segunda-feira, 15 de maio de 2017

Joguei e não recomendo: Wolverine - Adamantiuim Rage (Mega Drive)


Estrelando: Wolverine, vocalista do Irá!



A geração dos 16 bits foi muito especial para os fãs dos quadrinhos. Nos anos 90 muitos personagens ganharam séries animadas, e consequentemente, games para diversas plataformas. Nesse período as histórias dos X-Men ganhavam cada vez mais fãs, tanto nos quadrinhos quanto na série animada produzida pela Fox. Todos sabemos muito bem que parte da popularidade de X-Men vinha por conta de um dos personagens mais carismáticos e queridos do universo Marvel, o famoso Wolverine.

Não era só pelo seu estilo único e motherfucker que Wolverine era o favorito da galera, mas também pelo seu passado misterioso que tanto intrigava os fãs. A Marvel se aproveitou bem disso e lançou uma série de HQ´s que focava apenas na origem do mutante, desde a experiência com o adamantium até seu ingresso aos X-Men. Na década de 90 as historinhas em quadrinhos eram muito mais populares do que hoje, e o sucesso desse arco chamou atenção da Acclaim, que comprou os direitos do personagem e desenvolveu Wolverine - Adamantium Rage para Super Nintendo e Mega Drive. A edição do Mega Drive foi desenvolvida pela Marvel Software e a Teeny Weeny. O game basicamente se foca na busca de Wolverine por respostas ao seu passado. Trata-se de uma aventura solo sem a participação de seus demais amigos mutantes.

Embora eu goste muito do Super Nintendo, sempre tive Mega Drive quando criança, e eu realmente amava os jogos desse console. Adamantium Rage era um daqueles jogos que eu jogava na infância e gostava muito, simplesmente por gostar do Wolverine, e sabia que o jogo em si não era lá grandes coisas. Hoje eu posso dizer a vocês que Adamantium Rage é um dos piores games de herói que o Mega Drive recebeu. Uma pena, pois o título tinha grande potencial. A análise a seguir é válida somente para a versão do console da Sega. Apenas ressalto que Adamantium Rage no SNES é muito melhor, e quem sabe futuramente não apareça por aqui. Em alguns momentos farei pequenas comparações das edições, pois será necessário para ilustrar meus pontos para não recomendar este game a vocês.

A história do game é simples. Wolverine busca por respostas sobre seu passado e deixa os X-Men de lado para procurar o homem que fez a experiência de adamantium em seu corpo. Movido por sua raiva, Wolverine não vai desistir até encontrar respostas e impedir que mais experiências brutais com mutantes continuem a ocorrer. O enredo do game é contado entre uma fase e outra através de cenas similares aos quadrinhos. Alguns dos principais vilões das aventuras solos do mutante dão as caras por aqui, como Deathstroke e o famoso Tigre Dentes de Sabre.

Assim que ligamos o jogo temos a impressão de que vamos jogar um Chakan ou um Splatterhouse. Não sei dizer o motivo, mas na edição para o Mega Drive a Acclaim forçou a barra para que o game soasse como um título de terror. Isso fica evidente na trilha sonora do jogo, que é excelente, tanto em qualidade sonora quanto em composições. Mas é inegável que o clima que o título passa é de uma aventura sombria e aterrorizante, quando na verdade nem é. Já que estamos falando de parte técnica, Adamantium Rage traz um dos melhores gráficos do Mega Drive. As fases são bem detalhadas, embora um pouco coloridas demais. O laboratório da primeira fase é muito bem feito, com tubos aqui e ali e aparência rústica. A fase no espaço também é muito bonita, com cometas passando no fundo. Cada fase possui inimigos próprios, como ninjas, robôs, cientistas e etc. Cada personagem está bem animado e bem desenhado.

Mas como sabemos, infelizmente, gráficos até vendem um jogo, mas não são sinônimos de qualidade, e Adamantium Rage entra nessa questão. Aqui temos um game de ação/plataforma, com muitos inimigos para derrotar, chefes para vencer e muitas, mas muitas plataformas para pular. A jogabilidade desse jogo é extremamente falha. Tentar golpear um inimigo voador é uma tarefa quase impossível, pois a sincronia tem que ser perfeita, mas você sempre tem a impressão de que o controle responde com atraso, e que qualquer inimigo nesse jogo é mais ágil que o Wolverine.

Conseguir saltar de forma decente é outra porcaria. Como eu disse acima, há muitas plataformas pra pular, e muitas delas são pequenas e induzem o jogador a cair e começar de novo. Mas pular é incerto demais, já que na maioria das vezes, ou você vai pular forte demais e passar por cima da plataforma ou seu pulo vai ser fraco e nem vai alcançar. Wolverine pode dar um salto duplo, mas usar esse recurso requer muita cautela. O mutante também pode usar suas garras para se prender em paredes e escalar. 

Somando a jogabilidade terrível, o jogo é muito difícil. Os inimigos são resistentes e rápidos, coisa muito frustrante pra um jogo onde o controle do personagem é um desastre. Já os chefes são resistentes e apelões. As fases são muito longas e esse é o tipo de jogo safado que ainda tem a cara de pau de te dar tempo para completar os níveis. Mas em todas as fases sempre tem aquelas plataformas que te fazem cair e tentar de novo repetidas vezes e o tempo para concluir é bem curto. Acredite, você nunca vai conseguir terminar uma fase sem esgotar o tempo.

Falando no tempo, preciso dar uma atenção a isto, pois esse jogo tem a forma mais criativa (e assustadora) que já vi de contar o tempo. Há um andróide na forma de uma garotinha que persegue Wolverine. O contador de tempo é mostrado na forma da distância que ela está do mutante. Quando o ponto vermelho no canto da tela chegar ao personagem o tempo acaba. Nesse momento você é obrigado a ver a imagem abaixo:



Sim, a garotinha abraça Wolverine e seus olhos brilham em vermelho. Por conta disso e também da trilha sonora eu tinha medo de jogar esse jogo quando criança, embora gostasse dele. Que tela escrota pra mostrar, hein? Fico me perguntando a necessidade desse jogo ter esse nível de tensão, uma vez que a versão do Super Nintendo é muito diferente disso.

Wolverine - Adamantium Rage poderia ter sido um jogo muito melhor, principalmente quando lembramos que houve uma edição bem superior pro console da Nintendo. Nas questões técnicas ele está muito acima de muitos títulos do Mega Drive. Esse toque sombrio do game não chega a ser ruim, é apenas desnecessário, visto que Wolverine não chega a ser nem mesmo um antagonista. O que realmente faz desse jogo uma experiência ruim é sua jogabilidade desastrada que está sempre contra o jogador. Se os controles fossem bem calibrados a dificuldade seria aceitável. Penso eu que o jogo é ainda mais difícil por conta dos controles, mesmo. Ainda assim esse game tem um gosto de nostalgia pra mim, pois gostava dele quando criança, e como na época o cartucho era do meu primo, sempre me vem lembranças saudosas de tardes jogando esse game. Ignorando as lembranças, dos muitos jogos estrelados por Wolverine, Adamantium Rage do Mega Drive é sem dúvida o pior de todos.












Análise escrita por: Lipe Vasconcelos.





Um comentário:

  1. Eu joguei a versão de Snes e também não curti nem um pouco.

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