domingo, 27 de abril de 2014

Análise: Castlevania - Harmony of Dissonance.




Um novo castelo e um novo Belmont.





Desde o lançamento de Symphony of the Night em 1997, a série Castlevania começou a trilhar rumos diferentes. Entre erros e acertos (sim, falando dos jogos lançados para o Nintendo 64) a franquia seguiu firme e forte no mercado. Castlevania brilhou novamente com o lançamento de Circle of The Moon, para o GBA. Um ano depois a Konami mostra que aprendeu a trabalhar com o portátil da Nintendo e lança Castlevania: Harmony of Dissonance, que sofre boas melhoras em relação ao jogo passado, mas peca pela falta de identidade própria, algo que foi marcante em Circle of The Moon.

Enredo.

Alguns anos após o caçador de vampiros Simon Belmont derrotar Drácula, dizem que Juste Belmont, descente da família, também procurou pelas relíquias de Drácula. Maxim Kischine, o melhor amigo de Juste, tinha viajado para treinar dois anos antes disto acontecer, mas retornou inesperadamente, dizendo a Juste que Lydie, uma garotinha que eles tanto adoravam e cuidavam, havia sido raptada. Maxim havia perdido sua memória, esqueceu-se completamente do período em que esteve em treinamento, só restava uma vaga lembrança sobre o rapto de Lydie. 


Maxim levou seu amigo Juste ao ponto onde ele acreditava que Lydie estava, e lá os dois encontraram um estranho castelo que não estava em nenhum mapa. Eles acreditaram que aquele poderia ser o famoso castelo do conde Drácula. Agora os dois irão se separar e procurar por Lydie, mas muita coisa acontecerá e muitos mistérios sobre o rapto da garota serão revelados.

Visual nem tão novo!

Harmony of Dissonance dá continuidade ao gênero Metroidvania. Uma vez no comando de Juste Belmont, o jogador deverá explorar um imenso castelo repleto de segredos. Enquanto se prepara para o confronto final contra o Conde Drácula, o caçador deve adquirir itens que permitem melhorar seu chicote, livros mágicos que são combinados às armas sagradas e etc. Juste pode aumentar seu nível ao travar combates contra as criaturas do castelo. As relíquias também retornam ao game, dando ao Belmont habilidades que o permitem acessar novas localidades do castelo, que está bem maior que o do game passado.



O maior problema do jogo é que ele copia descaradamente o visual de Symphony of the Night, usando até mesmo cenários banalmente inspirados no clássico lançado para o console da Sony. Não se trata de pequenas menções a aventura de Alucard, mas de uma tentativa clara de transformar Harmony Of Dissonance numa versão portátil de Symphony of the Night. É claro que o resultado final é ótimo, embora não deixe de ser incomodo.

Parte Técnica.

Na parte gráfica Harmony of Dissonance está bem evoluído. A Konami mostrou que realmente aprendeu a trabalhar com o GBA. As cores estão mais fortes e bem aplicadas, com efeitos de tela mais bem trabalhados. Os fundos dos cenários apresentam mais vida, com movimentos de arvores e nuvens em movimento. Há janelas que se fecham e algumas áreas apresentam efeitos de cores psicodélicas. Podemos dizer que este é um castelo mais bonito e cheio de vida que o de Circle of The Moon. 


Os personagens também possuem boa modelagem, como Juste Belmont, que deixa um rastro semelhante ao de Alucard quando se move. Alguns inimigos poderiam ser mais bem animados, ou até mesmo mais bem desenhados. Há chefes particularmente ridículos, como uma meleca verde enorme e um morcego gigante que poderiam ter sido mais bem trabalhados. As animações das magias e ataques surpreendem, com incêndios, explosões e um show de luzes.

Infelizmente, a parte sonora não se saiu tão bem quanto a gráfica. Os efeitos estão agradáveis, com sons do chicote, explosões, vozes simples e berros modestos de monstros. Já a trilha sonora é boa apenas pela beleza das composições, mas a qualidade sonora em si é fraca. As músicas têm aquele estilo 8 bits de um velho game boy color. Embora as melodias sejam boas, a sua execução é péssima e pouco agradável.


Aprovado J

Boa mecânica de jogo.

Harmony of Dissonance apresenta uma mecânica bem equilibrada e divertida. Juste Belmont leva adiante a tradição da família em usar o famoso chicote do clã Belmont e as armas menores, que ajudam na hora de destruir os mais variados inimigos. Juste pode equipar itens que aumentam o poder do chicote, o deixando com uma bola de ferro na ponta, ou com força suficiente para derrubar paredes. Parte dessas melhorias auxiliam na exploração do castelo. Destruir uma parede, por exemplo, permite ao jogador descobrir novos caminhos, que o levam a itens especiais e até mesmo em novas áreas que o permitem progredir na campanha. A dificuldade desta edição também cai bastante com relação a Circule of The Moon. Os chefes estão mais fáceis e rápidos de serem derrotados. Desse modo, não é preciso ficar muito tempo subindo de nível, pelo menos não como em Circle of the Moon.



As subarmas também ganham seus upgrades. Durante sua jornada o jovem Belmont encontrará os Spellboocks, livros mágicos com diferentes atributos como fogo, gelo, raio e invocação. Quando um livro é ativado no menu principal a arma sagrada que Juste possuir ganhará esses poderes elementais. Unindo o livro do fogo ao machado, por exemplo, você pode lançar dois dragões de fogo contra os inimigos. Utilizando as facas com o livro do vento é possível criar uma poderosa tempestade de facas e etc.



Exploração divertida.

Esta nova edição do game trás dois grandes castelos, tornando a exploração mais divertida e desafiadora. Em Harmony of Dissonance você explorar os dois castelos simultaneamente, de modo que uma ação no castelo A influência no castelo B. Há mais relíquias para encontrar, algumas darão habilidades novas a Juste, como o pulo duplo e a rasteira. Outras melhoram os atributos do Belmont ou o defende de alguns ataques, como a petrificação. 



O game não deixa pistas do que fazer a seguir, tornando a exploração um pouco mais trabalhosa. O mapa ajuda em algumas ocasiões, mas ainda é pouco confiável. No geral, Harmony of Dissonance segue o roteiro de encontrar novas áreas, derrotar chefes e adquirir itens. As salas de teletransporte ajudam a tornar a exploração menos maçante e Juste conte com um Dash igual ao Mega Man, útil para atravessar salas vazias mais rapidamente. A loja está de volta, sendo possível comprar mapas, itens de cura de energia vital e mágica, armaduras e equipamentos que aumentam a defesa e o ataque. Juste também pode vender jóias coletadas durante o jogo para acumular mais dinheiro. Chega um momento em que ouro não é problema, podendo estocar uma quantidade enorme de poções.

Reprovado L

Faltou identidade.



Como eu disse acima, Harmony Of Dissonance é um jogo de qualidade, mas ao mesmo tempo uma tentativa descarada de ser um Symphony of the Night de bolso. Muitos dos elementos de SOTN são usados aqui, como a primeira sala principal do castelo ou o grande salão que antecede a luta final contra Drácula. 

A sala de Save também é idêntica a sala que Alucard usa no Playstation, mas sem o caixão no centro.  O resultado final é interessante, mas fica aquela sensação de que a Konami tentou, sem nenhuma cerimônia, copiar um de seus maiores sucessos. Também fica um pouco o sentimento de falta de criatividade.

Conclusão.



Castlevania: Harmony of Dissonance é um grande avanço da série no Game Boy Advance. É um jogo relativamente fácil nos combates, mas com uma exploração convidativa e divertida. Há alguns extras interessantes, como o Boss Rush, que permite o jogador enfrentar todos os chefes do jogo, e também uma campanha com Maxim, que aumenta a vida útil do game.

Apesar da visível vontade de copiar Symphony of the Night, Harmony of Dissonance acerta em cheia na mecânica, trazendo tudo que a série Castlevania pode oferecer ao seu público, e também a um público novo.   


Notal Final.





Escrito por: Lipe Vasconcelos.










Um comentário:

  1. Douglas Gasparino27 de junho de 2014 17:32

    Cara, to curtindo muito suas análises, continue com o trabalho.

    Aguardando mais jogos de GBA!

    Abs

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