sábado, 15 de fevereiro de 2014

Games proibidos: Doom




Uma franquia que marca gerações de jogadores.




Portais de teletransporte, experiências que acabam muito mal e demônios com vontade de comer carne humana. Seria essa a melhor definição para Doom, jogo que mudou a maneira como encarávamos os vídeos games. Lançado pela Id Software, em 1993, Doom detém marcas importantíssimas, estando no hall dos títulos mais revolucionários e polêmicos da história.

Sozinho no inferno.

Doom pode não ter sido o FPS pioneiro do mercado, mas foi o responsável por uma onda de títulos excelentes, a grande maioria desenvolvido pela própria Id e usando o motor gráfico de Doom. Por ser um exemplar jogo de ação, Doom trouxe uma temática que chocou muita gente. O jogador controla um soldado sem nome que sobrevive a uma invasão de demônios em um centro de pesquisas, que fica em uma das duas luas de Marte. O pobre soldado foi o único a ficar vivo numa matança brutal, e com uma pistola e sangue nos olhos, ele terá de fechar o portal do inferno e impedir que os demônios cheguem ao planeta terra.



Doom trouxe muitas inovações para os vídeo games. Para começar, foi o primeiro a trazer personagens feitos a partir de modelos reais. Cada monstro do jogo foi modelado com plástico e massa e depois digitalizado. O estilo FPS já usado por Wolfstein 3D foi aprimorado em Doom, permitindo salas com diferentes tamanhos e formatos, texturas mais bem trabalhadas e realistas. Até mesmo o esquema de fases 3D com dois andares foi iniciado por Doom. O maior destaque ficava mesmo pro jogo de iluminação, que permitia ambientes mais escuros, mais claros e luzes que apagavam e acendiam.



Mas é claro que de tudo isso o quesito mais marcante de Doom foi sua violência, extremamente exagerada para os padrões da época. O game traz uma carnificina alucinante, com sangue nas paredes, corpos jogados pelo chão e monstros que explodem em vários pedacinhos. No ultimo capitulo da aventura, batizado de “Inferno” há decorações ainda mais macabras, como desenhos de demônios nas paredes e corpos humanos empalados ou pendurados em correntes. Como se não bastasse a violência e o satanismo, Doom ainda traz diversas referências ao nazismo.

Jogo anticristão?

O sucesso do jogo foi tão grande quanto às polêmicas geradas pelo mesmo. Pouca gente assimilou que Doom não era para crianças, mas para um público mais maduro. Mas impediu que os mais jovens se viciassem com o game. E quanto mais fãs o jogo agregava, mais criticas o mesmo ganhava. Grupos ativistas, religiosos e pais alegavam que Doom era um jogo que ia contra todos os princípios humanos, promovendo a matança em massa e o culto ao satanás.



O ápice veio em 1999, quando os jovens Dylan Klebold e Eric Harris protagonizaram o Massacre de Columbine, nos Estados Unidos.  Nesse dia, os adolescentes entraram no instituto Columbine e atiraram contra colegas e professores, se matando em seguida. Os garotos eram fãs de Doom, tendo criado até diversos mapas com referências a matança que já estavam planejando. Esse caso reacendeu o caloroso debate sobre a violência nos games e até que ponta ela era prejudicial. Depois de muitas polêmicas e discussões, Doom foi proibido em vários países, inclusive no Brasil.

Um jogo polêmico: Um legado inquestionável.

É inegável que Doom trouxe muitas coisas positivas para os games. Ele quebrou uma série de tabus ao explorar altos níveis de violência e simbolismo em uma época totalmente conservadora. É lembrado até hoje como o um dos games de computador mais vendido da história. Doom não foi só importante para o FPS, mas também para o mercado de jogos destinados para o PC, que ainda era relativamente escasso de bons títulos exclusivos. Também foi uma excelente opção de jogo voltado ao público adulto, que pela primeira vez teve um jogo de conteúdo voltado pra si.

No ano seguinte foi lançado Doom 2: Hell on Earth, que deu continuidade a saga brutal do soldado sem nome, dessa vez enfrentando uma invasão demoníaca na Terra. Nos anos seguintes foram lançados TNT: Plutônia e EvilUtion, que foram uma compilação dos melhores mapas feitos por fãs. Várias plataformas receberam uma versão de Doom, inclusive as mais inesperadas, como o Super Nintendo e o Game Boy Advance.



Um novo game da franquia só viria a ser lançado dez anos depois. Doom 3 foi um dos remakes mais esperadas e mais bem sucedidos da história. Mas como foi lançado em um mercado que já conhecia franquias piores (GTA e Manhunt) Doom 3 não causou o mesmo impacto que o primeiro jogo, mas foi um sucesso absoluto e um dos jogos mais bonitos do ano de 2004.

O maior legado que Doom deixou foi o das partidas On Line. Foi o jogo que popularizou as jogatinas em rede ou pela a internet, algo que hoje é praticamente obrigatório em qualquer game, independente do gênero. Doom ainda é um jogo proibido em nosso país. Mas com a internet e seus downloads, nada fica restrito para sempre não é? Um salve para o pai de todos os jogos de tiro da história!


Escrito por: Lipe Vasconcelos.







   





Um comentário:

  1. Parabéns, seu post foi excelente, é um jogo que faz parte da história dos games. Eu lembro que a primeira vez que joguei Doom foi no meu Super Nintendo e o cartucho não salvava, ai foi complicado, porque após um dia inteiro jogando, quando precisei desligar o vídeo game, nunca mais voltei a jogar.

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