terça-feira, 16 de junho de 2015

Games Proibidos: Counter-Strike



Fogo na rosquinha!!!




O ano de 1999 trouxe um dos games de FPS mais famosos do PC; o clássico Half-Life. Desenvolvido pela Valve, Half-Life arrebatou uma quantidade avassaladora de fãs, graças à jogabilidade bem inventiva e um enredo bem envolvente. O diferencial de Half-Life foi unir tiro em primeira pessoa com exploração de amplos cenários e resolução de puzzles pelo caminho. O game não se limitava a simplesmente sair explodindo alienígenas pelo caminho, e isso fez com que muitos jogadores ficassem horas e mais horas em frente ao PC. Half-Life até recebeu uma versão para o PS2 alguns anos depois.

Naquele mesmo ano Half-Life receberia um mod bem comum para jogos on line, um certo título chamado Counter-Strike. De um humilde mod, Counter-Strike (chamado carinhosamente de CS) se tornou um dos maiores fenômenos do mundo, responsável pela ampla popularização de jogos em rede.

Counter-Strike é um mod exclusivo para jogos em rede ou on line. Há dois times para escolher, os terrorists (terror) e o Counter Terrorists (CT), e o objetivo é simples! O time que metralhar o outro primeiro vence... Ou quase isso. CS trazia três modalidades de mapas diferentes. O primeiro é o clássico mata mata. O segundo modo consiste nos CT´s desarmarem uma bomba armada pelo time terrorista. Já no terceiro modo os CT´s devem resgatar os reféns do time terrorista. Não importava qual era o modo de jogo, tudo é regado a muito tiroteio e sangue, como todo bom FPS deve ser.

A “guerra virtual” incomodou muita gente.

Perto de outros jogos que já sofreram proibição no Brasil, Counter-Strike era, de longe, o menos violento... Pelo menos quando comparado com perolas como Postal 2, Manhunt e Doom. Havia sim sangue no jogo, mas sem detalhes de crueldade. No máximo, um sangue de leve no corpo de bonecos mortos, mas sem desmembramentos, tripas ou outras coisas mais sanguinolentas. O grande problema em volta de CS foi à febre mundial que o jogo se tornou, e essa febre veio para o Brasil.

Entre 2002 e 2003, anos em que a febre pelo jogo apenas começou a crescer, o número de lan houses que abriram no Brasil todo foi surpreendente. Vale lembrar que esses locais já existiam, claro. Mas antes o grande foco era o acesso a internet. Com a popularização do Counter-Strike, muitas lans passaram a contar com este e mais outros games em seus computadores. Jogadores lotavam as casas todos os dias e muitas filas eram feitas para que todos pudessem jogar um pouco dessa nova sensação.

E foi justamente isso que incomodou a muitos pais, políticos e defensores do moralismo. Para essas pessoas, os jovens estavam cada vez mais viciados em um jogo que promovia a discriminação e a violência social, simulando uma horrenda guerra entre traficantes e policiais. Hoje isso pode parecer pouca coisa, mas na época não era! Em pleno 2003 vivíamos um período mundial bem delicado graças aos reflexos deixados pelo atentado terrorista de 11 de setembro. Enquanto se falava muito em guerra ao terrorismo, Counter Strike abordava o assunto de uma maneira bem violenta para uma sociedade que ainda tentava se acostumar ao ataque das torres gêmeas e ao recente ataque dos EUA contra o Bagdá. 

No Brasil a coisa ficou ainda mais grave devido ao mapa CS_Rio. Counter-Strike tinha um editor de mapas que permitiu aos fãs criarem muitos cenários diferentes para os confrontos on line. Havia mapas baseados na mansão de Resident Evil, no castelo de Super Mario 64, na vila do Chaves e etc. Um desses mapas foi o famoso CS_Rio, mapa que se passava em uma favela do Rio de Janeiro. Daí já deu pra entender tudo né? Um tiroteio numa favela, com direito a um funk proibidão e samba... Como diria o Cap. Nascimento, só podia dar merda. E deu mesmo!      


Por muitos anos o governo tentou a proibição de Counter Strike em território nacional. Entre liminares e avisos, a comercialização do jogo continuou firme e forte em nosso país. Mas em 18 de janeiro de 2008, o juiz Silva Costa Torta conseguiu vencer a ação movida contra o game. Ele alegou que a fase CS_Rio  era um exemplo de que o jogo estimulava a subversão da ordem social e era um atentado contra o estado democrático. A Valve, criadora do jogo, ainda tentou recorrer alegando que a fase CS_Rio foi  desenvolvida por fãs, não fazendo parte do pacote oficial do jogo. Mesmo assim, Counter-Strike teve sua venda proibida. Qualquer revista que vendesse qualquer tipo de cd ou programa que fosse relacionado ao jogo pagaria multa. Lan houses foram obrigadas a tirá-lo dos computadores. Felizmente a proibição não durou muito tempo. No ano seguinte o game voltou a ser comercializado em nosso país.
  
CS e o legado.

Counter-Strike é um dos muitos jogos que se tornaram mania mundial. Mais do que uma mania, CS deixou um legado grandiosos no mundo dos games. Após ele, muitos outros títulos se popularizaram em lans, e indiretamente, CS ajudou nisso. Jogos como Medal of Honor, Call of Duty, Battlefield e etc. Counter-Strike parece ter se tornado um padrão para o gênero FPS com partidas on line.

Counter-Strike até virou profissão para muitos. Até hoje existem torneios que pagam muito bem os competidores. São competições nacionais e internacionais sérias que acontecem anualmente. Hoje a moda das lans morreu, mas Counter-Strike segue firme, forte e popular. O game continua vivo através da Steam e sempre com novidades.

No final das contas, Counter-Strike não tem um conteúdo muito forte ou violento. Trata-se de um jogo de tiro padrão, com demonstrações mínimas de sangue em meio aos seus furiosos tiroteios. Seu problema se deu mais por fatos sociais além de seu controle, que infelizmente, acabaram sobrando para o jogo. Se formos pensar, perto de outros títulos, Counter-Strike não traria tantos motivos para proibição. Mas sabe como é, né! Mais fácil culpar os games pelos crimes da sociedade... Enfim! Counter-Strike vive no coração de todo fã de FPS, e até hoje é um dos melhores games do gênero. 























Escrito por: Lipe Vasconcelos.





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