acaba deixando a execução do game mais suave para o console, não deixando nada a dever para os poderosos computadores da época.



Já os personagens têm um resultado bem menos agradável, embora não sejam totalmente ruins. Faltaram mais detalhes, como expressões faciais mais convincentes e menos brutalidade nos contornos das mãos, por exemplo. Apesar disso, o figurino ficou muito bom, destaques para o protagonista, que usa uma camisa florida, bem característica da época. As excelentes animações ajudam camuflar um pouco o acabamento bruto dos personagens. É impossível não se impressionar com algumas minúcias, como as trocas de olhar entre Tommy e a empregada do barco do Sr. Cortez ou a linguagem corporal presente nas cenas não interativas. Há muita personalidade em cada movimento de cada personagem.



Na parte sonora não há grandes destaques. Os efeitos até são agradáveis, mas alguns parecem um tanto abafados, tirando um pouco daquele punch, como em algumas explosões, que poderiam ser mais maravilhosas. A trilha sonora é composta por canções clássicas da década de 80, todas executadas no rádio quando o jogador estiver dirigindo. Há diversos estilos musicais, inclusive rock, onde é possível escutar Iron Maiden, Justas Priest, Megadeth e etc. Com uma boa variedade de canções por rádio, o jogador com certeza vai se sentir bem embalado durante a jogatina, principalmente se for fã da era anos 80. Para aqueles que jogam no computador ainda existe a possibilidade de montar sua própria rádio. No diretório onde o game foi instalado, há uma pasta de nome radio, e dentro dela a pasta MP3. Basta jogar suas músicas favoritas lá e se divertir!

Já no quesito dublagem a qualidade é excelente. Cada voz e cada interpretação completam a personalidade de cada personagem. Você vai notar o estilo irônico e perigoso do informante, Kent Paul; a voz contida e nervosa de Rosemberg, e principalmente, o tom cafajeste e divertido de Tommy Vercetti. Os diálogos bem construídos ajudam na interpretação de cada voz, resultando em uma maior profundidade no enredo da trama. Por ser um jogo voltado para o publico adulto, há um bom aproveitamento de linguagem mais suja, como palavrões, termos indecentes e humor negro. Nada exagerado, mas acaba servindo bem ao contexto de Vice City!

Aprovado J

Diversão para todos.

GTA é uma das raras franquias que consegue conquistar todo tipo de jogador. Isso é por causa da gostosa sensação de liberdade que a Rockstar proporciona ao público. O game tem uma gama extensa de possibilidades, com grande parte delas prestigiando os casuais que estejam procurando apenas uma diversão descompromissada. Os mais experientes podem desfrutar de um game completo, com uma trama excelente e uma penca de objetivos.



A campanha chega a durar mais de 20 horas, dada a grande quantidade de missões a cumprir. Nas primeiras horas de jogo Tommy faz coisas simples, como ir do ponto A ao ponto B do mapa, levar pessoas em determinados lugares ou buscar informações ou pacotes. Conforme vai se aprofundando no crime organizado da cidade, o protagonista passa a encarar objetivos mais sérios, que vão desde sabotagens até à assassinatos. O toque bem simplório não se esbarra na diversão tamanha do jogo. Cumprir missões confere dinheiro e respeito a Tommy, fundamental para avançar na história. O dinheiro também permite comprar novas armas, carros e propriedades pela cidade. Apesar de um número extenso de missões não há repetição nos objetivos, garantido surpresas a cada nova etapa do game.

Mas se cumprir missões não for bem a sua praia, é possível simplesmente sair matando pedestres e causar a destruição na cidade (um dos fatores polêmicos do game). GTA não só oferece essa possibilidade, como também parece servir pra testar a habilidade dos jogadores. Cada infração e crime cometido por Vercetti alimenta suas estrelas, que indicam o nível de procurado do personagem. Quanto mais crimes, mais furiosa fica a perseguição. A diversão fica completa ao aplicar os códigos de trapaça, podendo adquirir tanques de guerra e arma a laser. Podemos até mesmo mudar o comportamento dos civis, deixando-os mais perigosos e até armados.



Tommy pode também roubar qualquer veículo. É possível dirigir carros, motos, barcos, chegando ao extremo de pilotar aviões e helicópteros. A dirigibilidade dos automóveis e carros é bem amigável. Cada modelo possui vantagens e desvantagens. Carros e motos com modelos mais casuais possuem controles mais precisos, mas são mais lentos. Já os modelos mais icônicos, como carros conversíveis e motos Harley, por exemplo, alcançam mais velocidade, mas tem a dirigibilidade mais sensível. Fica a critério do jogador decidir qual veículo se encaixa melhor com sua pericia nos controles.

Se estiver à procura de grana extra é possível embarcar em ações mais simples, mas bem divertidas. Ao roubar um táxi o jogador pode entrar em uma missão de taxista, que consiste basicamente em levar passageiros de um lugar ao outro. Você pode também se arriscar a roubar um carro de policia (nunca é uma boa ideia) para cumprir missões de patrulha civil. Ainda é possível executar assaltos em estabelecimentos e até ter relações com mulheres “da rua”, mas sem cenas explicitas!

Reprovado L

Combate monótono.



O maior defeito de GTA: Vice City está em sua mecânica de combates, que também segue a simplicidade, mas de modo bem monótono. Tudo se resume a travar a mira no inimigo e atirar até ele morrer, pelo menos no Playstation 2. No computador a mira é feita através do mouse, mas isso não muda o fato de que os inimigos não possuem a menor competência em se defender, pois ficam sempre nos mesmos lugares e fazem os mesmos movimentos previsíveis. O combate corpo a corpo não passa de um básico amassar botão, que não anima nem um pouco aos jogadores.

Conclusão.

Grande Theft Auto – Vice City leva a Rockstar de vez ao seu lugar ao sol. Trata-se de um dos melhores games da franquia, e por muito tempo, o melhor título de mundo aberto do Playstation 2, perdendo o posto para o seu sucessor, San Andreas, em 2004. Vice City é uma experiência excelente para quem procura um game de roteiro sólido e objetivos variados, ao mesmo tempo em que rouba bons momentos de diversão daqueles que querem apenas sair procurando encrenca numa cidade. É diversão para todos os gostos.



Na parte técnica há um excelente trabalho artístico que camufla os defeitos. Boas animações e uma ambientação bem trabalhada também aumentam o charme da produção. Em resumo, Vice City é um game que vale a pena, mesmo que não seja perfeito. Uma boa pedida para quem deseja um mundo livre completo no vídeo game!


NOTA FINAL.




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.






 


       

Um comentário:

  1. Fala Filipe! Cara vou te dizer, quando eu comprei o DVD desse GTA e via aquela belezura rodando no PS2 em quanto abria e lia os manuais e extras contidos na capa, foi um um dia que marcou pra sempre! Na escola agente sempre comentava nossas conquistas dentro do game, lembro bem das corridas para ver quem tinha mais propriedades e mais grana. Íamos na casa um dos outros e levavamos nossos Memory Cards pra poder dizer "Chupa!" na hora H hehehe. ótima postagem e feliz por Firstar a postagem :D

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