terça-feira, 23 de setembro de 2014

Análise: Indigo Prophecy




Luz, câmera... E muita ação!!!






Quem joga vídeo game há muito tempo sabe como é difícil encontrar experiências diferenciadas no mercado. Entre tantos jogos bons e medianos, é praticamente impossível achar algo com aquela sensação de novidade. Se há uma empresa no atual mercado que sempre desperta tal sentimento é a Quantic Dream. Em 2005, o diretor David Cage seria responsável por um dos mais empolgantes e revolucionários games do mercado.

Quem já jogou os clássicos adventures point and click que existiram na década de 90, certamente vai ver em Indigo Prophecy uma grata surpresa. Claro que a comparação é insignificante perto do que Indigo Prophecy representa. Não é de hoje que os vídeo games são produções tão ricas e detalhadas quanto um filme. Já que os games andam de mãos dadas com o cinema, por que não colocar o jogador no comando de um filme, cuja trama se desenrola de acordo com suas ações e escolhas? Para alguns a premissa pode parecer estranha e sem sentido, mas o resultado é o melhor possível.

Enredo.



A trama do game gira em torno de três personagens distintos. O primeiro e mais importante é Lucas Kane. O game começa com Lucas cometendo um brutal assassinato no banheiro de um restaurante. O problema é que o rapaz estava em uma espécie de transe, sem ter ideia do que estava fazendo. Ao perceber o que aconteceu, Lucas foge, sem saber que o assassinato seria só o inicio de uma série de eventos bizarros em sua vida. Após o crime entra em cena a comissária de policia Carla Valente e seu parceiro, Tyler Miles. Eles têm a difícil missão de juntar os pedaços de um antigo quebra cabeça e decifrar o crime que Lucas cometeu.

Conduzindo o jogo...

Indigo Prophecy se desenvolve como um filme. Para avançar na campanha o jogador precisa tomar as rédeas de um dos três personagens e determinar ações e escolhas. Logo de inicio assistimos ao assassinato cometido por Kane. Assim que Lucas recobra a consciência, o jogador passa a ter controle do personagem. É preciso agir com precisão para sair do local do crime sem levantar suspeitas. O lance é se atentar ao detalhes. Ações como limpar o sangue no chão, esconder o corpo, lavar o sangue das mãos e etc, são a chave para conduzir o protagonista neste momento. Basta que o jogador se coloque no lugar do personagem e imaginar como agiria dentro das suas possibilidades. Há um leque enorme de ações que o jogador pode tomar em alguns momentos da aventura. Com tal criatividade, Indigo Prophecy nunca entrega uma etapa igual à outra, pois a beleza do game está justamente no modo que a jogabilidade se encaixa no contexto de cada evento.




O jogo se desenvolve por capítulos, cada um protagonizado por um personagem. O jogador estará no comando de um evento que se desenvolve de acordo com suas vontades. Após a fuga de Lucas, o jogador passa a controlar os outros dois protagonistas da aventura. No comando de Carla e Tyler você decide a melhor maneira de investigar a cena do crime e juntar às provas primordiais para prosseguir no caso. O jogador pode investigar o local do assassinato, interrogar testemunhas e até escolher as perguntas que serão feitas, alterando o curso de eventos que virão a acontecer. Cada capitulo se desenvolve com um personagem diferente, alternando a ordem de alguns eventos.

Parte técnica.

Em gráficos Indigo Prophecy deixa um pouco a desejar. Os ambientes são bem montados e com riqueza de detalhes. No apartamento de Lucas, por exemplo, temos uma casa típica de solteiro, com bagunça em locais estratégicos, um ambiente suficientemente amplo e decoração que soa realista. O jogo se da bem tanto em ambientes fechados como em abertos, dando um clima cinematográfico que se vê em poucos jogos.



Já os personagens possuem acabamentos extremamente brutos e detalhes fracos. As expressões faciais tentam ser meramente convincentes, mas pecam pelos fracos detalhes. O que impressiona nos personagens é a riqueza nas animações. Os movimentos são extremamente bem feitos, com uma naturalidade que impressiona e injeta personalidade em cada personagem, seja ele protagonista ou não. Como é um jogo que se assemelha a um filme, é lógico que você verá uma série de movimentos diferentes, como vê-los beber água, deitar em suas camas e até tocar guitarra (Lucas é guitarrista). De certo modo, a boa animação é carismática e esconde um pouco a falta de detalhe nos modelos dos bonecos.  



A parte sonora está excelente. Mais uma vez a riqueza em detalhes ajuda a criar um ambiente palpável aos olhos do jogador. O som de objetos caindo e quebrando, passos, vento rugindo, teclados sendo usados, enfim... Absolutamente tudo está com uma qualidade incrível. O jogador é constantemente rodeado pelos mais variados sons que ajudam a tornar o universo de Indigo Prophecy mais real. A trilha sonora é excelente, embora haja muita repetição nos temas. As músicas remetem a sensações de medo, tristeza, suspense, terror e até romance, todos com devidas proporções. As vozes são o ponto alto do game. Mais uma vez a característica cinematográfica é bem representada com diálogos ricos, interpretações agradáveis e muita personalidade em cada voz.

Aprovado J

Ação de contexto é o contexto.

Indigo Prophecy é 100% desenvolvido como se fosse um filme, o que significa que o modo com que jogamos é totalmente diferente de qualquer outro jogo. Controlamos um dos três personagens com os botões direcionais. Pelo menos 60% do game acontece atreves de conversas e decisões que o jogador deve tomar. Cada movimento seleciona uma resposta diferente. No PC esses comandos são feitos com o mouse, enquanto nos consoles, utilizamos os direcionais.

Os momentos de ação acontecem com os velhos minigames de contexto, ou seja, aperte o botão indicado no momento certo para executar determinada ação. Mas aqui as ações são mais rápidas e difíceis. O jogador deve fazer uma rápida sequência de botões para avançar nesses momentos. O reflexo é elevado aos extremos, pois tudo acontece com uma velocidade impressionante, e raramente há mais que três chances para fazer os movimentos do jeito certo. Caso falhe as três vezes, é fim de jogo.



Há muitas situações que o jogador pode conduzir de diversas maneiras, e isso acontece através de suas decisões ou perguntas feitas em conversas. Mas há também aquelas partes cruciais que devem ser feitas de acordo com o roteiro pré-estabelecido, onde qualquer falha resulta em um game over. Cada personagem tem um medidor de sentimentos, que determina ansiedade, felicidade e até mesmo sono. Suas escolhas podem fazer cair ou aumentar drasticamente esse medidor. Quando o nível de ansiedade ou tristeza chega a um desses dois extremos a história chega ao fim, pois isso fará o personagem tomar uma atitude inesperada, em alguns casos, até mesmo o suicídio. Há um momento em particular em que controlamos Lucas enquanto Tyler o interroga. O jogador deve tomar cuidado com algumas respostas dadas ao policial, pois caso o medido de Tyler atinja o nível máximo de suspeito ele chegará à conclusão de que Lucas é o criminoso que procura. Algumas ações podem resultar em fracassos, mas sem que o jogo chegue ao fim. Nesses casos, o jogador apenas terá de se esforçar mais em algum evento que virá adiante. Mas há aquelas situações em que, ou você completa as ações da maneira correta, ou deve repetir o mesmo trecho do game.

Três personagens. Três perspectivas.



Ter em seu controle três protagonistas com personalidades tão singulares cria um sentimento único no jogador. Passamos o jogo todo torcendo para Lucas descobrir o que aconteceu na noite do assassinato. Mas ao mesmo tempo, desejamos que Carla capture logo o assassino do restaurante. Já Tyler enfrenta problemas pessoais, uma vez que fica divido entre o pesado trabalho da policia e a vida com sua esposa. Em cada uma dessas vertentes o jogador se sente penetrando no universo de Indigo Prophecy. Por traz de cada personagem ainda existe o enredo central do jogo, que se desenvolve junto ao mistério vivido por Kane. Sentimentos assim conseguem definir com total segurança o prazer que existe em jogar Indigo Prophecy até o fim!

Reprovado L

Parte técnica deixando a desejar.



Para um jogo tão audacioso e tão bem bolado, a parte técnica de Indigo Prophecy acaba sendo um calcanhar de Aquiles. A falta de maior empenho na modelagem dos bonecos consegue incomodar até o público menos detalhista, pois sabemos que os consoles e computadores da época podiam muito mais. Fora isso, o que mais incomoda é o sistema de câmeras. Por ser um filme interativo, o sistema de câmeras é por tomadas dramáticas o tempo todo. Infelizmente, alguns ângulos de visão atrapalham e desorientam o jogador o tempo todo.

Conclusão.

Indigo Prophecy é mais um daqueles jogos em que tudo soa novo e revolucionário. Títulos assim são tão bons que, infelizmente, parecem terminar mais cedo do que o desejado, pois viciam e nos fazem jogar de modo compulsivo. Ao mesmo tempo, é o tipo de jogo que não tem meio termo, ou você vai amá-lo ou vai odiá-lo.



Confesso que no meu primeiro contato com Indigo Prophecy eu realmente não do seu desenvolvimento, nem da mecânica de jogo. Ao meu ver, Indigo Prophecy é como Killer 7, ou seja, jogos que foram a frente de seu tempo, pois só tiveram o seu devido reconhecimento muito tempo depois de seus lançamentos. Se você procura algo visceral e cheio de ação, talvez seja melhor ficar com títulos como God of War e Devil May Cry. Mas se a sua praia for jogos realmente diferentes, que deem novos conceitos de aventura e ação, não há duvidas de que Indigo Prophecy vai surpreender você.


Notal Final.






Escrito por: Lipe Vasconcelos.











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