sábado, 20 de fevereiro de 2016

Joguei e não recomendo: Pandemonium



Um nome nunca fez tanto sentido.



Pandemonium é um antigo termo utilizado quando queremos nos referir a uma confusão catastrófica. Vai ver é esse o motivo da Crystal Dinamics de batizar seu jogo assim, afinal, confusão catastrófica define bem o que é Pandemonium.

Lançado em 1996, Pandemonium veio naquela safra de jogos que precisavam apresentar ao mundo o poder do Playstation, ou seja, usar e abusar da sua capacidade de reproduzir gráficos em terceira dimensão. Nada contra! Afinal, podemos dizer que Pandemonium tinha tudo para ser um jogo memorável, mas uma única decisão colocou o jogo todo a perder. A história é simples. Você controla Nick e Fargus, dois aprendizes de feiticeiros que libertam um antigo mal aprisionado em um livro de feitiçaria. E ai fica a desculpa para atravessar uma variedade de fases para aprisionar esse mal.

Apesar do enredo sugestionar algo obscuro, Pandemonium tem uma pegada bem leve, quase infantil. A primeira vista o game lembra muito um Mario 64. A mecânica é muito simples. No controle de um dos jovens feiticeiros, o jogador deve atravessar fases lineares, pulando por plataformas e matando uma série de criaturas. As fases são bem longas e repletas de tesouros para coletar. No geral, não se difere nada de um side scrowling de aventura digno de um Super Nintendo.

Logo é possível ver que o jogo é simples e interessante. Mas ai a Crystal Dinamics resolveu fazer o game totalmente em terceira dimensão. Os personagens andam apenas para frente e para trás, realmente igual a um jogo 2D. Mas conforme movimentamos nosso personagem pelo cenário, a câmera se movimenta junto e sem parar. Como você só tem dois sentidos diferentes para se mover, isso não chega a desorientar o jogador, mas causa uma verdadeira náusea.

Imagine só jogar um game cuja câmera se movimenta sozinha em diversos ângulos. Hora a visão fica totalmente próxima do boneco, em outra fica totalmente distante. Há partes em que a visão está por cima do personagem, ai do nada, ela muda para a horizontal. A mudança constante do ângulo de visão consegue irritar e fica perceptível que isso acontece apenas para mostrar o poder do Playstation.

Além de irritar, as mudanças na câmera atrapalham na jogabilidade. Em Pandemonium você simplesmente se movimenta, pula e lança magias contra inimigos. Os controles são muito bons e respondem bem. Jogar com Nick é ainda melhor, pois ela possui salto duplo. Mas os controles bons não adiantam de nada, pois a mudança na câmera transforma qualquer salto em um verdadeiro salto de fé. Como a câmera também costuma girar nesses momentos, por vezes você fica na dúvida se vai ou não alcançar a plataforma. Na terceira fase, por exemplo, o ângulo da visão fica por baixo do protagonista. Os inimigos também costumam surgir e nos atingir de surpresa, pois ficamos sem noção da distância que eles estão.

Mas temos de ser justos. Pandemonium mostrou que o Playstation realmente tinha potencial. Os gráficos estão muito bonitos. Os cenários nos remetem a ambientes de contos de fadas, vales e planícies, cavernas, castelos e calabouços e etc. Cada local possui toques bem particulares e um tanto psicodélicos. Os personagens são um pouco mais poligonais e quadrados, mas nada que deva ser muito criticado, afinal, estamos falando de um jogo lançado em 1996. Mas o que realmente impressiona é que o game roda com extrema leveza, e isso é um feito muito grande para um jogo com tantos detalhes técnicos. A parte sonora se destaca pela ótima trilha. As músicas são muito bacanas e nos levam para aquele clima de aventura e perigo, com excelente qualidade digital.  

Pandemonium poderia ter sido um game realmente marcante. A mecânica simples é muito cativante e até poderia divertir o jogador. Infelizmente, a câmera bagunçada transforma o jogo em uma confusão danada que atrapalha até o fim.  O jogo apenas mostra que o Playstation podia reproduzir ótimos jogos em 3D, mas a forma com que isso é feito não agrada e deixa o jogo chato em pouco tempo. Para completar, um jogo de mais de 12 fases, e longas, por sinal, ainda utiliza passwords e não saves no memory card. De fato, o resultado desse jogo é mesmo um Pandemonium. 

























Escrito por: Lipe Vasconcelos.



Nenhum comentário:

Postar um comentário