domingo, 2 de março de 2014

Análise: Indiana Jones and the Staff of Kings.






Chicotadas, risos e diversão...



A franquia Indiana Jones é uma das mais clássicas do cinema. Filme criado por George Lucas, Os Aventureiros da Arca Perdida foi um sucesso fenomenal, rendendo mais três filmes, desenhos animados e outros produtos que transformaram a série em marca. Harrison Ford imortalizou o papel do professor e arqueólogo Jones, em aventuras repletas de ação, humor e história antiga.

Apesar do grande sucesso nas telonas, Mr. Jones nunca brilhou da mesma maneira nos vídeo games. Entre jogos meia boca e desastrosos, o herói conquistou públicos pequenos em suas aventuras nos consoles. A situação se agravou no universo 3D, pois fazer um game do Indiana Jones era o mesmo que desenvolver um novo Tomb Raider, mas sem a Lara Croft. Infelizmente, os títulos do herói nunca se distanciaram dessa comparação, e nem parece haver tentativas para isso!

Novo filme no cinema, novo game.

Indiana Jones and the Staff of Kings começou a ser produzido ainda em 2006, para os consoles da recém chegada nova geração. Mas problemas com atrasos na produção quase cancelaram o game. Por fim, quando tudo parecia ter engrenado, fora anunciado que Staff of Kings seria lançado apenas para Playstation 2, Wii, DS e PSP. O game ganhou ainda mais atraso após a confirmação Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, quarto filme da franquia que seria lançado em 2009. É lógico que a LucasArts aproveitaria o lançamento para tentar impulsionar as vendas de seu jogo, que nada tem haver com o longa metragem.



Mesmo com o seu longo tempo em desenvolvimento, Staff of Kings deixa a impressão de ter sido feito as pressas. Trata-se de uma produção com ar de ser barata e objetiva, sem aproveitar muito dos vídeo games em que o jogo foi lançado. Apesar disso, o título é bem divertido, mesmo que ainda lembre muito as aventuras de Lara Croft. O enredo começa quando um velho amigo de Jones, Archie Tan, o informa sobre o desaparecimento de um antigo professor de Indye, Charles Kingston. O ex-professor dedicava sua vida na busca do Cajado dos Reis, o artefato usado por Moisés para abrir o mar vermelho. O problema é que inimigos vindos da Alemanha também procuram pelo cajado. A trama não é das melhores, mas consegue divertir o jogador.

Com o chicote na mão.



Staff of Kings é um game de aventura em terceira pessoa com trechos de exploração, combates mano a mano e tiroteios, cada vertente com seus altos e baixos. O principal do jogo é mesmo a exploração de amplos ambientes. Em sua aventura Jones viaja por lugares bem distintos, como Sudão, São Francisco, Nepal e etc. Logo na primeira fase o jogador é apresentado aos principais comandos do jogo, que incluem escalar, se espremer por locais estreitos, pular por cima de abismos... enfim, tudo aquilo que você já deve conhecer do bom e velho Tomb Raider. Até o seu chicote Indye  usa para se pendurar em partes especificar do cenário, ou mesmo destruí-los.

O game usa bastante ação de contexto, ou seja, aperte o botão certo no momento certo para livrar-se de uma armadilha ou alcançar um item.  Os comandos são usados de maneira criativa, e ao mesmo tempo, exaustiva. O jogador deve entrar em minigames a todo momento, seja para impedir que uma bola de pedra esmague o explorador, ou mesmo para acender uma simples tora de madeira. O uso abusivo desses minigames foi divertido para alguns jogadores, mas extremamente massivo para outros. O jogador ainda entra em muitos combates, com uma mecânica bem pensada, mas mal desenvolvida.

Parte técnica.

Staff of Kings se destaca pelo seu trabalho de arte bem caprichado. As fases acontecem em locais bem legais, como cavernas, tumbas, templos escondidos em florestas e etc. Os projetos das fases estão bem bolados, de modo que jogador realmente se sente em uma aventura arqueológica. 



O trabalho de arte é interessante, mas não camufla os gráficos mal trabalhados e suas texturas simplistas, que mais parecem lembrar um jogo do inicio de vida do Playstation 2. Também há pouquíssimos efeitos de tela. Os poucos presentes, como o de fogo e cachoeira, parecem exigir demais do PS2, gerando quedas nas taxas de quadro.

Os personagens também estão mal modelados e com animações fracas. Quando vemos Indiana Jones nas cenas não interativas parece que o boneco é feito de plástico, sem detalhes na pele e roupas. Os serrilhados marcam presença a todos os momentos. Os inimigos tentam não se repetir muito, embora nem sempre isso aconteça. Há bugs gráficos o tempo todo, como inimigos que atravessam objetos ou caem em ângulos confusos na tela. Para coroar, ângulos estranhos de câmera ajudam a atrapalhar a ação do game, seja em combates ou mesmo na exploração e resolução de puzzles.

A pare sonora é bem mais caprichada que os gráficos. Os sons de ambiente estão bem equalizados. Há sons de desabamentos, pedras rolando, tiros, explosões, vozes e animais por todos os lados. A dublagem também não faz feio. O dublador de Jones tenta imitar o estilo de voz de Harrison Ford, e ainda que o resultado não seja dos melhores, a voz impõem boa interpretação nos diálogos. A parte musical conquista os fãs dos filmes, já que todas as canções foram tiradas das películas, ou seja, uma qualidade musical excepcional. Se há algum defeito nas músicas, é que elas ficam muito baixas com relação aos efeitos sonoros.

Aprovado J

Doses moderadas de diversão.

Staff of Kings consegue divertir o jogador graças a uma aventura moderadamente divertida. Este é aquele tipo de jogo que consegue mesclar ação e aventura com doses calibradas, sem que uma mecânica fique mais freqüente que a outra. O jogo se divide por fases onde Indiana Jones deve explorar amplos locais em busca de itens importantes que permitem o explorador prosseguir em sua busca por Charles Kingston. Durante as fases há chapéus escondidos que liberam conteúdo extra no menu principal.



A parte de aventura é, sem duvida, a mais legal do jogo. É verdade que os produtores abusaram daqueles minigames de contexto. Mas ao meu ver, isso não merece ser considerado um contra. Há muitas ações no jogo que depende do rápido reflexo do jogador, como correr de uma pedra que pode esmagar o herói, pular antes que uma parede desabe sobre sua cabeça ou tentar tomar o controle de um bote que desce rio abaixo.

Fora esses eventos de contexto, há muitos puzzles para resolver pelo caminho. Os quebra cabeças vão desde empurrar caixas e acender piras de fogo a quebrar paredes com grandes pesos. Nenhum quebra cabeça costuma repetir. Além de divertidos, nota-se que os puzzles podem ser resolvidos com certa facilidade, pelo menos por jogadores com um bom tempo de experiência em games desse gênero. Mesmo assim, as soluções parecem surgir de forma intuitiva. Ou seja, não chega a ser difícil de resolver, mas também não é ridiculamente fácil. É um equilíbrio de dificuldade que raramente se vê em games do gênero.

Reprovado L

Combates.

A exploração é bastante palpável, mas o mesmo não pode ser dito dos combates. Indye pode socar seus oponentes para derrotá-los. A parte divertida da mecânica é que há muitos objetos espalhados pelos cenários, coisas que podem ser usadas como armas de mão ou simplesmente arremessadas contra os vilões. Também é possível usar o chicote para (com o perdão da comparação) para trazer um inimigo para perto e ser finalizado, igual ao clássico golpe de Scorpion em Mortal Kombat. Ainda é possível usar esquivas para realizar contra-ataques instantâneos, algo que lembra outro grande clássico, Arkham Asylum.



O sistema é bem bolado, mas a execução é uma grande bagunça. Os inimigos têm uma defensiva irritante e inquebrável. A solução viável seria usar armas ou tacar objetos nos inimigos, certo? É, seria bem legal... Se o comando respondesse com precisão e segurança! Não vai demorar muito para jogador descobrir que não precisa se entender por completo com a mecânica de luta. Basta aprender que a finalização do chicote detona os inimigos por completo com um único golpe. Nas fases finais a técnica do chicote não mata instantaneamente, mas tira mais da metade da energia dos inimigos. E só para completar, sair distribuindo tapas nos capangas é um festival entediante de socar um único botão. Precisa dizer algo mais?

Sim. Precisa!



Não é só a parte de combate corpo a corpo que sofre de problemas técnicos. O jogo também trás tiroteios, e tiroteios com uma ideia bem original, por sinal. Em vez de sacar uma pistola e sair mandando bala pelos ares, Indye deve ficar escondido em uma parte do cenário e controlar apenas a mira. No máximo, o jogador controla o professor para os lados, a fim de protegê-lo dos tiros inimigos. Mas nem sempre atiramos só em inimigos. Por vezes é necessário mirar os tiros em algum ponto especifico da cena; pode ser o fio que segura uma placa, uma pira com fogo, amarras de barris, enfim, qualquer coisa que possa botar mais de um malfeitor para dormir de uma só vez.  O problema é que a mira é extremamente sensível, sem ter a possibilidade de diminuir a sensibilidade no menu de opções. Por várias vezes também notei que ela simplesmente se movia sozinha, sem que eu tocasse no analógico direito do controle. Em resumo, o sistema de combate é simplesmente terrível.

Conclusão.

Com uma produção definitivamente barata, Indiana Jones and the Staff of Kings entra para a lista de jogos medianos baseados na franquia Indiana Jones. O game traz ideias mais bem pensadas. Nota-se também a boa vontade de fazer um jogo de aventura atraente e desafiador, o que sem duvida já chama atenção suficiente para o jogo.



Os extras não serão grande coisa. Há cheats que fazem algumas alterações no jogo, como personagens com cabeças gigantes. Também há imagens conceituais, trailers do jogo e dos filmes do herói, ou seja, uma típica apelação para quem é realmente fã da série. Jogadores que se interessam apenas na aventura em si não terão interesse algum de desbloquear os extras. O jogo é extremamente curto, com apenas seis horas de campanha.

Mesmo com problemas técnicos e combates mal desenvolvidos, Staff of Kings chama atenção por ser uma aventura palpável. Também é justo dizer que o jogo captou com maestria a essência da série. Mas para um jogo que se baseia numa das obras de ação e aventura mais memoráveis de Hollywood, Indianas Jones and the Staff of Kings poderia ter sido muito melhor, principalmente quando se leva em conta o tempo de produção que o jogo teve. 


Notal Final.




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos. 









2 comentários:

  1. Jogo muito curto.Chato não é mas também agrada pouco.A trilha sonora é um diferencial positivo do game.

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  2. Vou dar uma conferida nesse jogo pois curte muito o outro jogo do Indiana Jones.

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