quarta-feira, 12 de abril de 2017

Análise: Alien Isolation



Vamos conversar! Você está ficando histérico!




Alien: O Oitavo Passageiro é responsável por toda uma geração amante de filmes de ficção científica com terror. A produção de Ridley Scott garantiu uma franquia de sucesso, que aos trancos e barrancos, continua na ativa, sempre remetendo o público jovem ao filme de sucesso lançado em 1979.

A franquia Alien também se fez presente nos games, mas sem o mesmo carisma do cinema. Entre jogos medianos (Alien Ressurection) a completos desastres (Colonial Marine), Alien nunca conseguiu o destaque merecido, ou pelo menos não até 2014, ano em que a The Creative Assembly e a Sega trouxeram o interessante Alien Isolation.



Diferente das adaptações da série que se focaram em ação e tiro, Alien Isolation tem um foco na sobrevivência e no Stealth. O game acontece no ano de 2037, 15 anos após os eventos do primeiro filme. Você é Amanda Ripley, filha da protagonista do filme. Ripley tem procurado por sua mãe desde seu misterioso desaparecimento. Ela descobre que a caixa preta da nave foi localizada e se encontra na estação espacial de Sevastepol, o que a faz se unir ao grupo que vai até a estação buscar a caixa. Como era de se esperar, tudo dá errado e Ripley deve sobreviver em uma estação onde as pessoas caçam umas às outras, androides malucos e um alienígena implacável. A análise a seguir foi feita com base na edição do X Box 360.

Aprovado J

Ambientação.

O primeiro grande acerto de Isolation é sua ambientação, tão fiel e condizente quanto ao do filme. Como dito acima, a inspiração é o filme de Scott, o que significa que temos uma estação espacial com alta tecnologia retro. Tudo é muito bem construído, com teclados antigos, mouses que mais lembram alavancas e até aparelhos de telefone usados para salvar o seu jogo. Há muitos fan services por toda a parte e os fãs do filme ficarão muito contentes com essa cenografia.



Sevastepol é opressora, escura e hostil. Mas o game toma cuidado de não expor isso ao jogador muito rápido. Nos primeiros momentos tudo aparenta ser tranquilo e hospitaleiro. Conforme Ripley avança tudo vai ficando mais tenso. Logo os inimigos começam a surgir, e você se da conta que a estação não passa de um lugar abandonado, e que os seus sobreviventes se tornaram selvagens, separados entre grupos e brigando entre si. O jogo explora muito bem essa ambientação, seja no comportamento das pessoas na estação, ou nos muitos textos espalhados pelos computadores, mostrando que os diretores da Sevastepol deixaram os trabalhadores a mercê da morte.


Stealth bem desenvolvido.

Se você procura um título para meter o "loko" e matar geral, Alien Isolation não é a opção! O game se foca em sobreviver na base do Stealth, utilizando de cantos escuros, armários, mesas e camas para se esconder. A mecânica não é muito diferente de outros jogos do gênero. Ripley vai passar parte do tempo hackeando sistemas de segurança, ativando e desativando sistemas de ventilação e porta, coletando cartões de acesso e sucatas para construção de itens. Não há como agir de maneira frenética no jogo. O risco de ser pego por algum inimigo é constante. Você percebe que esse sistema é levado ao extremo quando o simples ato de examinar um computador, ou até mesmo de salvar seu jogo, pode leva-lo a morte certa caso não seja rápido ou silencioso o suficiente.



Para sobreviver Ripley pode utilizar um revolver, lança-chamas ou ferramentas para ataques corporais. Mas a moça não é uma guerreira, e sim uma engenheira, o que significa que ela é péssima com armas, usando o que tem de maneira precária, algo que reflete diretamente na jogabilidade. Falando com clareza, a mira de Ripley é péssima, bem como sua capacidade em recarregar armas. Tudo é muito lento e usar seu arsenal de maneira errada pode ser desastroso num combate direto. Claro que isso faz parte da imersão do jogo, uma vez que o objetivo é agir na surdina. A moça ainda pode desenvolver itens a partir de materiais espalhados pela estação. Ao conseguir os projetos necessários Ripley constrói granadas atordoantes, coquetéis molotovs, bombas de fumaça, minas de PEM e etc, todos muito uteis para atrasar e despistar inimigos chatos no caminho.

Há somente três tipos de inimigos na estação. Os humanos são os mais “simples”. Basicamente, eles andam em grupos e estão sempre armados. Como os recursos da estação são muito escassos, eles sobrevivem matando membros de outros grupos e roubando seus recursos. Eles são os mais “fáceis” de abater, a maioria podendo ser pego de surpresa com um bom golpe de ferramenta na cabeça.



Já os Working Joes são androides que cuidam da segurança da estação e auxiliam em algumas tarefas. Mas caso alguém tente fazer algo que não corresponde a sua programação, os Working Joes se tornam maquinas de matar. Eles não são tão espertos como os humanos, mas são muito fortes e resistentes. Um golpe de um androide pode tirar um bom naco de energia de Ripley, e eles são extremamente resistentes. Entrar em combate com um Working Joe é algo que Ripley deve evitar ao máximo.

O alienígena.

Mas a cereja do bolo é o terceiro e principal inimigo do game, o Alien!  Após duas horas de campanha Ripley passa a ser perseguida por um alienígena feroz, que existe apenas para deixar a vida da moça mais difícil.



O Alien é sem dúvida a coisa mais formidável que você já viu em um game de terror. A criatura é muito inteligente e esperta, e sua aparição garante os melhores momentos de Isolation. O Alien, por vezes, consegue localizá-lo por sua respiração, ou até pelo menor dos barulhos. Sua IA é tão bem bolada que ele vai enganar o jogador com muita frequência. Houve vários momentos em que pensei que o monstro não havia me visto entrar em alguma porta, mas ele apenas tomou uma rota diferente para pegar Ripley de surpresa. Em outras vezes ele fingia que não havia me visto entrar em um armário, mas fica claro que há momentos onde o Alien simplesmente decide quando vai pegá-lo e acabar com a brincadeira, como se a criatura gostasse de criar pressão antes do abate.

Seu comportamento é tão brilhante que a criatura grava os seus padrões. Ele sabe quando o jogador usa muito os armários para se esconder, por exemplo, sempre começando por lá na hora em que aparece. Também não há padrões que o ajude a entender como a inteligência do Alien funciona. Sua única alternativa é utilizar um radar para verificar se ele está por perto, e ainda sim com cuidado, pois o bipe do aparelho também chama a atenção do bicho. Entrar em combate com Working Joes e humanos é algo pra ser feito em casos extremos. Por outro lado também é possível usar o Alien ao seu favor. Muitas vezes criei confusão em locais onde haviam humanos, simplesmente para que o Alien matasse todos.



É verdade que o game abusa da presença do alienígena, mas isso não chega a ser ruim. O comportamento imprevisível do monstrengo, aliado a um cenário opressor, torna Isolation jogo um constantemente tenso. Primeiro por que a simples tarefa de coletar um cartão de acesso no final de um corredor se torna uma tarefa critica, uma vez que a chave do sucesso é a calma que o jogador terá para atravessar longos corredores sem chamar atenção. O simples ato de correr, esbarrar numa lata de lixo e até de ativar terminais e pontos de save, despertam a atenção do alienígena. Por esse motivo a progressão  do game parece ser um tanto lenta demais, pois você vai morrer muitas, muitas vezes mesmo, e isso pode ser frustrante para os jogadores menos pacientes.

Reprovado L

Problemas técnicos na geração anterior.

Alien Isolation é um jogo multigeração, ou seja, ele foi lançado para Playstation 4 e X Box One, mas teve edições para a geração passada. É lógico que há um downgrade no X360, mas isso não deixa o game feio. O grande problema mesmo é nos bugs.

É muito frequente que o game tenha engasgos durante sua execução. Houveram casos em que o jogo simples engatava em algumas salas. Parecia até que eu estava rodando um jogo muito pesado num computador com pouca memória e processamento fraco.



Outro problema frequente é renderização gráfica. Aconteceu bastante de meu jogo carregar com os gráficos totalmente bugados, sem textura alguma, nem em modelos de personagens nem no cenário. Nesses casos era necessário sair do jogo e entrar novamente. Há jogos como Fary Cry 4 e Dragon Age Inquisition que tem uma portabilidade decente para a geração passada, mas com Alien Isolation, infelizmente, o caso foi bem diferente.

Parte técnica.

Como foi dito acima, é evidente que foi necessário um downgrade para Isolation rodar no X360 e PS3, mas isso não quer dizer que o game ficou abaixo do poder desses consoles. Os cenários são bem escuros e desolados. Tudo é muito detalhado, desde as paredes de ferro até o jogo de iluminação dos locais. Fica evidente que algumas texturas deixam a desejar, mas nada que realmente prejudique a experiência.



Já a animação dos personagens é um caso à parte, deixando claro que este é um problema em todas as edições, inclusive PS4 e XONE. Ripley é muito bem animada, mesmo sendo um jogo em primeira pessoa. Você observa os movimentos das mãos de Ripley quando ela está subindo uma escada, quando empunha uma arma tremendo, quando opera uma ferramenta a etc. O alienígena também é impressionante. Sua construção é formidável, muito detalhado no movimento de sua cauda, no modo que se move, na gosma que escorre do seu corpo. É até triste saber que você só poderá admirar o alienígena momentos antes dele te matar. Até os Working Joes são bem animados, mesmo sendo androides com movimentação limitada

Infelizmente, essa perfeição de movimentos não se estende aos demais personagens. Os movimentos dos humanos são muito mecânicos e duros. Também fica claro a falta expressão facial nos npc´s. Nas cenas não interativas a ausência de sincronia labial é assustadora. Até lembra aqueles antigos jogos de Playstation 2 que a voz aparecia primeiro que o movimento da boca do boneco.



A parte sonora está ótima. Em um jogo tão silencioso a equalização dos efeitos é muito boa. Você escuta com perfeição cada porta, tiro, objetivo caindo e etc. O mais impressionante são os ruídos produzidos pelo alienígena, deste seu sussurro baixo até seu berro amedrontador. A trilha sonora é totalmente inspirada nos temas do filme. As músicas passam aquele clima de terror característico.

O game conta com dublagens em português e elas não fazem feio. As vozes passam com intensidade o sentimento de personagens chave, NPC´s e etc. No entanto, curiosamente, as vozes estão muito baixas. Há conversas que são sussurradas, pois assim manda o roteiro do jogo, mas você precisa deixar o volume de sua tv bem alto se quiser ouvir o diálogo com clareza.

Conclusão.

Alien Isolation é o jogo definitivo do filme de ficção mais famoso já feito. A Assembly conseguiu traduzir com extrema competência todo o sentimento do longa. Sabemos que Stealth em jogos de terror não é algo novo, mas Alien Isolation estabelece um novo padrão. Se sentir caçado até mesmo quando vai salvar seu jogo dá um clima de pânico e insegurança que são vitais na imersão do jogador.



Outro fator interessante é que o game vai atingir em cheio os fãs. Mas o jogo é tão bom que vai agradar até quem nunca assistiu o filme. Eu por exemplo, nunca me interessei pela franquia Alien, mas enquanto jogava Isolation tive vontade de conferir o filme, que é muito bom, por sinal. Este é um raríssimo exemplo de game baseado em filme que agrada até que não conhece a obra original. Em plena transição de geração, cuja geração passada contou com poucos jogos de terror de qualidade, Alien Isolation é uma grata e divertida surpresa. 


Notal Final.


Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.






2 comentários:

  1. Jogo bem interessante e diferente dos que eu já ou joguei da série Alien no caso nao foram muito mas esse me parece ser bem melhor dos que os outros.

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  2. Ótima postagem gostei muito, ganhou um fã abraços.

    Me segue, que eu sigo de volta!

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