terça-feira, 7 de outubro de 2014

Joguei e não recomendo: Rule of Rose.




Um conto de fadas aterrorizante... Em todos os sentidos da palavra "terror"!!!!




Sillent Hill foi o responsável pelo terror psicológico, se firmando como um dos melhores jogos de horror/survival já feito, e rivalizando diretamente com Resident Evil. Eu tinha 10 anos quando joguei Silent Hill em meu velho Ps1. Desde então, fiquei fascinado por qualquer jogo deste gênero, sempre buscando conhecer novos títulos e criando expectativa com vários lançamentos. Quem é fã de horror/survival sabe o quanto é difícil encontrar títulos com algo inovador. Às vezes surge um jogo que parece realmente bom, e uma das minhas maiores apostas foi Rule of Rose, produzido pela Punchline e distribuído pela Atlus. O game foi lançado exclusivamente para o Playstation 2, em 2006. Infelizmente, a aposto não vingou, e Rule of Rose é, sem dúvida, o pior game de terror que já tive a infelicidade de jogar.

Rule of Rose é um daqueles títulos que chega ao mercado envolto de muitas polêmicas. Por muito pouco o jogo quase não foi lançado mundialmente, só no Japão. Claro que isso vira publicidade positiva. Se tiver polêmica, então tem coisa boa no ar! Esse marketing acaba vendendo um produto que, na real, não faz jus a expectativa dos fãs. No caso de Rule of Rose, a sua quase proibição se deve a sua temática bem pesada: a crueldade infantil. Chamar Rule of Rose de “sucessor espiritual” de Clock Tower também ajudou um pouco na divulgação. Muitos elementos de Clock Tower podem ser encontrados aqui, inclusive a história da protagonista, e até mesmo o seu nome.

Eu preciso ser justo. Em termos de conceito e enredo, Rule of Rose é um produto bem interessante. A história do game é daquelas bem surreais, que nos faz jogar compulsivamente para saber o que vem a seguir. Rule of Rose conta a história de Jennifer, uma garota que perdeu os pais recentemente em um acidente. A menina é mandada para um orfanato. Quando o jogo começa estamos dentro de um ônibus. Do nada, um garoto surge para Jennifer com um livro e a pede para ler uma história. A garota começa a ler, até ver o menino correndo para fora do veículo. Ao segui-lo, o ônibus vai embora sem Jennifer, deixando a garota sozinha em uma estrada escura no meio do nada. Sem escolha, ela segue os passos do menino até chegar a um estranho orfanato sem adultos. Na verdade, esse orfanato é controlado apenas por crianças. Elas são organizadas em um clube chamado de “Aristocracia do giz de cera vermelho”. A líder do clube é uma garota chamada Diana, chamada de “Princesa da Rosa”. Esse grupo será o responsável pelo inferno que a vida de Jennifer vai se tornar ao longo do jogo.

O conceito, a temática e a história de Rule of Rose são os únicos elementos realmente positivos aqui. O game se desenvolve como um conto de fadas, com direito a narrativa e a diálogos bem complexos. O enredo é bem convincente e consegue manter o interesse do jogador. Algumas vezes você fica em dúvida quanto a protagonista e seu caráter. Constantemente ela é acusada pelas outras crianças de ser uma menina má. Rule of Rose tem um clima bastante perturbador. As crianças são bem sinistras e cruéis. Com frequência vemos crianças torturando outras crianças ou batendo em animais. Também há alguns momentos com cenas um tanto eróticas. Nada de sexo explicito! Mas só o fato de envolver crianças já é bastante pesado. É um game com um jeito bem pessoal de ser assustador. É um tanto bizarro e consegue mexer um pouco com o psicológico do jogador, principalmente diante de revelações e cenas que surgem ao longo da aventura.

Os problemas do game começam ao fim da primeira cena não interativa. Não demora para o jogador descobrir que controlar Jennifer é bem aborrecedor. A garota é bem lenta e parece travar pelo caminho constantemente. Sua lerdeza fica ainda mais frustrante quando combinadas às tomadas de câmera equivocadas, que desorientam o jogador e o força a mudar direção constantemente. Quem já jogou games como Resident Evil (os três primeiros) e Alone In The Dark, certamente sabe do que estou falando.

Se movimentar pelo cenário já é chato. Explorar as fases é ainda pior! Rule of Rose segue a cartilha de outros jogos de terror. Jennifer deve sobreviver em um hostil orfanato enquanto busca desvendar os acontecimentos bizarros que rondam o lugar. Traduzindo, você vai ter que coletar itens, resolver quebra-cabeças que parecem fora de contexto e enfrentando monstrinhos e chefes. Tirando a história, nada mais nesse jogo empolga.

O orfanato é bonito e bem amplo, mas esse é o tipo de jogo que força o jogador a explorar salas e mais salas, sem muitas recompensas. Nada mais frustrante do que andar longos percursos para não encontrar nada interessante no fim. Se já não bastasse ter locais grandes demais, as salas são muito parecidas entre si, e isso apenas atrapalha a progressão do jogo. Aliás, é muito comum se sentir empacado o tempo todo na aventura. Como os quebra-cabeças não são tão corriqueiros, a busca por itens vai tomar a maior parte da longa campanha do jogo. Sim! Além de chato, esse trambolho é bem demorado!

As coisas só começam a ficar mais divert... Não, divertidas não. As coisas só ficam menos irritantes quando encontramos Brown, um cão Labrador que vai ser de grande ajuda ao longo do game. Brown tem como função farejar itens que podem levar a novos itens. Funciona assim. Em um dado momento Jennifer precisa de uma borboleta verde. Se estiver com um quadro porta borboletas, Brown pode farejar o quadro e usar esse cheiro para encontrar a borboleta. E tudo que o jogador precisa fazer é seguir o cão. Caso encontre uma chave, basta pedir para Brown cheirá-la, e ele o leva até a porta compatível com a chave. Ter Brown ao seu lado significa não ter mais que explorar cômodos sem nada de interessante. Mas basta o cachorro sumir pro tédio retornar e massacrar o jogador com um bate pernas sem fim.

Um bom sistema de combate nunca foi o forte dos jogos de horror/survival, salvo algumas raras exceções. Em Rule of Rose parece ser pior, mas isso é porque o jogo todo já é muito ruim! A maioria dos inimigos do game são crianças zumbis que atacam usando esfregões de madeira. A primeira arma de Jennifer é um garfo. Mas direcionar o ataque da mocinha é um completo caos. Ela quase sempre erra, e logo em seguida, é atacada. Isso acontece tanto com inimigos comuns quanto em chefes. As lutas contra chefes, por sinal, são tão desinteressantes quanto o resto do jogo.

Em termos técnicos Rule of Rose não decepciona, mas também não impressiona. Os gráficos são bem arrumadinhos, com um lance de cores e texturas aceitáveis. Mas os cenários são simples, sem muito atrativo. O game acontece ora dentro do orfanato, ora dentro de um dirigível.  Dentro do dirigível tudo fica muito repetitivo e logo se torna enjoativo. Os personagens têm boas modelagens e movimentos bem trabalhados, mas sem muito destaque. O que realmente chama atenção são as belas cenas em computação gráfica, onde vemos os momentos mais tensos da bizarra aventura de Jennifer.

A parte sonora é interessante. As dublagens conseguem impor o clima de tensão e crueldade de cada personagem. Os diálogos ricos ajudam a deixar tudo mais bacana. A trilha sonora é bela e encantadora. Os temas do game são todos em instrumentos de corda, com canções bem obscuras, como pede o roteiro. Já os efeitos sonoros cumprem bem seu papel, mas apenas isso!

Rule of Rose trouxe um conceito excelente. O enredo do game é o seu forte. Mas é somente por ele que somos impulsionados a ir até o fim do jogo. O título é mortalmente chato, com uma jogabilidade terrível e um tempo de duração torturador. Se o seu interesse é apenas saber como a história termina, então faça um favor a si mesmo; Procure por spoillers em outros sites e veja os vídeos no youtube. Mas não se torture jogando algo tão ruim e chato. Não recomendo, mesmo!

 






















Escrito por: Lipe Vasconcelos.







3 comentários:

  1. Gosto é uma coisa curiosa mesmo. Se a jogabilidade não é um ponto forte, a história compensa, e muito. O mesmo não pode ser dito das continuações de jogos considerados clássicos, como Silent Hill, Resident Evil ou Alone in the Dark, esse último especialmente horroroso. Todos vivem da fama inicial, com continuações fraquíssimas, mas que todo mundo se esforça pra gostar. Joguei e zerei, estava jogando de novo pra ter o final diferente, mas o canhão do PS2 sucumbiu. É longo, mas muito instigante.

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