quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Joguei e não recomendo: Mickey Safari in Letterland.



Aprendendo sem se divertir! YEAAHHH!!!



Ahhh... A infância!

Eu já disse isso várias vezes aqui, mas não custa repetir. Ser um gamer na era dos 8 e 16 bits era bem mais divertido que atualmente. Era difícil ter acesso a novos jogos, o que tornava comum o ato de pedir cartuchos emprestados a um amigo ou mesmo trocar aquele jogo que você já conhecia de có e salteado. Claro que sempre rolava ganhar games novos de pais, tios e avós. A sensação de esperar um dia especial para ganhar um jogo novo era única. Nada de pirataria, nem downloads na internet (nem internet tinha). O jeito era ir numa locadora nos fins de semana e alugar um game novo... Ou, destrinchar aquele joguinho chato que ficava pegando poeira na prateleira do seu quarto.

Eu fui obrigado a jogar muita coisa ruim nessa época. Mas o meu maior trauma de infância aconteceu com o meu Turbo Game, que foi um dos muitos clones do Nintendinho aqui no Brasil. O único game que tive por algum tempo foi Mickey Safari in Letterland. Tudo bem, né! Afinal, jogos da Disney sempre divertiam nesta geração. Mas nada havia me preparado para o que veio a seguir... NADA! =/

Lançado pela Hi-Tech em 1992, a mesma empresa que traria o horrível Tom e Jerry do SNES, Mickey Safari in Letterland é um típico jogo de plataforma do NES, mas sem ação alguma. Trata-se de um jogo educativo que tem como objetivo ajudar crianças entre de 3 a 6 com o doce hábito da leitura. Até ai tudo bem! Jogos educativos eram muito comuns entre as décadas de 80 e 90, e existiam alguns muito bons.

Mas a Hi-Tech deve  ter entendido que “educativo” é sinônimo de “chato” e trouxe o jogo de plataforma mais monótono que se poderia imaginar. O enredo é algo bem bobo, mas que cabe dentro da proposta de um jogo educativo. As letras do alfabeto fugiram do dicionário e se esconderam em um lugar chamado Letterland (você pode traduzir esse nome como “Terra das Letras” ou “Terra da leitura”). Então, Mickey parte para uma aventura pela Letterland com a missão de juntar novamente as letras e restaurar o dicionário. O Pateta também está nessa aventura, mas a participação dele é tão inútil que nem vale a pena citá-la aqui.

Sim. Você tem todo o direito de achar a história bem idiota e infantil. Mas é um título direcionado para crianças! Nesta época a trama nem era realmente importante para os jogadores. O que realmente importava era jogar. Logo no inicio do game temos três níveis de dificuldade a escolher: Normal, Advance e Master Advance. A única diferença é que quanto menor o nível, menos letras Mickey deve coletar para terminar o jogo, ou seja, menos fases para jogar (isso não é algo que eu chamaria de ruim). Safari In Letterland pode ser terminado em um tempo máximo de meia hora.

Justiça seja feita: a jogabilidade do game é excelente. Mickey se move com certa agilidade e tem um salto bem satisfatório. Mas basta tocar no primeiro inimigo para identificarmos o maior problema com esse título. Mickey é imortal. Isso mesmo! Nada mata, ou tira o sangue do ratinho. Aliás, nem barra de energia existe nesse jogo. Além não sofrer danos, Mickey também não mata nenhum de seus inimigos. A impressão que fica é que aquelas criaturinhas estão ali apenas para enfeitar os cenários.  Além de ser um jogo educativo, Mickey Safari in Letterland é zero em desafio.

Mas então... Se o Mickey não morre e não mata ninguém, que diabos o jogador faz aqui? Simples! Mickey apenas coleta letras. Funciona assim: Ao fim de cada fase Mickey pega um bloco de pedra que é transformado em uma das letras perdidas do dicionário. Dependendo do nível em que você estiver jogando, é necessário voltar mais de uma vez nas fases para poder pegar todas as letras. São seis mundos ao todo. Se você optar jogar no nível normal basta vencer cada mundo uma única vez. Já no nível mais dif... Difícil não... Nada é difícil aqui! Se optar jogar no nível três, você terá que passar por quatro fases diferentes em cada mundo. Mas isso não importa muito. Cada fase do jogo leva em média menos de dois minutos para ser completada. 

Fora o bloco de pedra ao fim da fase, Mickey também deverá coletar três cristais cor de rosa que contém uma letra cada. Quando juntadas, as letras dos cristais formam uma palavra. Esses cristais não são obrigatórios, não dão nenhuma premiação e nem influenciam no final do jogo. Mas ao coletá-los, Mickey vai soletrar a palavra que se formou. Talvez esse seja o único desafio do jogo. Não que os cristais estejam bem escondidos, mas é necessário sair um pouco do seu caminho se quiser encontrá-los. Há muitas coisas sem sentidos nas fases. Inimigos que estão lá apenas de enfeite e itens que não servem pra nada. Há uma fase em que há um tronco de arvore na água que auxilia Mickey atravessar para o outro lado da fase. Mas Mickey pode nadar se cair na água. Então... Pra que usar um tronco para isso? 

Além de ter uma boa jogabilidade, a qualidade técnica do game está entre as melhores do NES. Mickey é um dos personagens mais animados dentre todos os jogos do console. Ao longo do game você pode ver o ratinho dar saltos giratórios, andar abaixado e até tirar sujeita de sua roupa em algumas ocasiões. Os cenários não são dos mais detalhados e apresentam alguns bugs, mas são bem construídos e agradáveis de se ver. A trilha sonora é descartável e enjoada, assim como os efeitos sonoros. O que realmente impressiona é que o Mickey fala. Para época foi algo inacreditável. Fora a repetida frase “Oh, boy!” e sua risadinha, Mickey realmente soletra as letras ao fim das fases. Para um console que raramente trazia um grunhido de dor em um personagem, ver um rato soletrar era um marco.

Mickey Safari in Letterland trouxe uma jogabilidade muito boa e gráficos satisfatórios para época. A ideia em si também não é ruim. É realmente interessante jogar um game voltado para o desenvolvimento da fala de uma criança. Mas a falta de desafio é algo imperdoável. Mesmo para uma criança de 6 anos a mecânica de jogo é um insulto a inteligência. E quem disse que desenvolver reflexos e pensamentos rápidos não é algo educativo também? Este tinha tudo para ser mais um jogo divertido do bom e velho Mickey. Mas infelizmente, não passa de mais um jogo dispensável para qualquer um.       























Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.

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