terça-feira, 9 de junho de 2015

Análise: Batman - Arkham City.




A fortaleza de Arkham se estende para uma cidade inteira.




Quem diria que um game baseado em um super herói seria tão bem aceito pelo público! Batman – Arkham Asylum se consagrou entre os jogadores, graças a uma jogabilidade surpreendente e pelo aprofundamento e fidelidade com os quadrinhos. O resultado não poderia ter sido outro! Arkham Asylum conquistou até quem nunca foi muito fã do cavaleiro das trevas. Consequentemente, o título ganhou uma continuação ainda mais impressionante.

Batman – Arkahm City mantém tudo aquilo que deu certo no título anterior. Mais do que uma continuação satisfatória, o jogo expande o universo do homem morcego, adicionando mais vilões, mais ação e criando um enredo fascinante, repleto de reviravoltas e surpresas. Arkham City é tudo aquilo que um fã de Batman sempre quis em um vídeo game, e provavelmente, o game definitivo do morcegão. A análise que você lerá a seguir foi feita com base na edição GOTY, para computador.

Enredo.

18 meses se passaram desde a investida do Coringa na fortaleza Arkham. Os políticos de Gotham passaram a questionar a segurança da prisão e o alto custo exigido para manter um local que não deixava a população segura. Através da influência do psiquiatra de Arkham, Hugo Strange, tanto o asilo quanto a prisão de Blackgate foram fechadas. Os prisioneiros foram todos colocados numa região totalmente esquecida de Gotham, uma grande cidade desabitada que recebeu o nome de Arkham City, onde todos os criminosos de Gotham vivem segundo suas próprias leis.


Se por um lado é mais barato deixar todos apodrecendo numa cidade abandonada, por outro, a população se sente ainda mais insegura. Arkham City acabou dando liberdade aos criminosos. Cada vilão formou sua própria gangue e elas vivem em conflitos pelo domínio da cidade/prisão. Nem mesmo Batman foi capaz de evitar a criação de Arkham City, de modo que ele teve que apelar para a identidade de Bruce Wayne, a fim de conseguir influenciar alguns políticos e os magnatas de Gotham.

Hugo Strange, que se tornou diretor e dono de Arkham City, descobre a identidade secreta do homem morcego, chantageando Bruce Wayne. Ou ele aceita ser aprisionado em Arkham City, ou Strange irá revelar seu segredo para todos. Sem escolha, Bruce acaba indo parar em Arkahm. Com o auxilio de Alfred, ele consegue o seu traje e passa a buscar respostas sobre algo que Strange chama de Protocolo 10. A partir daí começa a se desenrolar a trama de Arkham City.

Bem vindo à Arkham City.

A primeira surpresa de Arkham City é a mecânica de jogo, que além permanecer intacta com relação à Arkham Asylum, foi complementada por um grande mundo aberto. Sim, Batman pode explorar Arkham com total liberdade, indo de missões principais (aquelas que farão o jogador prosseguir na campanha) e missões secundárias, que ampliam a vida útil do jogo.



Tudo fica espalhado em um grande mapa, podendo ser localizado de maneira fácil e intuitiva. As missões principais são longas e interessantes, sempre utilizando a exaustão o cinto de utilidades de Batman. Os objetivos principais sempre incluem mecânicas de exploração e combate. Também há uma ênfase maior no lado detetive, fazendo o jogador encarar diversos puzzles para progredir nas missões. Já os objetivos secundários são tão divertidos quanto os principais. Há tarefas simples, como salvar presos políticos ou procurar por telefones públicos tocando espalhados na cidade, até investigações mais meticulosas que o levam a encarar outros vilões não tão famosos, mas importantes na mitologia do cavaleiro das trevas.

Arkham é uma cidade cheia de vida própria, totalmente habitada por criminosos. Por esse motivo, o número de combates está duas vezes maior, uma vez que é muito comum encontrar grandes grupos de bandidos perambulando pelas ruas. Cada gangue da cidade é liderada por um grande vilão; Duas-Caras, Pinguim, Charada, Coringa e etc.


Falando em vilões, o elenco está muito maior em Arkham City. Claro que o palhaço continua sendo o principal antagonista da história. Mas aqui Batman terá de lidar com um cartel de malfeitores maior. Há encontros com Pinguim, Sr. Frio e Mulher-Gato, está ultima surgindo mais para ajudar. Também marcam presença figuras menos conhecidas do grande público, como o Chapeleiro Louco, Ras Al Ghul, Face de Barro e etc. Mesmo com tantos personagens, o enredo não deixa nenhum sem importância. Por vezes Batman terá de confiar em alguns de seus arquiinimigos. A trama de Arkham City está realmente ótima, guardando boas surpresas para os jogadores.
  
Herói completo.

Os que já se aventuraram em Arkham Asylum ficarão contentes ao ver que Batman já começa o novo game com todos os equipamentos do jogo anterior; bat-rang, bat-garra, gel explosivo e etc. No decorrer da aventura ainda há novos “brinquedinhos” a adquirir, como uma arma que dispara raios elétricos, um anulador de armamentos, granadas de gelo e muito mais. O cinto de utilidades mais extenso permitiu novas e interessantes situações, criando puzzles que são bem desafiadores. Itens antigos também dão novas possibilidades ao morcegão. Na hora de explorar a cidade, por exemplo, Batman pode planar por entre prédios usando o gancho de escalada para tomar impulso, dando ao jogador a impressão de estar voando o tempo inteiro. A Bat-garra também auxilia na hora de atravessar por grandes lagoas.


Os combates não sofrem mudanças. O sistema de combo acontece por meio de contra-ataques. Ao apertar o botão no momento certo é possível conectar mais golpes em um número maior de inimigos. Ainda é possível combinar golpes com os bumerangues, ou então, utilizar técnicas de atordoamento para desferir sequências mais brutais em adversários. Conforme destrava novas habilidades é possível usar até uma revoada de morcegos para derrubar capangas ou neutralizá-los com raios. O sistema é tão acessível e fácil que chega a parecer simples, mas as possibilidades são muitas. Logo o jogador percebe que amassar botões é pouco efetivo se quiser chegar ao fim da campanha principal.



Os momentos de ação furtiva também estão de volta. Inimigos armados geralmente surgem em grandes grupos, sendo potencialmente perigosos de encarar no mano a mano. Nessas horas o jogador pode contar com locais mais altos e a escuridão para pegar criminosos desprevenidos e nocauteá-los. Claro que há adição de dificuldade e criatividade em alguns momentos. Agir em lugares abertos, como em prédios e ruas, é bem mais complicado, pois é mais difícil se esconder. Em etapas mais avançadas os inimigos também usam de um par de óculos de visão noturna que pode detectar os movimentos aéreos de Batman.

Por fim, temos combates espetaculares contra chefes. Cada confronto promete surpreender o jogador, indo muito além do velho esquema de desviar e bater que foi visto em Asylum. São lutas desafiadoras e cheias de criatividade, coisa que, até então, só era vista em jogos como Metal Gear Solid.

Rico em conteúdo.

Arkham City tem uma campanha de aproximadamente doze horas de duração, isso apenas contando com as missões principais. As missões paralelas são curtas, mas estão em grande quantidade e garantem pelo menos mais cinco a oito horas de duração. Fora isso, ainda há os famosos troféus do Charada para encontrar, que já garantiam boas horas de diversão no jogo anterior, bem como os mapas de desafio, que são desbloqueados ao completar missões durante o game.


Na parte de conteúdo para download ainda é possível baixar um cenário extra onde jogamos somente com a Mulher Gato. São missões menos complexas, mas que se entrelaçam com os eventos vividos pelo Morcegão. Chega a ser divertido. Por fim, a rica enciclopédia do universo Batman está de volta. Sempre que o jogador encontrar com um novo personagem será exibida uma ficha técnica, com uma mini biografia  e até mostrando em que ano e edição dos quadrinhos ele surgiu pela primeira vez.

Parte técnica.

Arkham City é muito superior ao seu antecessor, tendo gráficos tão impressionantes quanto outro famoso game de sua época, The Elder Skrolls V: Skyrim. A cidade/prisão é imponente e cheia de detalhes aqui e ali. Há luzes e sombras por todos os lados e cada textura é perfeitamente bem aplicada. Há sempre uma pequena quantidade de neve caindo nos chãos e nos telhados de Arkham City. O ambiente é bem construído, seja externa ou internamente. Há um constante clima de abandono e opressão, e isso fica bem evidente quando exploramos locais como o antigo departamento de policia de Gotham ou o fórum de justiça. Há sujeira e objetos quebrados para todos os lados e a apresentação de cada cenário é convincente.


Os personagens também seguem os modelos fieis do game anterior. Não houve grandes mudanças na roupa do Batman. A fidelidade com a obra original se estende até mesmo aos figurinos, que mudam somente alguns poucos detalhes, mas mantendo os traços vistos nos quadrinhos. Há repetição nos inimigos comuns, aqueles que estão ali apenas para apanhar do homem morcego, mas não chega a ser um ponto negativo. As animações são simplesmente fantásticas, ainda que, por vezes, haja alguns deslizes com a física. Nada que seja prejudicial ao visual.

Na parte sonora vai tudo muito bem. Os efeitos são cristalinos e variados, com eximia qualidade. Os impactos dos golpes convencem, bem como as explosões e objetos quebrando. A trilha sonora é composta por temas imponentes e orquestrados, com arranjos de extremo bom gosto. As dublagens completam o pacote, com interpretações ótimas. Os destaques continuam sendo para Kevin Conroy e Mark Hamill, dubladores de Batman e Coringa, respectivamente, que voltam a emprestar suas vozes para a dupla. Por terem dublado os personagens na série animada, Conroy e Hamill os entendem como ninguém, e a interpretação dos diálogos é belíssima. As outras vozes mantiveram o excelente nível de qualidade, logicamente.



Arkahm City chegou ao Brasil com textos totalmente em português. As traduções estão excelentes, com uma revisão de texto invejável. Até 2011 alguns jogos chegaram ao Brasil com traduções de texto bem ruins e termos traduzidos ao pé da letra. Arkham City estabeleceu um padrão para esse tipo de trabalho, com piadas adaptadas e conservando muitos detalhes, como os diálogos dos criminosos; mesmo os mais simplórios serão mostrados em sua tela, com sua perfeita tradução.

Conclusão.

Batman: Arkham City é um exemplo de continuação que supera o game original com superioridade. É um título de jogabilidade primorosa, enredo eletrizante e cuidados técnicos irrepreensíveis. O conteúdo é super rico e promete prender o jogador por meses. Fica claro que Batman: Arkham City estabelece um padrão para jogos baseados em super heróis; um padrão que, infelizmente, não é seguido.


A narrativa é o prato principal, e o desfecho é empolgante. É realmente difícil encontrar um ponto negativo nesse jogo. Obrigatório para qualquer fã do Homem Morcego, e rigorosamente indicado até para quem não conhece fundo esse universo, Batman: Arkham City entra para o hall dos melhores jogos lançados para a geração passada. Recomendado e obrigatório para todos que adoram um bom game de ação com aventura e uma excelente história.


Notal final.



Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.






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