sábado, 7 de novembro de 2015

Análise: Splatterhouse




Porrada, tripas e metal!




Apesar de ter nascido no final da década de 80, para o fliperamas, Splatterhouse ficou mesmo conhecido quando ganhou uma conversão para o Mega Drive, em 1991. No game o jogador encarna Rick, um jovem que precisa salvar sua namorada de monstros em uma mansão misteriosa. Para isso, Rick conta com os poderes de uma máscara misteriosa que o deixa poderoso e enorme... Literalmente.



Com a proposta de homenagear os filmes de terror trash da década de 80, Splatterhouse acabou por chocar o publico. O game era bem violento pra época, com cenas de sangue, desmembramentos e um clima bastante sombrio. Como resultado, Splatterhouse acabou descontinuado após duas sequências. Esse é mais um daqueles títulos cults, que é mais lembrado por sua polêmica do que pelo jogo em si.

Em 2010 a Namco resolveu aproveitar a nova tecnologia dos novos hardwares para lançar uma releitura de seu clássico. Sendo assim, Splatterhouse retorna para mais uma rodada de pancadaria e sangue, trazendo a série para os famosos terrenos do Hack in Slash. Mas será que esse reboot da franquia realmente consegue agradar? Ou acaba sendo tão esquecido quanto os filmes de terror trash em que se inspira?

Enredo.

Por ser uma releitura do jogo original, a Namco preferiu não mexer muito na trama clássica. Rick é um jovem nerd franzino que acorda em uma mansão abandonada e deitado em uma poça de sangue. Ele não se lembra de muita coisa, tendo apenas flashs de sua namorada, Jennifer, sendo raptada por um velho.

Ao seu lado, Rick encontra uma máscara de caveira que conversa com ele. A máscara diz que Jennifer não precisa morrer, e que pode ajudar a Rick, bastando que o rapaz a coloque no rosto. Ao usar o item, Rick se transforma em uma criatura gigante e quase imortal, e o pior, o poder demoníaco da máscara o controla.

Usando esses novos poderes, Rick parte numa jornada para salvar Jennifer. O problema é que o local está infestado de demônios que estão doidos por um pedaço da carne de humana. Como foi parar na mansão? O motivo de Jennifer ser raptada? E de onde surgiu a máscara? Essas são perguntas que só serão respondidas no decorrer do game.

Aprovado.

Essencialmente brutal.

Numa escolha mais do que certa, a Namco preferiu não mexer muito na essência de Splatterhouse, mas apenas adaptá-la para o novo mercado de games. A característica mais marcante do título foi sua violência, e isso está mais presente que nunca neste novo capitulo. Junto a isso, é muito legal notar que elementos da jogabilidade clássica também estão presentes no game. 



Splatterhouse se desenvolve como um Hack in Slash de pura ação, ou seja, Rick enfrentará hordas de demônios no melhor estilo “Deus da Guerra”. Mas ao contrário da aventura de Kratos, Rick vai apenas distribuir porrada em seus inimigos, sem resolver puzzles nem se perder em longas e complexas fases. Repetitivo? Sim.. Chato? De maneira alguma! Mesmo focando em combates, Splatterhouse possui um enredo intrigante que garante a atenção do jogador durante a campanha principal.

Brutal! Essa seria a palavra ideal para definir Splatterhouse. A Namco não fez cerimonia alguma em expor o jogador à cenas de pura carnificina. O mais simples dos golpes derrama litros de sangue pelo chão, paredes e até mesmo na tela do jogo. Tudo foi projetado para ser o mais sangrento e intenso possível. É simplesmente cativante espalhar tanto sangue pelo cenário enquanto descemos o cacete nos monstros que surgem pelo caminho. Para coroar, há belas cenas de finalizações que são feitas através de Quick Time Events. Nesses momentos assistimos Rick arrancar cabeças, braços e até enfiando o braço por dentro de inimigos e arrancando suas entranhas pela boca, e até mesmo pelo anus. As cenas são tão bem feitas que causam uma sensação de repugnância e incomodo no jogador, um efeito que deixa tudo mais prazeroso. O único porem é que esses QTE são extremamente severos em seus tempos de execução, surgem muito rápidos e não perdoam o erro do jogador.



O sistema de combate é muito simples de assimilar, mesmo para quem nunca teve contato com um jogo do gênero. Existe um botão para golpes fracos e outro para os fortes, podendo combinar esses golpes em diversos combos. Fora isso, Rick ainda pode utilizar armas como porretes, tacos, cerra elétrica, escopetas e até o seu próprio braço para dar cabo de criaturas diversas. Os controles respondem bem e executar combos é simples e divertido. As lutas contra chefes são a cereja do bolo, pois são bastante viscerais e divertidas.

Como é de praxe, Splatterhouse conta com um sistema de melhorias. Matar monstros acumula sangue (novidade, né?) e este sangue é usado como moeda para comprar novos golpes. O problema é que a variedade de golpes não é das maiores. Também é possível aumentar a barra de energia vital de Rick e até a barra de sangue extra, que é usado para ativar os golpes de fúria e também os poderes da máscara.



Falando em sangue extra, é sempre bom lembrar que a máscara deixa nosso “herói” quase imortal. O sangue que o jogador coleta durante os combates também pode ser usado para curar seus ferimentos a qualquer momento. Isso é divertido, mas ao mesmo tempo, tira um pouco do desafio do jogo. Basta um simples combo de três a cinco hits para completar uma barra de sangue que permite recuperar a energia vital.

Por fim, as fases não são difíceis, ao contrário. Os caminhos são sempre lineares e não dão margem para se perder. Não existe puzzles aqui. No máximo, em algumas salas você só pode avançar depois que joga inimigos em ganchos ou espetos. Em outros momentos, a câmera assume a visão side scroling parecida com os jogos do mega drive. É bem divertido ver o apelo à fase de ouro da série, ainda que essas partes sejam curtas e não muito frequentes.

Reprovado L

Falhas técnicas.

Apesar de ter um visual interessante, Splatterhouse sofre com alguns problemas técnicos bem chatos. E nem digo que são problemas gráficos, mas sim problemas de acabamento técnico com respeito a programação do jogo.

O maior problema, logo de cara, está nos loadings. Se prepare para ver muitas telas de loading durante o game. Basta iniciar uma fase para esperar por trinta longos segundos de carregamento de arquivos, e isso inclui quando morremos. Evite morrer nesse jogo. Em um determinado momento da fase três eu morri constantemente, e foi muito irritante ficar esperando aquele tempo todo para carregar novamente a fase. Infelizmente, nem instalando o jogo no HD o problema é resolvido.



Como se já não bastasse a tela de carregamento de fase demorar, o próprio jogo fica carregando a todo momento. Imagina só, a fase mal carregou, e quando ela começa, outro loading se inicia. Isso resulta em momentos bem chatos em que ficamos aparentemente presos em uma sala, esperando que a próxima sala carregue. Várias vezes achei que o jogo havia travado por que uma porta não se abria, quando na verdade, o jogo estava carregando a etapa seguinte.

Parte técnica.

Splatterhouse não é o jogo mais bonito de sua geração, mas certamente é o mais violento. Os cenários seguem o estilo sombrio e sangrento da trama, entregando ambientes bem macabros e repugnantes. O game não se passa apenas dentro da mansão, como também em fábricas, parques de diversão, cemitérios e etc. As texturas são boas, ainda que não sejam as melhores definições já vistas em um x360. Assim como as cenas violentas, a construção das fases consegue passar uma sensação incomoda para o jogador.

Os personagens são bem construídos. Rick tem o seu design tirado diretamente de Splatterhouse 3, sem camisa e  musculoso, apenas com a máscara. Os monstros não são tão variados, mas possuem excelentes modelagens, todas bem grotescas e detalhadas. As cenas de sangue são viscerais e bem animadas. Por vezes, podemos ver o corpo de Rick todo banhado em sangue depois de uma longa batalha, ou repleto de ferimentos.



Os sons estão simplesmente ótimos. De nada adiantaria um game tão violento sem uma sonoplastia digna. Os sons possuem excelente impacto e veracidade, seja os de pancadas ou os sons de carne rasgando ou sangue jorrando. Tudo está muito claro e bonito de se ouvir. Houve um cuidado muito bom nas vozes, principalmente dos monstros. O game possui dublagens, mesmo que não sejam muitas. Em geral, a vozes que mais escutamos são as de Rick e a da máscara conversando mentalmente. A voz de Rick é um tanto canastrona, é verdade, mas não chegam a fazer feio. Já a da máscara é espetacular. Com frequência ela fez comentários hilários e irônicos sobre a sanidade de Rick.

A trilha sonora é simplesmente fantástica. As canções são instrumentais de grandes bandas de death e black metal como Lamb of God, The Haunted e até Cavalera Conspiracy, banda brasileira formada pelos irmãos Cavalera, membros da antiga formação do Sepultura. A trilha casa bem com os momentos de carnificina mostrados nos combates, com solos de guitarra empolgantes e bateria furiosa.

Conclusão.

Mesmo não sendo genial e revolucionário, Splatterhouse é um jogo bem divertido e recomendado, principalmente para os fãs de games de ação com altas doses de sangue. A mecânica de combate tenta se renovar com novos golpes, mas a variedade é pouca e não impressiona. O enredo também passa longe de outras tramas mais bem elaboradas que vemos em outros jogos, mas acaba por prender o interesse do jogador, que vai querer ir até o fim para descobrir os mistérios em volta do sequestro de Jennifer e do poder da Máscara do Terror. Mesmo tendo mecânicas repetitivas, Splatterhouse é um título indicado para jogadores casuais por ser um jogo pouco complexo e com um tempo de duração ideal para tal público.



Na parte de extras, existem arenas de desafio que são desbloqueadas conforme o jogador vence as fases do game. Elas ajudam a divertir após terminar a campanha. Além disso, também é possível desbloquear os três títulos lançados para o mega drive. No geral, Splatterhouse consegue divertir sem compromisso. Não chega a ser aquele tipo de jogo obrigatório em sua coleção, mas não faz mal dar uma conferida. 


Nota Final.





Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.









2 comentários:

  1. Está ai um jogo que vi quando anunciaram que achei muito maneiro pois não cheguei a jogra as versões de pc engine nem a versão que também saiu para o nintendinho e também a do mega drive.Pois essa versão que fizeram é uma reboot da série com uma boa roupagem e com um enredo até que legalzinho né.
    Joguei a versão de xbox 360 pois logo de início do jogo achei bem foda em todos os sentidos mau avancei nele e ja´levei um gameover na cara meu.Tive que praticar um pouco para pegar a manha do jogo mas mesmo assim teve partes dele que xinguei até a mãe do protagonista por tamanha dificuldades.
    Mas valew a pena sofrer um pouco viu fazia algum tempo que algum jogo não me levava ao limite das minhas abilidades como jogador pena que no fim dele deixa uma ponta para uma continuação que nunca vai ter ne´.
    Belo post esse Lipe espero que continue com o ótimo trabalho aqui sempre passo aqui para conferir.

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    1. Pois é... infelizmente número fazem a diferença no mercado. Achei Splatterhouse bem legal, de vez em quando pego pra jogar! quem sabe um dia venha a sequência!

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