quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Análise: Far Cry 3.



Eu já te contei qual é a definição da insanidade?



Far Cry chegou de modo tímido no mercado. Um game de tiro num cenário tropical que tinha como destaque gráficos que batiam de frente com jogos como Doom 3 e F.E.A.R. Far Cry ganhou mais notoriedade depois que a Ubisoft trouxe o conceito de mundo aberto em Far Cry 2, mostrando que a série tinha potencial para muito mais. Em 2012, Far Cry 3 chega para mostrar um total amadurecimento da série. Trata-se de um dos melhores FPS´s de sua geração, mesclando o que há de melhor em tiroteios com exploração.

Você é Jason Brody, um jovem turista que está viajando com seus amigos e acaba chegando à ilha Rook. O que Jason e seus amigos não sabiam é que o local é dominado por piratas que traficam viajantes desavisados. A pedra no sapato é o líder dos piratas, um louco chamado Vaas. Ao fugir de seus captores, Jason é obrigado a assistir a cruel morte de seu irmão mais velho. Sua fuga desenfreada o leva para a o lado da ilha habitada pelos nativos chamados de Rakyat. Para resgatar seus amigos e enfrentar os piratas de Vaas, Jason terá de aprender a lutar e sobreviver numa ilha rica em fauna, flora... E muitos piratas, claro!

Aprovado 😍

Virando um homem.

Seguindo o exemplo de seu antecessor, Far Cry 3 é um jogo de tiro em primeira pessoa em mundo aberto. Mas em vez de uma região fictícia da África, Jason terá a vasta ilha Rook para explorar. Mesmo nos momentos iniciais de tensão e fuga já temos uma amostra do rico ambiente construído pela Ubisoft. O local é repleto de campos planos, densas florestas, lagos, cavernas, montanhas e etc. É impossível não parar aqui e ali para apreciar a paisagem de Rook.



Mas o que faz Far Cry 3 ser tão grandioso e especial é seu enredo. Jason não é um guerrilheiro solitário ou um militar bem treinado lutando para salvar um país, mas sim de uma pessoa normal que se encontra em uma situação limite e precisa sobreviver. O enredo se aproveita bem da situação, colocando o jogador em momentos bem tensos e de perigo extremo. Jason teme por sua vida e quer apenas fugir. Mas logo descobrimos que a ilha Rook vive uma guerra entre nativos e piratas, e querendo ou não, o protagonista se envolve com os costumes locais e com conflito local.

De um garoto medroso, Jason vai se tornando um homem cada vez mais decidido a enfrentar Vaas e fazê-lo pagar por seus crimes. Notamos isso no prazer que Jason começa a sentir em matar e na melhora de suas habilidades de sobrevivência. O enredo se desenvolve de maneira natural, sem nenhum momento forçado ou sem nexo.  A história consegue unir piratas traficantes de pessoas, guerrilheiros nativos com costumes indígenas, turistas sequestrados e investigações policiais, amarrando tudo com um nó bem apertado e não deixando nenhum evento deslocado.



Por fim, não podemos falar da trama de Far Cry 3 sem mencionar seus personagens carismáticos. Começando por Vaas, o principal vilão do game. Vaas é do tipo sádico e louco, cuja única motivação para ser mal é causar sofrimento e medo. Não é a toa que ele é constantemente comparado ao Coringa. Vaas sempre protagoniza cenas tensas e alucinantes e o jogador está sempre esperando o prazeroso momento de matá-lo. Os demais personagens mantém a cadência da trama, como Denis e Citra, que estão na liderança da tribo dos Rakyat. Os amigos de Jason ajudam a construir a relação do protagonista entre o seu antes e depois, e chega a ser interessante ver as reações deles diante do guerrilheiro selvagem que Jason se torna.

Sobreviver é tudo

Após fugir do acampamento de Vaas o jogador estará livre para explorar a lha. As missões ficam disponíveis em um grande mapa que se expande conforme novas torres de rádio são desativadas, mostrando ao jogador novas tarefas e pontos interessantes a explorar. Quem já jogou Assassins Creed conhece bem o sistema. Além de liberar novos locais e missões, ativar essas torres também desbloqueia armas novas, que inicialmente, só podem ser adquirias comprando nas lojas. A exploração da ilha pode ser feita de várias maneiras. A principal é a pé, mas é possível utilizar carros, asa deltas e até tirolesas.  



As missões de FC3 são bem interessantes graças às mecânicas bem desenvolvidas do game. A grande maioria dos objetivos inclui trocas desenfreadas de tiros com piratas. O sistema de mira é muito bom nos consoles, permitindo excelente precisão durante os tiroteios. Agregue isso à excelente IA dos inimigos, que mesmo nos níveis mais baixos de dificuldade apresentam um bom desafio ao jogador, e você tem um jogo de ação onde sair metendo bala nunca fica chato.

Mas nem só de tiroteios vive Far Cry 3. O stealth se faz presente e bastante necessário ao longo da aventura. Jason pode dar cabo de inimigos cravando uma faca em suas gargantas. Você não é obrigado a usar essas táticas o tempo todo, mas sempre há pontos de experiência extra em missões onde o jogador conseguir liquidar um grupo de piratas sem chamar atenção. Conforme vai evoluindo suas habilidades, Jason pode usar mais truques, como derrubar oponentes de plataformas ou matar mais de um deles atirando facas e etc.

Ilha em constante atividade.



Far Cry 3 é aquele tipo de game que nunca deixa o jogador sem algo para fazer. Há 38 missões de campanha, aquelas que nos permite progredir na história. As missões secundárias são tão interessantes quanto às principais e facilitam muito a vida do jogador com suas generosas recompensas. Uma das mais divertidas é dominar os postos avançados dos piratas, que garante seu domínio na ilha, além de permitir avançar rapidamente para diversos pontos do mapa. Tomar o controle desses postos é um tanto fácil, pelo menos inicio do game. Conforme avança, os inimigos utilizam franco atiradores, bazucas e até helicópteros para defender suas instalações.

Mas se você cansar de atacar as bases inimigas, pode optar levar remédios para diversos pontos do mapa, apostar corridas de carro no meio da selva, joga poker, aceitar contratos de assassinato, realizar favores para os habitantes da ilha... Enfim... Há muita coisa para se fazer. Far Cry 3 é o tipo de game que se torna mais divertido quando o jogador procura explorar ao máximo suas possibilidades.

O homem e a caça.

Um dos aspectos mais interessantes de Far Cry 3 são as caças. Há uma rica quantidade de plantas e animais na ilha, e todos serão de extrema utilidade por todo o jogo. Com as ervas é possível criar seringas com soros que curam a energia do protagonista, e até mesmo soros que aumentam sua percepção em combates e caças por alguns segundos.

Caçar animais é a maneira perfeita de sobreviver na selva, e Far Cry 3 leva isso ao extremo. Com o couro de animais é possível criar bolsas para levar itens, coldres para carregar mais armas, bolsas para levar mais munição e projeteis explosivos, carteiras para guardar mais dinheiro e etc.



De inicio Jason estará caçando inocentes veados, antas e búfalos. Mas logo será necessário ir atrás de presas mais ferozes, como tigres, leopardos, ursos e tubarões. Alguns animais simplesmente fogem de Jason quando ele se aproxima, outros atacam sem piedade. É possível caçar utilizando armas de fogo, mas o jogo recompensa jogadores que utilizam de arcos para isso. Além dos animais que ficam rondando pela ilha, ainda há espécies mais raras que só podem ser adquiridas em missões especificas de caça. Geralmente esses animais raros fornecem couro que é utilizado em criações mais valiosas.

Todas as suas ações no game são recompensadas com pontos de experiência. Conforme se acumula pontos, novos níveis são liberados. Esses níveis, por sua vez, são utilizados na compra de tatuagens que melhoram habilidades diversas, como mirar com mais precisão, maior velocidade em carregar armas, novos movimentos de stealth e etc.



Por fim, mas não menos importante, o dinheiro também é necessário para sobreviver. Assim como em games como GTA, missões cumpridas com sucesso são recompensadas com dinheiro. Mas sua melhor fonte de renda será com as pilhagens. Todos os inimigos deixam objetos quando abatidos. É possível vender relógios, carteiras de couro, trouxinhas com drogas, celulares e etc. O dinheiro geralmente é utilizado para recarregar a munição de todo o seu arsenal.
  
Multiplayer.

Como em todo jogo de tiro com qualidade, Far Cry 3 trás modalidades on line para partidas de mata-mata entre vários jogadores. Apesar de não ser a invenção da roda, Far Cry 3 realça essas partidas com mapas que aproveitam bem a ambientação da ilha, dando oportunidades bem bacanas de estratégia para os combates. Além disso, há um ótimo editor de mapas no game, permitindo que jogadores criem suas próprias fases e as disponibilizem para download e convide outros jogadores para partidas on line.



Mas o grande destaque do multiplayer vai para o seu modo cooperativo. Nessa modalidade jogamos uma campanha que se passa anos antes dos eventos vividos por Jason, onde quatro sobreviventes fogem de um grupo de piratas e decide se vingar deles. O modo é bem mais voltado para a ação do que para a exploração e traz pelo menos quatro horas extras de jogatina.

Reprovado 😡

Exploração mastigada.

Mesmo os jogos mais geniais não estão livres de alguma falha, e com Far Cry 3 não é diferente. Talvez o único (e também um tanto incomodo) problema presente nesse game é o seu mapa tão meticulosamente detalhado. Ao desbloquear uma torre todas as missões daquela área ficam disponíveis no mapa. O problema é que o mapa entrega tudo mastigado ao jogador. Todas as missões secundarias ficam amostra, e mais que isso, localização de plantas, animais e até baús de tesouros vão se revelar de maneira simples ao jogador. Somente às relíquias colecionáveis não estarão disponíveis... Ou não! Em qualquer loja é possível comprar mapas que mostram onde estão até mesmo os colecionáveis.



Para jogadores casuais isso pode ser interessante, pois poderão chegar a qualquer local do mapa sem a necessidade de explorações meticulosas. Mas é bom lembrar que Far Cry 3 não é um jogo que chame a atenção dos casuais, mas sim dos jogadores dedicados que gostam de se aventurar em mundos abertos e descobrir segredos aqui e ali. Pois bem, esse público vai ficar decepcionado ao constatar que explorar a ilha Rook serve apenas para apreciar a bela paisagem, pois não há a mínima possibilidade de encontrar coisas além do que os mapas já informam.

Parte técnica.

Já é tradição Far Cry possuir gráficos bem trabalhados, e com a terceira edição não seria diferente. A ilha Rook é realmente bela, com grande variedade de cavernas, praias, florestas e campos planos. A riqueza de detalhes está presente desde a mais simples grama até a mais bela cachoeira. Há diferentes tipos de vegetação nos cenários, águas cristalinas que refletem a luz do sol, lodo e etc. As texturas estão simplesmente incríveis e vai ser difícil você não parar aqui e ali para apreciar a paisagem que se abre para o jogador. O sistema de física, que é bem competente, ajuda na interação do jogador com os ambientes explorados.



Os efeitos de tela ajudam a completar toda a beleza do cenário. Espere por tempestades torrenciais, cortinas de água que influenciam na visão de Jason, trovões e nuvens de poeira realistas. Os efeitos nos combates empolgam. As explosões enchem os olhos e é simplesmente encantador assistir a destruição que um tiroteio furioso produz em sua tela.

Os modelos dos personagens estão muito competentes, com texturas de pele e roupas bem definidas. As animações dos movimentos são naturais e bem variadas, principalmente nas cenas não interativas. É preciso dizer que no quesito “inimigo” as repetições são freqüentes, dando a impressão que enfrentamos sempre os mesmos piratas e soldados. Mas isso não chega a incomodar, principalmente quando lembramos que a proposta do jogo não admite muitas variações de oponentes na tela.



Na parte sonora fica o destaque para os sons ambientes que colocam o jogador no âmago de uma ilha tropical. A vida pulsa em cada canto possível de Rook, com muitos efeitos sonoros que ajudam na imersão do jogador. Cada som de tiro e cada explosão estão de encher os ouvidos, criando um ambiente de destruição único.

A dublagem é excelente e bem interpretada, em parte graças aos textos bem escritos e sem muitos clichês. As vozes dos habitantes da ilha são carregadas de sotaques e trejeitos que criam personalidade única a cada personagem. A trilha sonora não tem muito destaque, não que seja ruim. Os temas dão ênfase às cenas de ação e em geral são canções competentes, mas nada que seja acima da média.

Conclusão.

Com Far Cry 3 a Ubisoft consegue por mais uma de suas franquias no hall da fama dos games. Pessoalmente eu joguei este título sem esperar muito, pois mesmo achando os dois primeiros games bons, nunca achei a franquia Far Cry tão interessante a ponto de realmente surpreender. Mas basta jogar pelo menos duas horas de campanha em Far Cry 3 para perceber o grande jogo que temos em mãos. Esse jogo conseguiu até mesmo mudar minha visão com relação à Far Cry.



O enredo é o ponto alto do jogo e nos faz mergulhar nos eventos do game. Jason é um protagonista de personalidade e sua evolução acontece naturalmente junto com a história. Esse é o tipo de título em que suas mecânicas casam perfeitamente com a trama apresentada. Com muito conteúdo para explorar e pelo menos 40 horas de game para divertir o jogador e um dos melhores trabalhos técnicos de sua geração, Far Cry 3 funciona como uma ótima porta de entrada para série e um dos melhores FPS´s já criados.






Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.






   

Um comentário:

  1. Ouvi falar muito desse jogo preciso jogar ele um dia mas tenho alguns jogos pendentesainda na minha lista no momento estou jogando Majin the Forsaken um action rpg muito bom até o momento que estou jogando.

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