quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Análise: Crash - Mind Over Mutant.




O saudoso Crash... Que não volta mais!!! =/




Crash Bandicoot vem passando por uma fase negra desde que a Naughty Dog vendeu os direitos autorais da série. De 2001 pra cá o marsupial já passou por vários estúdios e produtoras, tendo diferentes aventuras. Em cada produção Crash foi perdendo sua essência. Os dias de gloria do herói parecem ter ficado no passado, junto com o Playstation. Após muito troca troca, a franquia finalmente parece ter parado nas mãos da Activision, que ainda mantém a promessa de trazer Crash aos seus anos dourados.

Crash: Mind Over Mutant, uma das muitas promessas de um Crash de qualidade, foi lançado em 2008 para diversas plataformas. O game retoma algumas ideias vistas em Crash Of The Titans, aliando-se a ao conceito de Free World. Mind Over Mutant diverte de maneira moderada, mas seu curto tempo de duração e o seu mundo aberto mal aproveitado acabam tirando um pouco do gás do game. Os gráficos também sofrem perdas significativas, graças à escolha de visão de câmera bem equivocada.

Enredo.



O game da continuidade ao jogo anterior, Crash of the Titans. O Dr. Neo Cortex ressurge junto com Doominador e cria um par de óculos digital chamado NV. O seu novo produto se torna um sucesso comercial na Wumpa Island, graças à facilidade com a qual as pessoas podem enviar SMS umas para as outras, bastando usar a mente para isso. O que as pessoas não sabem é que o NV foi inventado para a dominação mundial, deixando as população violentas e sob o controle de Neo Cortex. Crash é o único na ilha que não se torna refém do NV, e parte numa viagem para frustrar os planos do vilão Cortex mais uma vez.

Admirável ilha nova.

A mudança mais drástica de Mind Over Mutant está na adição de um mundo aberto, abandonando aquele velho esquema de fases que sempre foi característico em Crash. O mapa não é nada extenso, claro, mas acaba servindo bem (ou quase) a proposta do game. Crash recebe missões ao longo do jogo, sendo necessário viajar por diversos locais do mapa. No caminho será necessário pular por diversas plataformas, derrotar inimigos, encontrar itens e dominar titãs.



A parte de dominar titãs é uma das mais importantes do jogo.  Os titãs são monstrinhos que podem ser controlados por Crash depois de derrotados, havendo uma boa variedade deles pela ilha. Os titãs já existiam no game anterior, mas aqui a ideia foi bem mais desenvolvida. Os titãs podem auxiliar em combates e também serão indispensáveis na hora de acessar novas áreas no mapa. Há uma criatura que pode congelar vapor na água para criar pontes de gelo, outro se torna uma imensa bola que ajuda Crash a avançar em rampas e há até outro que pode deixar o tempo mais lento, permitindo a Crash atravessar abismos e plataformas. É possível guardar quase todos os monstros no bolso de Crash, sendo reativados somente quando o jogador precisar da ajuda deles. Há alguns monstros que são realmente grandes e não podem ser guardados e Crash só pode levar um por vez.



O sistema de combate também está bem simples, mas igualmente divertido. Crash pode pular em cima de oponentes, chutar, socar e realizar seu clássico giro. Quando vence um inimigo Crash coleta orbs azuis, que vão aumentando automaticamente o poder das habilidades do marsupial. As habilidades se desenvolvem em ordem aleatória e o jogador não precisa se preocupar com essa parte, basta coletar os orbs.

Parte técnica.

Os gráficos cumprem seu papel de forma modesta, mas não impressionam. No Playstation 2, por exemplo, nota-se que o hardware do console não foi utilizado ao máximo. O mesmo acontece no X-Box 360, mas como esse console é mais poderoso o problema acaba sendo mais grave. De fato, a versão para o PS2 é a mais convincente de todas. Os ambientes são bem bacanas e com aquele clima natural. Há áreas nevadas, desertos, campos e etc. O trabalho de arte se destaca mais que os efeitos gráficos em si.



Os personagens apresentam bons desenhos e designs interessantes. Mas o ângulo de câmera estranho não valoriza as formas dos bonecos, pois tudo fica muito distante e diminui consideravelmente o efeito que se espera. De qualquer forma, as animações estão ótimas e bem naturais, seja do Crash ou dos demais personagens. Há uma variedade respeitável de inimigos para enfrentar pelo caminho. O maior destaque da parte gráfica está nas cenas não interativas, todas feitas em formato de desenho animado. Em cada vídeo é usado diferentes estilos artísticos, homenageando produções como Dragon Ball Z, teatrinhos de fantoches e até mesmo o impagável South Park.

Se a parte gráfica não é das mais brilhantes, a sonora consegue ser menos interessante. As dublagens até ajudam a salva alguma coisa. As vozes capturam com maestria o clima jovial e cômico do game, casando perfeitamente com as cenas em desenho animado. Os efeitos sonoros são bastante genéricos, bem típicos dos jogos de ação/plataformas atuais. Crash também já teve trilhas sonoras mais marcantes. Não que as canções aqui sejam ruins, mas é aquele tipo de jogo onde as músicas são esquecidas no momento em que desligamos o console.

Aprovado.

Jogabilidade em nível titã.

Crash – Mind Over Mutant não complica muito para o jogador, o que deixa o game bem acessível para todos. A mecânica vai ser bem familiar para os fãs mais antigos da série. As missões geralmente se resumem em ir de ponto A ao ponto B para coletar algum item, encontrar algum personagem ou um chefe. Mas o caminho é repleto de desafios, com inimigos que atacam em grande quantidade, plataformas para pular e itens especiais para coletar. Esses itens especiais aparecem como missões opcionais.



Por apresentar mundo aberto, Crash induz bastante à exploração. Há muitos desafios que só podem ser superados com a ajuda de um titã especifico, não sendo possível progredir na campanha sem monstro ideal em seu controle. Mas no geral, caso chegue a um determinado local sem o titã necessário, o jogo providencia o monstro.

Para controlar um titã é preciso derrotá-lo primeiro. Alguns são bem fáceis, bastando aplicar uma boa sequência de golpes. Outros já são mais resistentes e até defensivos, fazendo o jogador utilizar de contra-ataques nas lutas. Uma vez enfraquecidos, basta pressionar o botão correspondente para dominar o monstro. Além de necessários para progredir no game, os titãs também ajudam bastante nos combates.

Os controles contribuem bastante para a diversão, uma vez que as respostas são imediatas e sem complicações. Crash executa saltos com perfeição e livre de falhas. Seus golpes são bem efetivos e ainda é possível dar um giro como ataque. A medida que derrota inimigos, Crash obtém orbs azuis que aumentam o poder de suas habilidades. Por vezes pode acontecer um upgrade na força dos ataques, na altura dos saltos ou na durabilidade do giro. Mas isso é decidido pelo próprio jogo de forma aleatória.

Reprovado.

Mundo aberto mal aproveitado.

O mundo aberto de Mind Over Mutant é bastante mal aproveitado. Mesmo sendo livre para explorar a ilha, o jogador não tem motivos para isso, simplesmente por que não há nada de interessante pra ver. As missões secundárias se resumem a achar itens especiais, mas que estão apenas fora do caminho principal do jogador, sendo facilmente encontrados se você desviar um pouquinho do seu trajeto.

O mundo aberto parece servir a apenas um propósito: fazer o jogador ir e voltar nas fases. Sim, é muito comum você cumprir uma determinada missão e depois descobrir que precisa fazer o mesmo caminho de volta e até mesmo ter de fazer o mesmo trajeto uma terceira vez. Fica evidente que esta é uma maneira enfadonha de prolongar a aventura. Logo o jogador se cansa de ir e vir sem um bom motivo para tal.

Muito fácil e muito curto.



Quem está familiarizado com Crash no psx vai perceber que este jogo está muito mais fácil. Os desafios são ridiculamente simples, seja nos trechos de plataforma ou nos combates contra chefes. Os titãs podem auxiliar na hora de derrotar inimigos, mas nem são necessários, já que os golpes de Crash dão conta do recado. Devido ao mau aproveitamento do mundo aberto, Mind Over Mutant se torna um jogo bastante curto. Mesmo procurando pelos itens especiais, o game pode ser fechado em apenas seis horas, o que pode ser até em uma única partida.

Sistema de câmeras.

É muito comum que jogos do gênero sofram com câmeras problemáticas que atrapalham a visão do jogador. Mas com Over Mutant Mind acontece algo bem diferente. A visão adotada lembra muito a de jogos como God Of War ou Castlevania – Lament of Innocence, ou seja, ângulos vistos de cima para não atrapalhar na ação. Na pratica é isso que acontece, pois raramente a visão atrapalha em algum combate. Há até momentos legais onde a visão se torna totalmente lateral, lembrando os velhos jogos de plataforma do passado.



Infelizmente, o preço a pagar foi um distanciamento total da ação do jogo. A câmera fica muito distante da tela, deixando as cenas menos dramáticas e diluindo o destaque das animações e dos modelos dos personagens, que são justamente o ponto mais interessante dos gráficos.

Conclusão.

Crash – Mind Over Mutant tem muito pouco para convencer os jogadores de que Crash Bandicoot estrelou um game a altura daqueles feitos pela Naughty Dog. Mas se deixar essas comparações de lado, temos um game bastante divertido. Sim, ele é bastante simples, mas consegue manter o jogador ligado até o fim, mesmo que este fim chegue mais cedo do que seria ideal.

Há também uma modalidade mutiplayer, onde Crash se aventura junto de sua irma, Coco, algo ideal para se divertir com um amigo. No mais, não espere algo muito grandioso de Mind Over Mutant. É aquele tipo de jogo despretensioso, que certamente não vai agradar os fãs do bom e velho Crash, mas vai divertir os mais casuais. 

Nota Final.





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.







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