terça-feira, 17 de junho de 2014

Games Proibidos: RapeLay.




Entrando no ponto de vista dos Chikans.



Não é de hoje que os japoneses têm a tradição de serem bizarros. Seus filmes de terror psicológicos, seus animes e seus games um tanto excêntricos são prova viva do jeito nipônico de fazer arte. No caso dos games, já tivemos produções realmente perturbadoras, como o curioso Killer 7, Earthbound e seu vilão sinistro, Gyigas e outros tantos jogos “diferentes” que parecem cair nas graças do público oriental. Um gênero particularmente comum no Japão são os games eróticos, um mais esquisito que o outro.

RapeLay segue essa tendência oriental de excentricidade. Para muitos poderia ser apenas mais um título erótico ao modo japonês de ser. Mas a temática desse game o faz ir muito além de um simples jogo sensual. Lançado em 2006, pela Illusion Games, RapeLay coloca o jogador no papel de um Chikan, nome dado aos molestadores de mulheres em trens (no Brasil a gente chama de estuprador, mesmo). Se você achou a ideia insana, o enredo é ainda mais obscuro.

Vingança em família.

O antagonista da história é Kimura Masaya, típico Chikan. O game começa quando Kimura é preso após molestar uma garota chamada Aoi Kiryu. Kimura tem um pai policial e influente que o ajuda a sair da cadeia. Então, Kimura arma um plano para se vingar de Aoi. Tendo muitos amigos, o Chikan decide perseguir Manaka, a irmã mais nova de Aoi, e Yuuko, mãe das garotas, para que possa estuprá-las e forçar Aoi a fazer o que ele quiser. A vingança de Kimura consista em transformar as garotas em suas escravas sexuais.

Por ser um jogo erótico, em RepaLay o jogador tem direito a fazer de tudo, desde cariciais ao ato sexual, propriamente dito. Em resumo, é um jogo que simula “pimbadas” virtuais. O grande problema é que RapeLay permite que qualquer um haja como um perfeito Chikan. Quem estiver jogando poderá acariciar e abusar de garotas dentro de trens, abusá-las e estuprá-las com vasta liberdade. O jogador tem à sua disposição diversas posições e até o uso de “brinquedos” para os momentos de coito (Sheldon Cooper mode on). Além de tratar do estupro, RapeLay ainda insinua a pedofilia e o aborto. Manaka, a irmã mais nova de Aoi, é menor de idade. Em um dos “finais” do jogo é possível que Kimura engravide uma das vitimas, forçando-a a abortar a criança.

A recepção.

Repetindo: Jogos eróticos são perfeitamente normais, principalmente no Japão. Mas RapeLay trouxe ideias bem perturbadoras. O game não foi muito bem recebido, nem mesmo no Japão. Logo após o seu lançamento, várias denuncias foram feitas, pois RapeLay incentivava ao estupro, pedofilia e aborto. Houve um grupo de críticos que rebateu as denuncias, afirmando que o estupro não é um crime tão grave quanto o assassinato, e ainda assim, jogos como “Grand Theft Auto” permanecem no mercado. A Illusion Games também defendeu seu jogo, alegando que RapeLay estava de acordo com as leis japonesas, e que não deveria ter saído do mercado oriental. Mesmo assim, a empresa parou a comercialização do jogo, tirando até mesmo qualquer referência ao mesmo em seu site.

Opinião do autor.

Pessoalmente, nunca joguei ou se quer me interessei em jogar RapeLay, simplesmente por que nunca tive interesse em jogar nenhum game pornô. A defesa a favor de RapeLay é infundada? Nem tanto! Não acredito que deve haver comparação de grau entre assassinato e estupro; crime é crime, e deve ser punido. Mas será que RapeLay realmente comete algum crime contra a sociedade? Com certeza não! Por mais obscuro que venha a ser o conteúdo do jogo, ainda assim não deixa de ser um jogo.

E proibir? É justo? De maneira alguma! Mantenho a opinião que emiti meses atrás aqui no blog: Sou radicalmente contra a proibição de filmes, jogos, livros e etc, independente do conteúdo. Acredito que a classificação etária existe pra isso, e um maior de idade tem o direito de jogar o game que bem entender, desde que ele saiba diferenciar o real do virtual, e saiba que o que acontece num vídeo game deve ficar apenas ali.

Pessoalmente, não sou do tipo que fica impondo limites nas coisas. Mas ao pesquisar sobre RapeLay, confesso que o conceito do título me causou repúdio. Acho que mesmo dentro das artes, seja em livros, filmes, músicas ou mesmo em games, deveria existir um certo bom senso. Sabemos que os abusos sexuais em metrôs têm crescido com o passar dos anos, e que esse tipo de abuso ainda causa desconforto, talvez até mais do que o assassinato. Pensemos em quantos mulheres já passaram por isso. Talvez você, que esteja lendo este texto agora, possa ter alguém na família que tenha vivido essa situação, o até você mesmo tenha sofrido de abusos dessa natureza. É preciso ter em mente que esse tipo de game gere algum desrespeito nessas pessoas. Vendo alguns vídeos no youtube, não pude deixar de pensar que o game trata do estupro como algo bobo e comum, o que aumenta ainda mais o desconforto. Acho que existe uma boa diferença entre bom senso e repressão a liberdade de expressão. Mas isso é discussão para outras ocasiões.  






















Escrito por: Lipe Vasconcelos.





Um comentário:

  1. A maioria dos jogos são de caráter que violam as leis como assassinato,roubo,tráfico de drogas,brigas,rachas de carros e outros.Não acho que um jogo de estrupo vá mudar a mente e os valores de uma pessoa idônea.Se for jogar,de preferência faça-o sozinho já que há conteúdo sexual e aborda um assunto polêmico e que pode lhe trazer problemas.Ademais é só mais um jogo.

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