segunda-feira, 16 de março de 2015

Análise: Castlevania 64.




O conde Drácula ressurge... Agora em 3D!



Levou muito tempo para que a família Belmont finalmente pudesse brandir seu chicote no universo 3D. A saga Castlevania é uma das mais famosas franquias de ação da Konami, tendo passado por quase todas as plataformas conhecidas. O tão aguardado primeiro jogo da série em 3D ficou dois anos em desenvolvimento. Finalmente, em 1999, o mundo pode conhecer Castlevania (batizado extra oficialmente de Castlevania 64), lançado para o Nintendo 64.



De jogo mais aguardado, Castlevania 64 acabou se tornando o título mais polêmico da série. A grande maioria dos fãs detesta esse jogo, e mesmo alguns jogadores que desconheciam o passado de Castlevania também não encontraram muita coisa boa aqui. Mas será que Castlevania 64 é realmente tão ruim assim?

Enredo.

Em 1852 uma série de sequestros de crianças aterroriza os habitantes de Wallacia. Pessoas somem e reaparecem de maneira estranha, como se estivessem transformadas em um monstro. Todos esses eventos estão ligados à aparição de um imponente castelo no meio da floresta. Para investigar o local surge Reinhart Schnneide, que mesmo não trazendo o nome Belmont, é um autêntico membro do clã. Junto com Reinhart está Carrie Fernandes, que é descendente da família Belnades. Ambas famílias já enfrentaram o poder de Conde Drácula, que parece estar ressurgindo mais uma vez. Depende dos caçadores impedirem que o vampiro inicie mais uma sangrenta campanha de terror no mundo.

Aprovado J.

Jogo de ação variado.



Os fãs mais antigos da franquia podem ficar felizes. Castlevania 64 traz tudo àquilo que se espera de um jogo da série. O jogador poderá escolher entre Reinhard e Carrie antes de começar uma nova partida. Como é membro do clã Belmont, Reinhart utiliza o conhecido chicote sagrado da família, além de ter uma espada como arma secundária. Carrie é descendente de uma família de bruxos, o que significa que seus ataques são bolas de magia que podem perseguir os inimigos. A garota ainda utiliza argolas para ataques corporais. Tanto o chicote como as bolas de magia podem ficar mais poderosos quando se coleta os Power Ups espalhados pelas fases. Ambos personagens podem utilizar as pequenas armas que são encontradas em tochas. Há facas, machados, água benta e etc.

O game se desenrola através de fases lineares com momentos de exploração e ação. Os cenários são bem amplos e escondem muitos segredos. Nota-se que há um projeto bem interessante para cada fase. O jogador poderá explorar uma floresta, torres com relógios e lâminas afiadas e até torreis repletas de cristais, arenas de combate e etc. Espere por diversos trechos com plataformas para pular, itens para coletar, inimigos dos mais variados, chefes e quebra cabeças. Há grande equilíbrio em cada uma dessas mecânicas, e dificilmente o jogador se sente travado ou sem um destino em alguma etapa.



Ainda houve espaço para trazer velhas e esquecidas ideias de volta a vida. Assim como no saudoso Castlevania II – Simon´s Quest, em Castlevania 64 anoitece e amanhece, influenciando diretamente na aventura. Há portas que só podem ser acessadas pela manhã ou pela noite. Monstros diferentes surgem de acordo com o horário. Até mesmo o final do game é influenciado pelo número de dias que o jogador leva para chegar ao fim da campanha.

Jogar com personagens diferentes também ajuda a prolongar o game. O roteiro do jogo basicamente é o mesmo tanto para Reinhart quanto para Carrie, mas há fases que são exclusivas para cada herói. Graças a isso, Castlevania 64 se torna um jogo mais longo, sem que isso pareça forçado. Cada fase exclusiva utiliza as habilidades particulares de cada personagem, o que torna interessante e rica a experiência de jogo.

Reprovado.

Problemas técnicos na jogabilidade.

Infelizmente, Castlevania 64 foi agraciado com um problema que parecia ser lei em grande parte dos jogos de ação/plataforma do Nintendo 64: ângulos de câmera equivocados. É muito comum a visão mudar constantemente durante a movimentação dos personagens. Durante os saltos mais perigosos é que o ângulo de visão se torna pior. Dessa forma, executar alguns pulos vira uma loteria. O sucesso de um salto depende mais da sorte do que da habilidade do jogador.



Os controles não chegam a ser o principal vilão do game. Na verdade, a grande maioria das analises desse jogo colocam a culpa na jogabilidade "supostamente" ruim. Em meu ver, os controles possuem boa resposta. Tanto os ataques quanto os saltos são bem precisos e dificilmente os controles realmente atrapalham. O fato é que as câmeras ajudam a mudar a direção de alguns golpes e pulos. A culpa sempre acaba caindo na jogabilidade do game.

Parte técnica. 

Castlevania 64 já chegou ao mercado com gráficos datados, embora não fossem dos piores, com certeza. Há bons efeitos de tela, como fogo, trovões e um jogo de iluminação bem bacana. Mas a pobreza fica muito evidente em locais mais abertos, onde faltam detalhes e um pouco mais de elementos de cenário. A Forest of Silence, por exemplo, até tem um clima bacana, mas é um ambiente um tanto pobre.



Já em cenários fechados a coisa melhora um pouco. Não deixa de ser legal admirar um castelo tridimensional e cheio de localidades tão singulares. Os ambientes variam de salas luxuosas a masmorras escuras e hostis. As texturas não são exatamente top de linha, mas pelo menos convencem. O jogador poderá visitar uma vasta variedade de ambientes, incluindo a clássica torre do relógio, que se tornou bem famosa no game. Castlevania 64 se vale de um trabalho artístico pouco visto na jogoteca do N64.



Os personagens também não apresentam modelos muito bons. Os protagonistas têm uma movimentação um tanto dura e robótica. Já os inimigos são bem mais agradáveis. É bem legal ver toda a safra de monstros a serviço de Drácula num ambiente diferente. Esqueletos, fantasmas, outros vampiros e até os chefões possuem boa modelagem e convencem bastante.

O grande problema da ambientação está em um efeito de nuvem incomodo que existe em todos cenários. É uma névoa cinza que temos certeza que não deveria fazer parte do ambiente do jogo. Em locais abertos até da pra enganar e dizer que faz parte de algum efeito de cenário. Mas em locais fechados ela se torna incomoda e muito desconexa da situação geral do game.

A parte sonora se sai melhor. Os efeitos de ambiente são bem feitos e com equalização impecável. Há uma boa variedade de sons, como explosões e magias. A trilha sonora é um tanto diferente para aqueles que conhecem a franquia de seus tempos áureos. Em vez de composições bem elaboradas e com qualidade sonora acima do que se espera em um game, temos músicas ambientais, mais leves e com volumes mais baixos. No entanto, a trilha não deixa de ser boa e se encaixa perfeitamente com o clima do jogo. Apenas ficou diferente daquilo que os velhos fãs já conhecem.
  
Conclusão.

Para bem ou para o mal, Castlevania 64 foi um jogo marcante. É aquele tipo de título que se tornou memorável mais pelas suas falhas do que pelos seus acertos. É verdade que as câmeras incomodam e prejudicam a jogabilidade, mas não chega a ser o suficiente para destruir toda a experiência de jogo. Há ideias muito boas e bem exploradas ao longo do game.  



As fases são extensas e possuem projetos interessantes. O game intercala com sabedoria os momentos de exploração e ação, e os combates contra chefes valem muito a pena. Foi um dos poucos jogos do Nintendo 64 com uma abordagem mais obscura. Infelizmente, o impacto de Castlevania 64 foi catastrófico. Mesmo com mais de 10 anos após o seu lançamento, esse jogo ainda inspira terror nos fãs da franquia. Não é comum você encontrar um grande publico que ainda repudia qualquer game em 3D da série. Mesmo os títulos lançados para Playstation 2, Playstation 3 e X-box ainda sofrem com o legado nefasto de Castlevania 64.  De modo geral, ou você ama ou você odeia esse jogo. Apenas jogue e tire suas conclusões. 


Nota Final:




Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.







4 comentários:

  1. Ótima analise cara, olhando vendo por esse lado concordo contigo. Mais neim tudo é perfeito,certo?
    Pois bem,eu prefiro o Legacy of Darkness,mais esse é um ótimo game com erros que podiam ser evitados e até poderiam ter arriscado mais, no entanto tem que arriscar para aperfeiçoar. Por mais que seja uns dos mais fracos da série eu curto e recomendo!

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  2. Os mais antigos da série eram melhores, mas esse ficou legal também.

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  3. Eu particularmente adoro esse jogo, para mim um dos melhores da série, só jogando mesmo.

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  4. Me parece revolucionário, para um jogo da época, quem me dera na época tivesse um desse. Só de ver as imagens imagino que ficaria a tarde toda jogando kkkk

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